São João tem um respirador para cada 2.682 habitantes

Santa Casa: hospital está preparando outra ala intensiva com 10 leitos de UTI específicos para atendimentos do coronavírus (Divulgação/Santa Casa Dona Carolina Malheiros)

Com oito casos positivos do novo coronavírus (Covid-19), o município tem um respirador (máquina de ventilação mecânica) para cada 2.682 habitantes. O equipamento é essencial para pacientes internados com a doença em estado grave. O levantamento feito pela reportagem do O MUNICIPIO foi baseado no número de equipamentos existentes nos dois hospitais da cidade – Hospital e Maternidade Unimed (17) e Santa Casa Dona Carolina Malheiros (17), totalizando 34 – e na última estimativa 91.211 habitantes em 2019, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). É importante salientar, ainda, que o levantamento não considerou demais cidades abrangidas pelos dois hospitais.

UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA
De acordo com o artigo 58 da Resolução 7/2010 do Ministério da Saúde, um respirador tem capacidade para atender até dois leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Neste quesito, São João oferece um leito para cada 2.465 habitantes.

O levantamento do jornal sobre o número de UTIs em São João também foi baseado em informações fornecidas pelos dois hospitais do município (37), já somados os leitos específicos no combate ao novo coronavírus.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um leito disponível de UTI para cada 10 mil habitantes. Ou seja, São João, com um leito para cada 2.465 pessoas, está acima do recomendado pela organização. Todavia, vale lembrar que a recomendação da OMS foi feita antes da existência da pandemia da Covid-19.

SANTA CASA
A administração da Santa Casa Dona Carolina Malheiros informa que tem uma ala preparada que será destinada aos pacientes com sintomas menos graves da Covid-19 e está transformando outro setor com 10 leitos de UTI específicos para atendimentos dos pacientes com a doença, além da UTI geral – de 10 leitos – já existente, que continuará atendendo os demais pacientes.

“As adaptações no prédio já estão prontas, estão sendo trabalhados os últimos detalhes e aguardada, neste momento, resposta do Governo do Estado sobre a liberação dos equipamentos necessários”, comunicou, lembrando que o isolamento social tem surtido efeito e que ainda não tem nenhum caso confirmado internado.

RESPIRADORES E EPIs
A Santa Casa conta, hoje, com um parque de 17 respiradores, incluindo as reservas, e 10 equipamentos de ventilação não invasiva, recebidos como doação da Associação Mais Saúde.

Sobre os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), itens escassos no mercado, o hospital aponta que está se abastecendo, porém, os custos aumentaram consideravelmente, tendo buscado recursos para compra dos mesmos. “Para ter-se uma ideia, o custo médio de uma máscara cirúrgica em janeiro era de R$ 0,08 a unidade e, hoje, quando encontrada, ultrapassa R$ 4”, lamentou.

A Santa Casa afirma que tem comprando máscaras de maior proteção e durabilidade – as conhecidas N95 e PFF2 – para substituir as descartáveis, pois na semana passada não mais as encontraram para compra. “As máscaras feitas em tecido, que não possuem elemento filtrante, não podem ser disponibilizadas aos profissionais de assistência direta ao paciente”, informou.

Com relação ao álcool em gel – também em falta no mercado – o hospital está abastecido por um curto período, porém, pela alta procura, o hospital está comprando esse item a um valor muito alto.

De acordo com a instituição, vários produtos, como alguns EPIs, estão sendo confeccionados pela própria equipe com a ajuda de parceiros – destaque para as costureiras da Promoção Social -, além de estar em busca de novos fornecedores para aquisição de insumos e matéria prima para as confecções.

As equipes estão se preparando e foram redesenhados os fluxos do hospital para receber os pacientes. “Os colaboradores estão se empenhando muito e dedicando o máximo do seu potencial. Está sendo uma ação muito bonita, inspiradora e motivadora, a busca pela melhor forma de passarmos por esse momento tão difícil. Pequenos gestos somados em favor do mesmo ideal alcançam grandes resultados”, disse Marcio Roberto Franciolli, provedor da Santa Casa.

O hospital reforça, ainda, que está sendo preparado com duas estruturas independentes: uma que fará os atendimentos gerais, tradicionais dos pacientes típicos da Santa Casa, e outra para atender os pacientes sintomáticos, suspeitos e confirmados com a Covid-19.

“Nesse momento é muito importante e a Santa Casa não poderia deixar de considerar e agradecer a solidariedade da população de São João e região, que ajuda nosso hospital a fornecer condições de atendimento a quem precisa: a Prefeitura de São João, pela liberação de recursos; o UniFAE, pela doação de insumos e liberação de recursos; a Prefeitura de Águas da Prata, com prestação de serviços; Associação Mais Saúde e Associação Comercial e Empresarial, com doação de materiais e insumos; Entidades de Serviço da comunidade, com expressivas doações; além da importante e generosa doação de entidades e da sociedade sanjoanense em geral”, completou.

