
São João da Boa Vista acompanha a realidade brasileira quando o assunto é o retorno de doenças até então consideradas praticamente extintas, em especial algumas DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis).
E uma delas preocupa demais os profissionais da área da saúde em razão do seu silêncio e das graves sequelas que pode deixar.
Trata-se da sífilis, uma doença transmitida na maioria das vezes por via sexual ou transplacentária quando a criança nasce e que tem retornado com força entre jovens, adultos e grávidas.
De acordo com o biomédico Roberto Dias Conceição Junior, do Laboratório Centermed, o número de casos na sua empresa aumentou significativamente nos últimos 15 anos. “Antes era muito difícil aparecer para nós um diagnóstico de sífilis. Agora é algo bem mais constante, um aumento em torno de 500%”, revela o profissional e demonstra que São João pode estar seguindo a média nacional, que foi um incremento no número de casos de cerca de 600% nos últimos 10 anos.
A DOENÇA
Roberto Dias Conceição Junior explica que a sífilis é causada por um agente chamado Treponema pallidum. E o que mais preocupa o biomédico é o fato do aumento de gestantes acometidas pela doença, o que geralmente faz com que a sífilis seja transmitida para a criança e podendo deixar graves sequelas neurológicas, problemas visuais, entre outros.
Por isso, Roberto Conceição aponta para a importância da realização do pré-natal e de todos os seus exames. “Isso é extremamente importante para que a criança nasça sem a contaminação de várias doenças, sendo a sífilis uma delas. A mãe sendo diagnosticada precocemente e tratada são grandes as chances da criança não ser contaminada no parto normal, na passagem pelo canal vaginal”, alertou.
SINTOMAS E FASES
O biomédico detalha que a sífilis é dividida em três fases: primária, secundária e terciária. Na primeira, após o contato com a bactéria, surge na genitália da pessoa, onde houve o contato, uma ferida com bastante pus. “Muitas vezes a pessoa não dá atenção e três a quatro dias depois a ferida acaba sumindo”, disse.
Depois de uns 30 dias, conta, aparecem ‘feridinhas’ pelo corpo todo, sendo essa a fase secundária. “E muitas vezes o próprio organismo combate e elimina essas feridas. Mas, o problema é que quando ela some ela entra numa fase de encubação, num período de latência que pode variar de poucos meses a 30 ou 40 anos. E é ai que alguém que teve uma infecção primária pela sífilis pode apresentar complicações neurológicas muito graves na fase terciária. Pode perder a memória, ter dificuldade para andar, pode ter paralisia, cegueira, depois de 30 anos que teve a doença”, alertou.
O tratamento para a sífilis, revela o biomédico, é com benzetacil e dura em torna de seis meses. “Depois o médico vai fazer um acompanhamento por algum tempo para ver se realmente ocorreu a cura. Por ser uma bactéria o tratamento é com antibiótico”.
CAUSAS DO AUMENTO
Questionado sobre o motivo do aumento do número de casos de sífilis e outras DSTs, Roberto tem a tese de que todas têm relação direta com o fim do medo do HIV. “Há 15 anos o medo do HIV fazia com que as pessoas usassem mais preservativo. Hoje, muitos abriram mão do preservativo e estão mais expostos. Com isso, no caso da sífilis a bactéria foi ficando mais resistente e dificultou muito o tratamento. E essa realidade está acontecendo no Brasil todo e São João não fica de fora”, garantiu.
Por Reinaldo Benedetti.




