
Deflagrada em dezembro em Wuhan, na China, a epidemia afetou mais de 78 mil pessoas naquele país, das quais mais de 2.700 morreram. Um mês após a quarentena de Wuhan e de sua região, porém, o número de mortes diárias na China caiu consideravelmente para menos de 30, bem abaixo dos cerca de 100 óbitos já registrados no meio do mês.
Da China, o vírus se espalhou para outros países, entre eles o Brasil. O país já registra 252 casos suspeitos de coronavírus, de acordo com balanço do Ministério da Saúde divulgado neste domingo (1º). O número representa um salto enorme em relação quarta-feira (26), quando havia 20 casos.
Não foi registrado nenhum novo caso confirmado da doença, além dos dois já conhecidos. O levantamento aponta ainda que outras 89 suspeitas foram descartadas desde o início do monitoramento.
Os 45 novos casos suspeitos são em São Paulo, que passou de 91 para 136. A quantidade de casos descartados no estado subiu de 38 para 48.
CASOS NO BRASIL
O primeiro caso foi confirmado na quarta-feira (26/2) – (Confira no G1). Trata-se de um homem de 61 anos, que está em quarentena domiciliar e passa bem.
Ele estava assintomático e, alguns dias depois de chegar de viagem ao Brasil, procurou um serviço de saúde com sintomas respiratórios. Antes, ele havia participado de uma reunião familiar, o que levou o Ministério da Saúde a colocar 30 pessoas que tiveram contato com ele em observação.
O segundo foi confirmado no sábado (29/2): um homem de 32 anos que também esteve na Itália.
Segundo o Ministério da Saúde, o paciente sentiu os sintomas no mesmo dia do retorno ao Brasil: ele relatou febre, tosse, dor de garganta, dor muscular e dor de cabeça. De acordo com as autoridades brasileiras, o homem vestiu máscara durante todo o voo de volta a São Paulo.
Ele está em casa e passa bem. Ele e a mulher — que não apresenta sintomas — estão em isolamento domiciliar, por precaução.
O vírus que causa a doença ganhou o nome de Covid-19 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Na sexta-feira (28), o órgão elevou o grau de risco da epidemia do novo coronavírus para “muito alto”.
A Itália é outro local afetado pelo Covid-19 e hoje é o país europeu com maior número de casos, com mais de 400 infectados e 12 mortes, sendo que todos os mortos eram pessoas idosas, que apresentavam quadros clínicos já muito comprometidos por outras doenças.
OPINIÃO
Diante do medo que o vírus tem espalhado pelo mundo e, nos últimos dias, no Brasil, a reportagem do O MUNICIPIO conversou com a médica sanitarista sanjoanense Marta Salomão, uma das mais experientes e respeitadas profissionais de saúde pública do Brasil.
Questionada se a confirmação de casos da doença no Brasil é motivo para pânico, a médica afirma que não. “Não é motivo de pânico, mas é preciso reforçar a orientação da população quanto aos cuidados básicos para prevenir o contágio e sintomas. A maioria dos pacientes evolui bem com essa gripe, mas pessoas debilitadas podem ter a doença agravada, com necessidade de internação e risco de morte”, afirmou.
Sobre a qualidade da saúde pública no Brasil e se o País está preparado para lidar com um possível surto da doença, Marta garante que o Brasil tem uma rede de laboratórios de saúde pública que tem condições de realizar os exames necessários para o diagnóstico, destacando o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.
“Cabe ressaltar que depois dos casos confirmados, se houver grande número de doentes, chegará um momento em que bastará o diagnóstico clínico”, explicou.
Apesar da boa estrutura da saúde pública, a médica prevê que o Brasil, assim como outros países, terá dificuldades para conter a expansão do número de doentes. “O vírus tem alta infectividade, isto é, tem poder de espalhar rápido. E ainda bem que a maioria dos doentes não é grave”.
PREVENÇÃO
Marta Salomão destaca que, neste momento, o mais importante é atuar na prevenção. E para prevenir doenças respiratórias, como é o coronavírus, algumas atitudes importantes são lavar as mãos com água e sabão, evitar contato com pessoas doentes, não compartilhar objetos de uso pessoal, como copos e talheres, cobrir a boca ao espirrar, tossir e evitar passar as mãos em olhos, nariz e boca.
Ou seja, a prevenção da transmissão do novo coronavírus deve ser feita, principalmente, pela higienização das mãos e de superfícies que possam estar contaminadas.
De acordo com Rosana Richtmann, infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, e membro da sociedade Brasileira de Infectologia, é recomendável portar álcool 70 para limpar prontamente as mãos, antes de encostar em áreas como olhos, nariz e boca.
“Como a contaminação se dá através de gotículas (que saem da pessoa infectada por meio de tosse, espirro e fala), o vírus pode estar em qualquer superfície: em maçanetas, mesas, bancadas. Você pode tocar nessas superfícies, contaminar a mão, e depois tocar rosto, boca e olhos, que são portas abertas para o vírus entrar no organismo”, explicou Richtmann.
Segundo a infectologista, a higienização pode ser feita com água e sabão ou álcool gel, mas nunca apenas com água.
Além das mãos, também é recomendável limpar com desinfetantes superfícies que possam estar infectadas e manter-se a uma distância mínima de um metro de pessoas que estejam espirrando ou tossindo.
Outra dica importante para a prevenção vem da infectologista Ho Yeh Li, da Faculdade de Medicina da USP, que recomenda algumas mudanças de hábito. “Sempre que há circulação de vírus respiratório, precisamos parar de cumprimentar com ‘beijinhos’ no rosto”, afirmou.
Ao espirrar, diz, é recomendável colocar o antebraço ou um lenço na frente do nariz e boca. Além disso, é preciso entender que ir ao trabalho com sintomas de gripe implica expor potencialmente outras pessoas à doença, segundo a especialista.



