Avanço da dengue é debatido na Câmara

Reunião: Marcelo Menato e Heloísa Trafani comentaram sobre as ações de combate a doença (Divulgação/Câmara Municipal)

A epidemia de dengue que atinge São João da Boa Vista tornou a ser debatida na Câmara Municipal. Durante a sessão ordinária de segunda-feira (2), a diretora Heloísa Aparecida Bernardi Trafani, titular do Departamento de Saúde, e o chefe do setor de Vigilância Ambiental, Marcelo Donizetti Dearo Menato, estiveram na reunião explicando as ações realizadas para combater o avanço da doença na cidade.

De acordo com a diretora, o Departamento de Saúde faz um acompanhamento de todos os casos de dengue registrados no município e as pessoas suspeitas de estarem infectadas são submetidas a dois tipos de exames – o IgG e IgM –, os quais levam até sete dias para ficarem prontos. Além disso, quando o paciente já manifesta os sintomas, o diagnóstico pode ser obtido no mesmo dia por meio do exame de hemograma e pela taxa de plaquetas.

Na ocasião, ela ainda destacou as ações que estão sendo realizadas pela prefeitura aos finais de semana e também o concurso que, recentemente foi aberto, visando a contratação de novos agentes para aumentar a equipe do Departamento de Saúde.

QUESTIONAMENTOS
Durante a sessão, o vereador Vick Nholla (PSD) citou sua preocupação com a epidemia e indagou se houve falha da administração municipal, para que a dengue avançasse dessa forma no município. “Se houve erro, aonde falhou a prefeitura em não ter essa preocupação?”, perguntou.

Na ocasião, Heloísa destacou que não houve falha, pois essas ações de combate à doença foram feitas em todo o período no ano passado. “O que ocorre é que a dengue não está só em São João da Boa Vista. Está pelo Brasil todo. O que não faltou foram ações”, disse. “O que acontece é que as pessoas, às vezes, descuidam. Por mais cuidado que se tenha com a casa, sempre fica uma coisa que o morador deixa de prestar atenção, como um vaso de planta ou algo amontoado no quintal”, relatou a diretora. “E lá atrás já estávamos sinalizando que teríamos uma epidemia”, completou.

Em meio à reunião, ela comentou que São João da Boa Vista já enfrentou uma epidemia maior. “Eu considero, em relação a 2015, quando nós chegamos a 6.360 casos, que a gente está sob controle”, declarou, argumentando ainda que, por mais que a prefeitura faça ações de combate, as pessoas também precisam tomar consciência da gravidade da dengue.

Vick ainda relatou um problema que tem ocorrido na região do aeroporto, onde os moradores relatam que os agentes têm tido dificuldade para fiscalizar algumas chácaras que se encontram fechadas. Ao comentar sobre esta dificuldade, Marcelo explicou as questões legais que impedem o acesso a imóveis, porém, destacou que a lei municipal permite ações mais enérgicas em caso de epidemia e até mesmo a aplicação de multas em caso de risco iminente no local averiguado. “Se a gente identificar um local com alto risco, a prefeitura também pode fazer uma ação mais enérgica neste imóvel”.

NEBULIZAÇÃO 
Durante o debate, Claudinei Damálio (PTB) questionou a necessidade de nebulização nos locais em que há foco de dengue. Ao explicar sobre este assunto, Marcelo relatou o motivo disso ainda não ter sido feito na cidade. “O Governo do Estado, que fornece o insumo para fazermos a nebulização, fez uma compra muito grande, esperando que tivéssemos uma epidemia em 2016 e 2017. Mas isso não ocorreu. Quando essa epidemia veio, em 2019, esse lote de insumo estava vencido”, comentou.

Devido a isso, o departamento não pôde aplicar o inseticida e a expectativa é que a distribuição seja retomada a partir deste mês ou em abril. Contudo, o chefe do setor de Vigilância Ambiental destaca que a forma mais eficaz de combater o avanço da dengue é acabando com os criadouros do mosquito transmissor. “Vamos supor que conseguíssemos eliminar de fato todos os criadouros da cidade. Com o passar de 30 dias, não teríamos mais nenhum mosquito. Mesmo se houvesse algum doente na cidade, não ocorreria a transmissão. Agora vamos supor o contrário: se eu pegasse este veneno, jogasse na cidade inteirinha e matasse todos os mosquitos. Daqui uma hora, este veneno parou de fazer efeito e já voltaríamos a ter mosquito. Neste caso, se houver algum doente, haverá transmissão. Não é o veneno que vai resolver a dengue. O que vai resolver é não ter criadouro”, exemplificou.

Ainda durante a discussão, João Moretto (DEM) falou a respeito da importância da limpeza das calhas. Já Luís Carlos Domiciano, o Bira (PL), cobrou uma resposta da administração municipal sobre o anteprojeto de lei de sua autoria, o qual propõe a possibilidade da prefeitura fazer a limpeza dos locais com criadouros e cobrar dos proprietários.

DRONES
O vereador Gérson Araújo (MDB) também participou do debate e falou sobre sua proposta, que visa adquirir drones para auxiliar na fiscalização dos imóveis fechados ou abandonados, conforme já ocorre em Aguaí. Em resposta, Heloísa relatou que o departamento já pensou nesta possibilidade e até tem agendado para a próxima semana uma reunião para tratar sobre este tipo de trabalho.

ATENDIMENTO
Ao final da reunião, José Eduardo dos Reis (PSB) cobrou uma postura mais ágil da prefeitura. “Se tivemos problema nos anos anteriores, o município deveria ter se preparado. Mais uma vez esperamos e mais uma vez estamos com uma epidemia. E quem sofre é a população e o sistema de saúde”, disse.

O edil questionou a logística do tratamento da dengue e citou um exemplo ocorrido recentemente na Unidade de Pronto Atendimento. Um pai foi com uma criança suspeita de dengue na UPA e ficou até às 17h esperando o exame. O exame não ficou pronto. Perdeu o exame. Teve que recoletar e ir para a Santa Casa. O pai teve que voltar à meia-noite para buscar o resultado. Não temos logística!”, relatou. “A UPA não é pra trocar exame, é pra atender urgência e emergência. Só que o próprio sistema de saúde está ‘inchando’ a UPA”, argumentou, cobrando ainda o melhoramento do sistema para pedir exames utilizado pelos médicos para agilizar o atendimento.

Diante das queixas, Heloísa se colocou à disposição e pediu para que o vereador fosse até o Departamento de Saúde para tratar dos problemas e buscarem, juntos, uma solução.

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