
Na primeira semana de maio, após entrevista da secretária de Cultura, Regina Duarte, à CNN Brasil, mais de 500 artistas, de diversos segmentos, se reuniram em um manifesto de repúdio – “Ela não nos representa”. E em São João da Boa Vista, essa atitude da atriz/secretária também gerou má impressão sobre a imagem pública de Regina.
“Definitivamente ela não me representa! Eu confesso que assisti a entrevista dada pela secretária para a CNN para saber suas propostas, pois até então não sabia de nenhuma ação sua e, ao término, me senti mais desamparada ainda! Há um abismo muito grande entre o que a secretária está vivendo e o que os artistas estão passando. Regina Duarte está muito distante das demandas do país e, claro, da classe dos artistas. Ela parece desconhecer que a maior parte da classe está sem conseguir trabalhar e que não possui qualquer contrato que lhe garanta o mínimo para sobrevivência, pois precisa da presença do público, o que, pelo jeito, vai demorar a ter de volta”, declarou Marli Marques, atriz, diretora e professora de teatro.
Para o ator Carlos Augusto Castilho, a entrevista da secretária de Cultura foi uma verdadeira sucessão de erros. “Entende-se perfeitamente a insegurança da secretária neste momento de crise por conta do Covid-19 e das dificuldades de se gerir a máquina pública, ainda mais sendo tão recente no cargo de gestora da cultura nacional. Porém, Regina Duarte mostrou-se pouco interessada em se posicionar de fato para a classe cultural e artística sobre as condições atuais específicas na área que gere, expressando-se com ironias e desrespeitando os brasileiros de forma geral quando trouxe à tona assuntos como ditadura e tortura, banalizando a morte em um momento tão difícil como este. Para ilustrar este ‘pouco caso’ com os seus colegas, se negou a ver e ouvir um depoimento da atriz Maitê Proença, reforçando ainda mais a falta de comprometimento com a classe cultural e artística”, pontuou.
Antonio Domenc, também ator, vê o posicionamento de Regina como grotesco e talvez não seja político/partidário, mas apenas signifique que ela não tem competência para o cargo.
“A impressão que dá é de que ela aceitou o cargo por vaidade e quis ter mais um momento de celebridade, pra reviver o passado ao qual ficou presa. Em plena pandemia, ‘Regininha’ não disse uma palavra sobre ações específicas da Cultura para ajudar os trabalhadores da área, que provavelmente só poderão retomar suas atividades em 2021”, concluiu.




