
São João da Boa Vista registrou 302 casos confirmados de dengue na última quarta-feira (26), segundo dados divulgados pelo setor de Vigilância Epidemiológica, órgão subordinado ao Departamento Municipal de Saúde.
Em situação de epidemia decretada desde a sexta-feira (21), após o registro de 282 ocorrências confirmadas, o percentual de diagnósticos, durante o período de Carnaval, foi de 7% ante o penúltimo boletim.
Agora, a cidade tem 730 casos notificados, com total de 302 confirmados, sendo 282 autóctones – quando a doença é contraída na cidade – e 20 importados – oriundos de outros municípios. Ainda há 293 pessoas aguardando resultados. Outras 135 deram resultado negativo.
No dia 21, diante da situação crítica, o prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (MDB) reuniu diretores municipais e profissionais do setor de Vigilância Epidemiológica e Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) para a definição de estratégias mais rígidas de combate à doença.
Uma das ações, com respaldo da Lei 3.798, envolve a aplicação de multas para locais em que forem encontradas larvas do mosquito Aedes aegypti. A penalização é uma forma de fazer com que donos de imóveis, locatários ou responsáveis mantenham suas áreas (edificadas ou não) devidamente limpas.
Sendo assim, moradores que impedirem a entrada de agentes de Vigilância Ambiental e agentes Comunitários de Saúde para serviços de inspeção, verificação, orientação e autuados e depois multados.
Os infratores autuados serão multados e terão um prazo máximo de 10 dias para regularizar a situação.
Persistindo a irregularidade, a multa poderá ser aplicada em dobro. Em se tratando de estabelecimentos comerciais, além de multas e apreensão de materiais, o proprietário poderá ter a licença de funcionamento cancelada e o prédio interditado para atividades.
Os valores de multas estipulados por lei, com aplicação realizada por fiscais da Prefeitura, dependem da classificação do grau de risco.
Segundo a enfermeira Ludimila Borato Barros Zan, chefe do setor de Vigilância Epidemiológica, o Aedes tem se proliferado de maneira preocupante e, no Brasil, circulam quatro tipos de vírus: Denv-1, Denv-2, Denv-3 e Denv-4.
Em São João, este ano, a dengue tipo 2 tem sido a principal preocupação das autoridades de saúde, em razão da agressividade do vírus.
“Ao ser infectado, o paciente obtém imunidade contra o sorotipo pelo qual foi infectado, mas permanece suscetível aos demais. As complicações ocorrem, geralmente, quando a pessoa é exposta a um segundo sorotipo do vírus, o que pode levar à dengue severa, anteriormente chamada de dengue hemorrágica ou dengue com complicações. Apesar de os sorotipos 2 e 3 serem considerados os mais agressivos, qualquer reinfecção por dengue pode acarretar um quadro mais grave”, explicou Ludimila.
ÚLTIMA EPIDEMIA
A última epidemia de dengue em São João ocorreu em 2015, quando mais de 5.000 pessoas foram diagnosticadas com o tipo 1 da doença. Este ano, com o vírus 2 circulando, a população toda a população fica suscetível.
“[Com isso] as pessoas que já tiveram dengue poderão contrair a doença pela segunda vez, o que por si só aumenta o risco de complicações. Por se tratar de um sorotipo mais agressivo, a chance até mesmo de óbito é maior”, afirmou Ludimila.




