Guiomar Novaes se firma como grande pianista

Em destaque: talento de Guiomar logo virou notícia (Daniela Prado/O MUNICIPIO)

Na última edição de O MUNICIPIO, Guiomar Novaes havia conquistado o 1º lugar no Conservatório de Paris, sob elogios da banca examinadora, composta, entre outros nomes, pelo compositor Claude Debussy.

Depois disso, a jovem pianista continuou a conquistar toda a Europa, iniciando uma carreira “de proporções absolutamente gigantescas”, com repertório que incluía composições de Bach, Beethoven, Schumann, Lizt, Mendelsohn, Rubistein e, claro, Chopin.

Em 1º de maio de 1912, no Thèatre Chatelet, com mais de 3000 pessoas (lotado), Guiomar tocou para a Princesa Isabel, que a aplaudiu repetidas vezes e disputou lugar na fila para cumprimentá-la.

“Seu poder de interpretação é completamente anormal”, dizia uma publicação do The London Dayle Telegraph, datada de 21 de maio de 1912.

A partir de então, se sucederam 4 anos de turnês europeias até que Guiomar, com saudades da sua terra e de familiares, resolveu retornar ao Brasil.

Entrevistada por Monteiro Lobato, logo após seu primeiro recital em solo brasileiro (no Teatro Municipal de São Paulo, em 15 de setembro de 1913), a jovem exclamou, referindo-se à diferença entre as culturas: ”Que sossego! Se chove, como agora, ninguém sai de casa; adia-se o concerto ou a visita e todos acham muito natural… não há obrigações forçadas de lá…”

Na verdade, a jovem recusara duas proposta milionárias para ficar com a família, descansar ou tocar em seu país para, só então, retornar à agitação das turnês internacionais.

Das muitas apresentações em teatros como o do Rio de Janeiro e de São Paulo, em sua última apresentação dessa sequência (no Municipal do Rio de Janeiro), em 29 de agosto de 1915, a Gazeta de Notícia, na edição de 31 de agosto, publicou: “Essa paulistinha deve possuir algum invisível condão de fascinação para assim fazer vibrar a alma carioca. Oh! Artista incomparável! Que a fortuna te acompanhe na tua viagem à América do Norte.”

Assim sendo, em setembro de 1915, Guiomar partiu para os Estados Unidos, desbravando outro continente e fazendo com que a América do Norte se curvasse à sua genialidade.

Ainda à bordo do navio que a levaria à Nova York, a jovem tocou a 3ª Balada, de Chopin, Gavota, de Glück-Brahms e 10ª Rapsódia Húngara, de Lizt e, antes da primeira apresentação ao público nova-iorquino, foi apresentada ao crítico musical Henry T. Fink, do New York Evening Post – este, quando ouviu da jovem que ela desejava fazer sucesso como pianista na América, sugeriu-lhe que deveria tocar músicas brasileiras nas reuniões sociais.

Contudo, bastou Fink ouvi-la tocar, para se penitenciar: “Ela tocou um Scherzo, de Chopin, e eu fiquei simplesmente estupefato. Santo Deus! Se Paderewski ou mesmo o próprio Chopin tivessem tocado, eu não ficaria mais dominado pelo encanto. Um gênio pianístico, caso alguma vez tenha existido algum.”

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