Projeto Fênix revela luta para recuperar dependentes

Projeto Fênix: coordenador da entidade falou sobre as dificuldades na recuperação (Reinaldo Benedetti/O MUNICIPIO)

O coordenador do Projeto Fênix, o psicólogo Marcel Domingos, conta que a recuperação de dependentes químicos não é fácil e que envolve uma série de fatores.

Uma dificuldade, conta ele, é a negação do usuário de que ele é doente. “Isso é um grande obstáculo, um mecanismo difícil de quebrar”.

E as notícias não são boas. Segundo Marcel, a dependência está aumentando e não escolhe idade. “A droga tem pego todo mundo. Idosos que beberam moderadamente uma vida toda, se aposentam, começam a exagerar e se tornar dependentes. E depois disso vão para outras drogas. Temos tido aumento nessa faixa etária também”.

Mas, outro dado narrado pelo psicólogo chama ainda mais atenção: 70% das dependências começam dentro de casa e na primeira infância. “Aquele golinho de bebida para a criança experimentar, acender o cigarro do pai. E isso traz reflexos para o resto da vida”, garante.

ÁLCOOL
O álcool, diz Marcel, é um dos problemas mais graves e que ainda não foi combatido com políticas públicas adequadas. “No caso do tabaco, por exemplo, as políticas públicas foram certeiras e diminuiu muito. Mas, com o álcool não conseguem fazer”, denuncia.

O psicólogo explica que existe uma linha bem tênue de quem é dependente e de quem não é quando o assunto é o álcool. “É uma roleta russa. Ninguém sabe se vai ser dependente ou não. Não conseguir ficar em uma ou duas cervejas ou doses é um sinal complicado. Usou a primeira e não consegue mais parar. O álcool é um perigo e quem apresenta sinais de obsessão é dependente. Por exemplo, já sai sempre pensando em beber e não consegue mais ir sem ter bebida”, detalha e pede atenção dos pais neste tipo de comportamento.

MACONHA
No momento em que existe uma corrente forte no mundo todo para legalizar o uso da maconha, o coordenador do Fênix afirma que a droga não tem nada de inofensiva. “A corrente que defende o uso não está ligada a cientistas, ao CRM, a Associação Brasileira de Psiquiatria. Todos esses são contras. Existe um lobby econômico e ideológico sobre isso”.

Marcel revela que na maconha existem mais de 400 substâncias químicas e só o canabidiol está sendo testado como remédio. “O restante é só mal, muito perigoso. Nos Estados Unidos um órgão analisa o impacto da maconha na adolescência. Das 23 mil pessoas estudadas, 37% tiveram casos de depressão na adolescência e 50% comportamento suicida”, alerta e garante que a maconha é a droga que mais desenvolve doenças psiquiátricas.

No Projeto Fênix, dos atuais 20 internos, 17 são dependentes de crack e começaram no álcool e depois maconha.

O PROJETO
O Projeto Fênix conta hoje com 20 acolhidos, mas poderia receber até 60 dependentes. “Tivemos um auge entre 2000 e 2010, quando conseguimos recuperar mais de 1.500 pessoas. Depois caiu um pouco. No final de 2014 deixaram de atender e no final de 2015 eu retornei com o trabalho”.

O ano de 2016 todo, conta Marcel, foi de reformas e restauração do espaço, com ajuda dos ex-dependentes. Agora com o ambiente todo reformado, o desafio é a falta de recursos. “Os que estão lá hoje é porque a família ajudou e os alimentos enviados pelas igrejas. E ainda temos cinco que não pagam nada”, conta.

O Projeto Fênix vive de doações e com os cerca de R$ 3.000 mensais enviados pela Estapar à entidade. Mas, cada dependente em tratamento custa R$ 900 por mês.
Por isso, Marcel convida a população a ir conhecer o projeto, que tem portas abertas, para que possam entender a luta contra a dependência quem sabe se tornarem colaboradores.

Interessados ainda podem participar das reuniões que ocorrem de 15 em 15 dias, aos sábados, das 20h às 22h, na Rua Antonio Macedo, nº 3, no Jardim Guanabara. Estes encontros servem para orientar familiares de dependentes.
Informações podem ser obtidas pelo (19) 99727-9450.

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