Guilherme Morellin, administrador da Santa Casa, pontua que, hoje, São João tem uma realidade muito melhor e mais organizada comparada a de outras cidades da nossa região como um todo.

“A Santa Casa fica tranquila, e ao mesmo tempo com muito orgulho, pois a Prefeitura tem desempenhado um trabalho exemplar na organização do Sistema de Saúde local, através do Departamento de Saúde, que tem dado essa resposta à sociedade com muito rigor e clareza dentro dos parâmetros técnicos determinados pelas autoridades”, afirmou Morellin.

Segundo ele, vencer essa batalha está diretamente ligado a fazer o melhor enquanto indivíduos, respeitando o isolamento, prevenindo-se e buscando o sistema de saúde sempre que necessário. “O coletivo dessas ações e de todos nós nos fará vencedores nessa pandemia. A Santa Casa está ‘orgulhosa’ em poder ajudar nossos pacientes e de quem precisa, estando sempre à disposição com qualidade e humanização sem distinção. Fiquem em casa por nós, pois estamos aqui por vocês!”, concluiu.

DOAÇÕES
A Santa Casa ainda precisa adquirir materiais de consumo e equipamentos de proteção em geral e considera importante que as doações continuem, pelos canais já divulgados (Banco do Brasil – agência 0065-5 conta corrente 9147-2).

Covid-19: Hospital Unimed já tem ala própria e exclusiva

Hospital e Maternidade Unimed: dos 17 leitos de UTI, sete são exclusivos para casos confirmados e suspeitos da Covid-19 (Reprodução/Unimed Leste Paulista)

O Hospital e Maternidade Unimed (HMU) possui total de 17 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) disponíveis, sendo sete deles exclusivos e separados para casos suspeitos e confirmados da Covid-19. Além disso, dispõe de 17 ventiladores.

Dos 10 leitos de UTI já existentes, segundo informações no portal da cooperativa, três deles já são dedicados a pacientes cardíacos e outros sete são para cuidados intensivos gerais como: pós-operatório, traumas e patologias mais complexas, além de um leito de isolamento para proteger pacientes comprometidos.

Segundo informado, o espaço é equipado com prontuários eletrônicos, camas automatizadas, modernos monitores para a leitura da frequência cardíaca, controle de peso do paciente, além de um aparelho que mede a necessidade de hidratação e ventiladores microprocessadores. No local também há desfibriladores portáteis e respiradores de transporte para casos de emergência em outro setor do Hospital.

ALA EXCLUSIVA
Desde o dia 31 de março, o Hospital e Maternidade Unimed conta com uma ala própria e exclusiva para atendimentos dos casos sintomáticos respiratórios/suspeitos da Covid-19, com média de 8,5 atendimentos (total) por dia. As informações constam em boletim informativo, datado de 8 de abril e repassado aos seus médicos cooperados, o qual a reportagem teve acesso.

No comunicado, o hospital ainda comunica o alinhamento com o serviço de Atenção Integral à Saúde (AIS) atendendo seus colaboradores, realizando exames necessários quando necessários e os acompanhando por ligação quando os mesmos encontram-se em isolamento domiciliar. Também cita os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), uso orientado por esses protocolos, e que está “com quantidade suficiente dos mesmos para a demanda atual e de previsão crescente”.

Em nota encaminhada à reportagem no final de março, a unidade já havia antecipado o início do funcionamento do espaço físico completamente isolado para casos da Covid-19.
Na ocasião, comunicou que desde o dia 25 de março estava com fluxo de atendimento, cuidados de EPIs e protocolo de avaliação específico aos casos de doenças respiratórias agudas atendidos pelo serviço de urgência.

“A estrutura, em termos de espaço físico, EPIs, aparelhagem para casos graves e profissionais da saúde está de acordo, neste momento, com nossas expectativas para suportar cargas crescentes de casos dessa pandemia, e ainda esperamos chegada de novos materiais já solicitados e comprados”, afirmou o médico Alexis Mastri, diretor-técnico do Hospital e Maternidade Unimed.

Mastri reiterou a observação das orientações dos órgãos públicos de saúde, como Ministério da Saúde, e de grandes instituições hospitalares, “criando, assim, nosso melhor modo de atender aos nossos pacientes. Informações específicas de condições clínicas e resultados de exames serão passadas somente, e obviamente, aos familiares, guardando nosso dever de sigilo médico e de respeito à família”, finalizou.

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