
No período de quarentena, quando as escolas das redes estadual e municipal, bem como as particulares, estão cumprindo as determinações do isolamento social para os alunos se prevenirem do novo coronavírus, as crianças precisam seguir a rotina de estudos em casa, online e com adaptações para não perderem o ano escolar.
Mariana Braz, professora na Escola Municipal de Ensino Básico (Emeb) José Peres Castelhano, que leciona em dois períodos – manhã e tarde – recorda que as aulas presenciais foram totalmente paralisadas em 23 de março, por determinação de Decreto Municipal e antecipação do recesso escolar, que seria em julho. Porém, no dia 11 de maio, as aulas foram retomadas, mas na modalidade à distância.
“Não temos uma plataforma e cada professor está utilizando os melhores recursos condizentes à realidade dos seus alunos, pois alguns não têm acesso à internet ou moram na zona rural. Na nossa escola, cada professor preparou atividades, que foram impressas e disponibilizadas pela escola para os pais irem retirar na data e horários combinados, a fim de evitar aglomerações”, justificou.
E acrescenta que ela mesma entrou em contato com os pais, por telefone a priori, e em seguida organizou grupos no WhatsApp, combinando dois horários de três horas cada, para ficar disponível aos pais e alunos, podendo tirar dúvidas que surgissem.
“No horário da manhã, eu envio uma ‘leitura deleite’ diariamente, para ser realizada pelas crianças, envio sugestões de atividades condizentes ao tema do dia, através de canais no YouTube e gravo as orientações das atividades daquele dia, para que a família não precise se preocupar em explicá-las; apenas em acompanhar a criança na realização das mesmas. E no período da tarde, ao finalizar a aula, envio vídeos gravados por mim, com as correções das atividades do dia. As crianças, então, me enviam fotos das atividades desenvolvidas, para que eu também faça correções pontuais e direcionadas, além de computar a presença. Às crianças que moram na zona rural, o transporte da Prefeitura está levando e trazendo as atividades, nos dias combinados”, descreveu.
No que se refere aos pais, Mariana se declara muito feliz e orgulhosa com a participação deles, bem como das devolutivas positivas que tem recebido.
“A grande maioria demonstra-se empenhada, participa ativa e efetivamente, acompanha as aulas, faz perguntas, segue as sugestões e orientações, inclusive nas aulas práticas, com experiências e atividades físicas. Tem sido uma experiência nova para todos nós. Infelizmente, a falta do contato físico, que é muito importante, faz diferença, mas temos contornado a saudade através dos vídeos, dos áudios e fotos trocados diariamente. Enfim, está sendo um momento de novas descobertas e estamos nos reinventando”, concluiu.
VISÃO DOS PAIS É POSITIVA
Kellen Cristina Rodrigues Matias, que é mãe de Antonio Carlos Matias da Silva, de 7 anos, que cursa o 2º, observa que, como é normal com toda criança, há dias em que as aulas transcorrem melhor que em outros.
“Aí você diz ‘ah, mas tem as notas, presenças que a professora tem que dar para você’. Mas a experiência está razoável, porque é a mesma coisa de uma lição de casa, de estar colocando as crianças para fazer uma tarefa de casa. Só que um pouco mais fácil porque tem a explicação da professora pelo celular”, comentou Kellen.
Sem acesso à internet, o que dificulta no momento de baixar algum conteúdo da aula, Kellen enfatiza que, mesmo assim, no que a professora lhe envia algo, já é possível se organizar e verificar quais as dificuldades que o filho apresenta, no decorrer da aprendizagem.
“Muitas vezes, se ele precisa de alguma explicação que eu não consigo dar, eu pergunto para a Mariana, que me fala por áudio, para o Antonio escutar. Aí ela fala ‘ah, mãe, agora eu já sei, é assim!’”, contou.
Kellen, que no período das aulas presenciais recolhia recicláveis, se reveza com o marido para ajudar os filhos nas tarefas escolares e afirma que, como mãe, está satisfeita com a atenção recebida por todos da escola.
Com a autônoma Lucineide Ferreira Mathias não foi diferente e ela tem se esforçado no apoio à filha Luísa Mathias Curcio Ferreira, de 7 anos, que também cursa o 2º ano.
“Tem sido uma experiência muito especial e importante nesse momento difícil que estamos vivendo. Mas estamos tendo todo o apoio da escola e da professora Mariana Braz com as atividades a serem realizadas semanalmente. A professora tem desenvolvido vídeos e áudios explicativos das atividades que são propostas”, finalizou.




