Câmara propõe criar pontos para coleta de recicláveis

Ecoponto: equipamento é utilizado em diversas cidades do Brasil para incentivar reciclagem (Reprodução)

Em busca de criar na cidade mais uma solução para o lixo, o vereador Sebastião Neris (PV) idealizou anteprojeto de lei que visa a construção de ecopontos em São João da Boa Vista. A proposta foi apresentada durante a sessão da Câmara Municipal, na noite desta segunda-feira (21), e encaminhada à Prefeitura de São João. Caso aceita pela administração municipal, a sugestão passará a valer como lei e os pontos de coleta serão construídos pelo setor público.

Durante explanação na Tribuna do Legislativo, Neris destacou o descarte de lixo feito de maneira irregular em alguns terrenos da cidade e salientou que os ecopontos irão contribuir para que todo tipo de dejeto (plástico, alumínio, construção civil, entre outros) seja melhor aproveitado após a utilização.

“Como vereadores, temos que pensar em ações para o futuro. O problema do lixo é atual, mas precisamos dar um passo visando o bem das gerações futuras. Por isso, idealizei este projeto e espero que seja acatado pelo prefeito [Vanderlei Borges de Carvalho]. A implantação de ecopontos irá contribuir para darmos o destino correto ao lixo gerado na cidade”, disse.

REALIDADE DE SÃO JOÃO
De acordo com a prefeitura, São João produz quase 100 toneladas de lixo por dia e esses resíduos são, diariamente, coletados pelos serviços especializados contratados e disponibilizados pela prefeitura (caminhões de lixo e coleta seletiva).

O número vai ao encontro com a quantidade gerada, em média, por cada brasileiro e evidencia que o município possui em torno de 100 mil habitantes. Estima-se que cada brasileiro gere, em média, 383 quilos de lixo ao longo do ano, o que é equivalente à produção de 1,04 quilo de resíduos por dia.

Por não possuir uma usina que transforme o lixo em materiais que possam ser reutilizados e, até mesmo, gerar economia para a cidade, atualmente, São João gasta R$ 4 milhões por ano para que os resíduos recolhidos na cidade sejam levados para Guatapará e Tapiratiba.

URE NOVA SÃO JOÃO
Outra situação que contribuirá com o melhor destino do lixo em São João da Boa Vista é a construção de uma usina na cidade. Desde o ano passado, o grupo Mitima, formado por empreendedores brasileiros e italianos com empresas parceiras da Escócia, Canadá e da Itália, planeja uma usina de recuperação de energia no município. A empresa prevê começar as obras de implantação ainda dentro do calendário 2019.

A Usina de Recuperação de Energia (URE) Nova São João – como foi denominado o empreendimento -, que prevê investimento R$ 120 milhões na planta sanjoanense, transforma o lixo em energia e será, segundo os responsáveis, a primeira usina do Brasil a realizar este processo.

A usina terá capacidade para tratar 150 toneladas de lixo urbano por dia e vai gerar cerca de 5MW/h de energia elétrica. O grupo internacional tem planos ambiciosos: pretende implantar 200 usinas no Brasil, sendo a sede nacional da Mitima em São João da Boa Vista.

Além de atender São João da Boa Vista, que deixará de enviar resíduos para outras localidades, a usina também irá abranger, segundo os empresários, cidades da região em um raio de 30 quilômetros, onde esses municípios vizinhos poderão reduzir o valor do destino do lixo e acabarão com os transbordos, gerando benefícios ao meio ambiente, à saúde da população dessas cidades e, principalmente, dando um fim correto ao lixo.

Simão Pedro contribuiu com melhorias para o lixo na capital

Entre 2013 e 2016, o ex-deputado estadual Simão Pedro, que já foi professor universitário em São João da Boa Vista, exerceu a função de secretário de Serviços da Prefeitura de São Paulo, durante a gestão de Fernando Haddad (PT). Nos quatro anos em que esteve à frente da pasta, dentre outros projetos, focou esforços para contribuir com o meio ambiente, implementando ações voltadas à coleta de lixo e à reciclagem.

Um dos projetos criados por ele para o setor foi o de expansão de número de ecopontos. Em seu livro, intitulado ‘Inovação nos serviços públicos na cidade de São Paulo’, Simão destaca que a capital paulista possuía apenas 51 ecopontos instalados e, ao final do mandato, 58 foram construídos, totalizando 109.

Esta medida foi adotada, assim como também explica no livro, em sincronia com outros projetos implantados durante a gestão, como os de coleta seletiva em todos os pontos da capital paulista, cursos de educação ambiental, compostagem doméstica, sacolas de bio-plástico, reorganização administrativa da limpeza urbana, entre outros.

“Cuidar da zeladoria e da coleta, logística e disposição final de 20 mil toneladas de resíduos sólidos diariamente por si só são desafios muito grandes. Mas a [nossa] gestão investiu no planejamento de curto, médio e longo prazo, com ênfase em implantar novas tecnologias na ampliação da coleta seletiva e reciclagem. Priorizou a participação da população e de vários outros atores sociais, e valorizou os garis e catadores. Entre 2013 e 2016 São Paulo pulou do histórico 1% de reciclagem para 6%, deixando de levar para os aterros milhares de toneladas diariamente”, pontuou Simão Pedro no livro.

Simão Pedro: ex-deputado foi secretário de Serviços na capital (Reprodução)
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