Arquiteta fala sobre projeto de restauração do Theatro Municipal

Na restauração: Ana Laura (destaque) integrou equipe (Fotos: Arquivo Pessoal)

A arquiteta e urbanista Ana Laura Barcellos do Amaral Zenun, integrante da equipe que elaborou o projeto de restauração e reciclagem do Theatro Municipal, sendo responsável técnica pela execução de 1986 a 2016, aborda sobre a melhoria no espaço e que o olhar para o patrimônio deve ter outro significado.

“Na verdade o projeto foi concebido nos anos 80. Terminamos o projeto em 1986. Já estavam previstos todos os procedimentos. O que dificultou foi a falta de recursos, que nos fez fazer as licitações todas por partes, conforme a entrada de recursos”, recorda.

E acrescenta que o piso era em módulos. “O que foi proposto era diminuir a boca de cena, que sempre foi desproporcional, e ter espaço acima que pudesse alojar cenários, que subiriam ou desceriam conforme a cena. Mas o telhado era fixo”, comenta.

Ana Laura confessa acreditar que a equipe conseguiu ‘devolver’ o Theatro à cidade, muito melhor do que era quando foi inaugurado. “Nosso sonho era fazê-lo dentro dos padrões atuais, em termos de técnica e tecnologia. Mas sempre houve muitos obstáculos para conseguir recursos, pois nosso país tem muitas outras prioridades e cultura acaba ficando em segundo plano. Nosso projeto era realista, de modo que pudesse ser complementado aos poucos, conforme a entrada de recursos. O projeto prevê o máximo de varas de luz, de cenários, etc. que caberiam neste palco. Muitos espetáculos são feitos sem usar todo o potencial. E ainda há a possibilidade de alugar equipamentos para um espetáculo em especial. Cada equipamento tem um custo, mas ficam obsoletos rapidamente. Então acho que fizemos a melhor escolha. Equipamentos suficientes para o dia a dia e possibilidades de locação para eventos específicos”, observa.

Quanto ao fosso junto ao palco, sugerido pelo produtor da ópera Madama Butterfly, na última Semana Guiomar Novaes, a arquiteta ressalta que o projeto já o prevê.
“Mas, como o palco foi modificado, tornando-se fixo e não em módulos, o fosso está coberto pelo piso fixo do palco. Foram deixadas as roscas sem fim, que sustentariam o elevador de orquestra, que seria o piso do fosso. É só fazer um piso ou adquirir o elevador de orquestra e retirar o prolongamento do palco, que está tampando o fosso”, finaliza.

O THEATRO
O Theatro Municipal sanjoanense foi oficialmente inaugurado em 31 de outubro de 1914, como O MUNICIPIO trouxe na última edição.

A iniciativa de construir em São João, uma casa de espetáculos, que também servisse como cinema e salão de baile, foi proposta inicialmente na sessão da Câmara Municipal de 15 de setembro de 1911, pelo vereador Joaquim Lourenço de Oliveira Andrade – e quem construísse um Theatro na cidade ficaria, por dez anos, isento de impostos.

A ideia foi aprovada pela Câmara de Vereadores, em 15 de abril de 1912, quando entrou em cena o major José Evangelista de Almeida, gerente da Casa Bancária, que passou a buscar capital em forma de ações, assim como o empréstimo em debêntures para a construção do Theatro.

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