
O humorista Onofre Monteiro Gonçalves, que há cerca de sete anos atua na área, com espetáculos de stand-up, resolveu aproveitar a arte para promover a conscientização das pessoas sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), levando informação em meio às piadas de seu novo show, em processo de elaboração.
Sem data definida para estreia, Onofre conta que a ideia surgiu a partir de sua filha, Elis, diagnosticada com TEA.
“Eu sempre costumo falar nos shows sobre o que acontece comigo, uso experiências vividas para criar piadas, a fim de evitar material parecido com o que outros comediantes já tenham produzido, e ao mesmo tempo, ter uma identificação por parte do público”, comentou.
O comediante destaca que, bem antes da filha ser diagnosticada, já estudava o assunto – pois recebera um ‘alerta’ dos professores da garota e de sua namorada, Cecília Marcondes, que dá aulas de teatro para crianças com síndrome de down e TEA.
“Desde que começou a conviver com a Elis, Cecília percebeu alguns padrões no comportamento dela. Porém, quando passamos por determinadas situações, notamos que nunca é o suficiente. Então, comecei a buscar, no relato de outros pais, semelhanças que me ajudaram a obter alguma informação sobre como agir nessas horas. Ao perceber que a minha falta de preparo poderia ser amenizada com essa troca de experiências, e como isso me ajudava a lidar com a minha filha, pensei em levar essa ideia para o palco”, justificou, frisando que, independente do tema, o humorista deve passar suas experiências à plateia.
E acredita que esse show em especial irá além das experiências e piadas, mas fornecerá informações úteis e conscientização aos expectadores.
“Por conta disso é que estou em busca de pessoas que possam ajudar — pais, mães, parentes, amigos, pessoas dentro do espectro autista ou que convivam com estas, ou seja, quem puder me relatar situações que enfrentaram por conta de alguma característica do espectro, independente de ser ou não engraçado”, avisou.
Esses relatos serão criteriosamente avaliados por um grupo, formado na maioria por pais de crianças com TEA, a fim de evitar piadas que possam ser constrangedoras e o humorista, embora não tenha previsão de quando esse show estará pronto, devido à própria quarentena, adianta que não pretende ‘soltá-lo’ em vídeo, antes de liberação segura dos teatros.
“Eu sinto que um material como esse pede um contato presencial e mais direto com o público”, finalizou.




