
Moradores do DER e Vila Brasil estão preocupados com o aumento súbito dos casos de dengue em São João da Boa Vista e de pessoas diagnosticadas com a doença em algumas ruas da região. Nesta terça (4), o número de casos na cidade chegou a 117, ante os 87 diagnosticados até quinta (30). O salto foi de 30 ocorrências em cinco dias, média de seis por dia.
Agora, os residentes atribuem o crescimento das ocorrências nas imediações a um terreno, à rua Luís Lázaro Zamenhof — que abrigava a antiga Loja Padovan –, e também à falta de limpeza do Piscinão do Córrego do Bananal, que tem vários pontos com acúmulo de água – possíveis criadouros para larvas do mosquito Aedes aegypti.
Entre as testemunhas ouvidas pela reportagem e que residem à rua Professor José Nogueira de Barros, no DER, paralela ao terreno citado, a moradora e caixa Gisele Hristov, 37, é uma das sanjoanenses diagnosticadas com dengue e que disse que ao menos 11 pessoas já contraíram a doença no endereço. Para ela, o estopim do problema seria o espaço, hoje abandonado, além do piscinão.
“Soube que estava com dengue na sexta-feira (31). Trabalhei de sexta retrasada (24) até na terça (28), com dores terríveis pelo corpo e na cabeça, náusea e sem conseguir me alimentar. Na quarta, minha mão inchou que não saía nem a aliança. Elas ficaram avermelhadas e então fui à UPA [Unidade de Pronto Atendimento]. Fiz exame de sangue, que apontou que as plaquetas estavam bem baixas”, disse.
Gisele afirma que contraiu a doença no local, pois cerca de uma semana antes, o marido dela, o mecânico Leandro Garibaldi, 38, também foi diagnosticado com a doença.
“Ele melhorou e eu fiquei ruim. E com ele foi muito pior, pois chegou a ficar de cama por uma semana. E foi a segunda vez que ele contraiu; a primeira vez foi há três anos”, contou.

FOCO DO PROBLEMA
Gisele diz que o foco estaria no terreno baldio, que ao lado abrigava a antiga Loja Padovan. O espaço – abandonado – fica na parte de trás dos imóveis da rua em que ela mora. “O problema vem desse terreno e do piscinão. Quando a Vigilância Sanitária vem, eles entram em todas as casas, mas não acessam o local”, garantiu.
A reportagem foi ao terreno e constatou que há pelo menos três carcaças de caminhão, uma delas com uma caçamba que pode acumular água da chuva e tornar-se um criadouro do mosquito Aedes.
Ainda há muito mato, ao menos dois pequenos imóveis arruinados – um deles com parte do teto caído – e que servem de abrigo para andarilhos e usuários de drogas. Inclusive, quando a reportagem acessou o espaço, um casal de andarilhos deixou um dos cômodos e o homem alegou que a área teria sido adquirida pelo proprietário de um depósito de gás localizado à rua Santa Maria, na Vila Brasil.
Por telefone, a equipe do O MUNICIPIO contatou o estabelecimento citado para falar com o possível comprador, que não foi encontrado. Todavia, um dos funcionários garantiu que existe um processo de negociação para aquisição da área, mas que ainda há uma “pendência judicial”. Não foi informado a quem pertenceria o terreno.

PISCINÃO
O piscinão da Vila Brasil também é um dos alvos e que os residentes dos arredores acreditam ser um dos possíveis criadouros do mosquito transmissor da dengue. O não recolhimento da vegetação quando há corte da grama às margens do espaço e o amontoamento de areia no leito do córrego interno – criando bolsões de água da chuva – é uma das principais reclamações, sem contar o mau cheiro no final das tardes.
“Há pouco tempo, quando fizeram o calçamento para a pista de caminhada, estava tudo muito limpo. Por volta de 100 pessoas caminhavam por aqui. Ontem [segunda-feira (3)], se havia dez pessoas era muito. Porque estão com medo. Duas moradoras daqui que estão com dengue garantem que foram contaminadas aqui”, disse a cabeleireira Lucimara Todero Nora, 55, proprietária de um salão ao lado do piscinão.
VIGILÂNCIA
A Vigilância Epidemiológica informou que casos confirmados de dengue próximos ao piscinão situam-se nas Vilas Brasil e Fleming, Jardins Progresso, São Marcos e Recreio. “O Serviço de Controle de Vetores visita as residências dos casos confirmados e nas casas dos quarteirões adjacentes, buscando eliminar os criadouros, orientar a população e fazendo busca ativa de sintomáticos, visando conter a transmissão da doença”.
Apesar de toda a informação oferecida à população, o Setor aponta que criadouros das larvas do mosquito transmissor são encontrados dentro das casas, em vasos de plantas e materiais deixados ao relento, que estão acumulando água de chuva nos quintais.
“Em decorrência dessa situação, o que se observa é a proliferação do Aedes aegypti pela quantidade de criadouros disponíveis nos imóveis, e não diretamente ligados à água no piscinão”, finalizou. Também está programado para sábado (8) um mutirão de limpeza no piscinão.




