Obra da prefeitura causa polêmica no Parque dos Resedás

Travessia: trecho passa por área de preservação e é bastante utilizado pelos moradores (Divulgação/Prefeitura de São João)

A criação de uma travessia entre os Parques dos Resedás 1 e 2 tem sido questionada. Executada pela prefeitura, a obra objetiva oferecer maior segurança neste trecho, que até então era uma trilha de terra batida bastante utilizada pelos pais que levam seus filhos para a Escola Municipal ‘Antonio dos Santos Cabral’ e para a creche ‘Terezinha Domenicheli Rossi’. Ao todo são 800 crianças frequentando as unidades de ensino – 650 alunos na escola e mais 150 na creche, conforme dados do Departamento de Educação.
A concretagem do local teve início na sexta-feira (7) e foi tema de polêmica nas redes sociais.

Muitos moradores das imediações elogiaram a medida, destacando que trará mais segurança e facilitará o acesso à escola e à creche. “Aqui muitas mães usam esse caminho para facilitar e até mesmo conseguir ir trabalhar sem se atrasar para o serviço, pois dar a volta [por outro trecho] é muito longe e carregar crianças no colo não dá, já que têm mães que possuem mais de um filho”, publicou uma internauta, em um post sobre o tema.

QUESTIONAMENTOS
Em contato com O MUNICIPIO, um leitor relatou que a obra estaria sendo realizada em uma área de preservação e que há outros trajetos seguros que os moradores locais podem percorrer para levar seus filhos à unidade de ensino, como a avenida Santo Pelózio – asfaltada recentemente –, bem como toda a volta da área – de aproximadamente 500 metros – que também é toda asfaltada e iluminada.

Segundo o leitor, ainda há uma canalização de esgoto que fica exatamente embaixo do trilho que está sendo concretado e que corta a área de preservação. “Essa canalização tem respiros que saem em bocas de concreto, exatamente no meio do trilho que estão concretando e, frequentemente, vaza esgoto em toda a área. E, pelo que se sabe, é uma obra irregular da Sabesp”, afirmou. “Além disso, ao lado do trilho existe uma nascente que é protegida pela área original, há bem menos dos 25 metros de proteção exigidos por lei”, completou o denunciante.

SEGURANÇA
Outro ponto indagado pelo leitor é em relação à segurança no trânsito e o risco de acidentes ocorrerem no local, assim que a obra for concluída. “Além da avenida Santo Pelózio, existe um contorno todo asfaltado que possibilita que as pessoas deem a volta na área e saiam na escola e na creche sem prejuízo algum às crianças. O trilho também é usado por motos, bicicletas e até carros, que, com a concretagem, irão poder ter a velocidade aumentada e, por certo, irão gerar acidentes”, alertou.

“Não é possível abrir uma rua segura no local, por ser de preservação e por questões de engenharia. É uma barragem de um antigo açude e tem mais de cinco metros de altura em alguns pontos. Isso vai colocar em risco as crianças, que podem cair dali, além de forçá-las a passar entre cobras e outros animais que frequentemente cruzam o trilho. Não é possível impedir que carros e motos usem a passagem, o que pode provocar transtornos de toda ordem”, disse o leitor, destacando ainda que não será possível iluminar a passagem, o que poderá gerar graves problemas de segurança.

De acordo com o denunciante, a descaracterização da área, facilitará ações como o descarte de lixo, incêndios e derrubada de vegetação, contribuindo para a proliferação de vetores da dengue e outras doenças, uma vez que também diminuirá o habitat de animais controladores da população de insetos e escorpiões, como sapos, rãs, gambás e outros.

SEGUINDO A LEI
Diante destes questionamentos, a Prefeitura de São João da Boa Vista informou que esta obra é uma reivindicação dos moradores do bairro e está sendo executada obedecendo às normas da Lei Federal nº 12.651/2012, popularmente conhecida como Novo Código Florestal.

De acordo com o Departamento de Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento, a legislação permite que em áreas de preservação permanente possam ser realizadas atividades de utilidade pública, de interesse social e de baixo impacto ambiental, dentre as quais se incluem abertura de vias para travessia de pessoas, obras de saneamento básico e iluminação.

Já com relação à segurança, a prefeitura informa que não será permitida a passagem de veículos e o local será de acesso somente para os pedestres.

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