Moradores de rua causam preocupação

Plantão social: moradores de rua são atendidos pelo Departamento de Assistência Social (Divulgação/Prefeitura de São João)

A ressocialização dos moradores de rua é um dos desafios mais difíceis enfrentados pelos municípios. Tratam-se de pessoas com diferentes realidades, mas que têm em comum a condição de extrema pobreza, vínculos familiares interrompidos ou fragilizados, além de problemas com alcoolismo ou outros vícios. Em meio a essas condições, acabam encontrando nas ruas, um espaço de moradia e sustento.

Em São João da Boa Vista isto não é diferente. Recentemente o duplo homicídio envolvendo moradores de rua chamou atenção das autoridades locais e foi tema de discussão na Câmara Municipal. Diante disso, a diretora do Departamento de Assistência Social, Eliane Buciman de Lima Rossi, esteve na sessão ordinária de segunda-feira (9) para explicar as ações desenvolvidas no município e discutir a complexidade deste problema com os vereadores.

Durante a reunião, ela explicou que o órgão tem procurado fazer um trabalho de sensibilização junto aos moradores de rua. “Não é simplesmente pegar a pessoa e levá-la para algum lugar. Nós precisamos que essas pessoas queiram ser tratadas. Queiram realmente ter o apoio que a prefeitura oferece”, explicou.

PLANTÃO SOCIAL
Ao aceitar a ajuda da Assistência Social, o morador de rua é encaminhado ao Plantão Social, onde são ofertados banho e troca de roupas. Já para aqueles que são de outras cidades são ofertadas também a passagem de volta a sua terra natal.

“Aqui de São João da Boa Vista são três ou quatro. A grande maioria está de passagem e acaba ficando, devido à solidariedade das pessoas em relação às esmolas”, comentou a diretora. Segundo ela, algumas pessoas chegam a ganhar uma média de R$ 70 a R$ 100 ao dia, o que dificulta ainda mais o trabalho para tirá-las das ruas.

PROJETO RESSOCIALIZAR
Eliane relata que o departamento também realiza um trabalho em conjunto com o CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial, Álcool e outras Drogas). Desde 2011 existe o Projeto Ressocializar, onde o morador de rua passa por uma internação e depois um período de semi-internação. Em seguida, ele é integrado ao Mutirão Social, um programa que insere a pessoa no mercado de trabalho. “Nós temos dado condições para aquelas pessoas que realmente queiram se reinserir, sejam inseridas pela sociedade. Mas nós temos um grande vilão que é a esmola”, relata a diretora.

Na ocasião, ela citou como exemplo uma idosa que ficava pedindo esmolas na região central de São João. Conforme apurado pelo órgão, ela era natural de Poços de Caldas, onde tinha residência fixa. No entanto, houve uma comoção nas redes sociais contra o trabalho da equipe da Assistência Social e muitas pessoas chegaram até mesmo a serem contrárias à sua retirada das ruas. “É um trabalho difícil, pois lidamos com várias opiniões. Mas temos desenvolvido nossa missão e já conseguimos ressocializar várias pessoas que hoje estão em suas casas e reconstituíram suas famílias”, afirma.

CASOS DIFÍCEIS
Segundo Eliane, o departamento também realiza o Papo com Café, uma ação voltada aqueles que não conseguem entrar no ciclo de ressocialização. Neste projeto, a equipe da Assistência Social procura fazer uma sensibilização maior e mostrar exemplos de pessoas que saíram das ruas e hoje levam uma vida normal.

No entanto, mesmo com essas ações, o órgão ainda se depara com casos de difícil solução, como moradores de rua com problemas mentais ou que se recusam a receber qualquer tipo de ajuda.

NOVA CAMPANHA
A diretora relatou que está sendo criada uma nova campanha de conscientização para que as pessoas não deem esmolas aos moradores de rua. Na ocasião, o vereador José Cláudio Ferreira (MDB) ressaltou a importância de ampliar a divulgação desta ação, principalmente nos locais mais críticos. Já a vereadora Maria Cândida Costa (PDT) sugeriu uma ação nas redes sociais. O presidente da Câmara Municipal, Antônio Aparecido da Silva, o Titi (PSDB), também destacou a necessidade de uma grande divulgação para que as pessoas se conscientizem que a esmola não é a solução para este tipo de problema.

Autoridades buscam alternativa para crianças e adolescentes que vendem balas nas ruas

Além dos moradores de rua, as crianças e adolescentes que vendem balas no farol e em estabelecimentos comerciais da região central de São João da Boa Vista têm chamado a atenção das autoridades locais.
Conforme apurado pela reportagem do jornal O MUNICIPIO, o Conselho Tutelar, juntamente com o Departamento de Assistência Social, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e a Associação Comercial e Empresarial (ACE) estão elaborando um projeto, onde será ofertado um curso para as crianças e com transferência de rendas para estas.

De acordo com o Departamento de Assistência Social, essas crianças estão nas escolas, mas querem ganhar um dinheiro e vão para a rua, onde ficam suscetíveis a abusos, assédios, violências e outros tipos de violação de seus direitos. Diante disso, está sendo criado um programa para atendê-las e uma campanha educativa para que as pessoas se conscientizem que a rua não é lugar para estes jovens estarem.

O PROJETO
Segundo a diretora Eliane Buciman de Lima Rossi, as crianças que estiverem neste projeto receberão uma preparação para que, ao alcançarem a idade de 15 a 16 anos, sejam absorvidas pelo mercado de trabalho. “A criança vai poder trabalhar sim, mas não nas ruas, onde corre o risco de assédios”, disse, durante sua apresentação na Câmara Municipal.

Este projeto ainda está sendo elaborado e, após sua conclusão, será enviado para análise e votação na Casa Legislativa. A proposta chamou a atenção da vereadora Maria Cândida Costa (PDT), a qual frisou a importância do esporte, que pode ser usado como ferramenta de reinserção dos jovens que foram atendidos pela ação. Já Patrícia Magalhães (PSDB) elogiou a iniciativa e relatou que já viu adultos monitorando tais crianças nas ruas.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here