Pioneirismo sanjoanense no futebol feminino é destaque

Rio de Janeiro: Sonia Bissoli representa as atletas de São João – (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

POR PEDRO SOUZA E LEIVINHA

Na reta final da 8ª Copa do Mundo de Futebol Feminino, na França, a modalidade ainda busca a autoafirmação no planeta em relação ao badalado universo masculino. O Brasil, ainda sem títulos nesta competição, está entre os países que buscam construir sua própria identidade, pois aqui as garotas que desejam seguir carreira esbarram na ausência de campeonatos mais organizados, no pouco envolvimento dos principais clubes e na falta de patrocínio. Apesar disso, revelamos Marta, a melhor de todos os tempos e a maior artilheira das Copas com 17 gols.

PIONEIRO
Há registros, no início do século XX, das primeiras partidas de futebol entre as mulheres no Brasil, mas sempre foram evidentes as dificuldades impostas a elas para a prática da modalidade. Durante o Estado Novo, período do governo Getúlio Vargas entre 1937 e 1945, foi instituído o Decreto-Lei 3.199 (em 1941), que proibia o futebol para o sexo feminino por incompatibilidade de suas condições fisiológicas. Felizmente foi extinto em 1979.

Em 1952, porém, driblando a Lei, o preconceito, o machismo, a forte influência religiosa e uma cidade elitizada como a São João da Boa Vista da época, um grupo de alunas do Colégio ‘Christiano Osório de Oliveira’, com o intuito de arrecadar fundos para a formatura, organizou uma partida de futebol que ficou para a história por ter levado cerca de 5.000 pessoas à Sociedade Esportiva Sanjoanense e mobilizar a imprensa através da TV Paulista (São Paulo), Rádio Nacional (Rio de Janeiro) e Difusora local, além da Gianelli Filmes.

A partida foi a pioneira no futebol feminino do país que despertou tamanha atenção, envolveu toda uma comunidade e rendeu muito falatório, mas aflorou a personalidade marcante daquelas estudantes e serviu de exemplo para a nação.

Pacaembu: São João é destaque no Museu do Futebol – (Foto: Pedro Souza/O MUNICIPIO)

HOMENAGENS
Tanto tempo depois daquela jornada memorável, a repercussão ainda é evidente. Em 2014, 73 anos após o Decreto proibitivo de Vargas, ironicamente o Palácio do Catete no Rio de Janeiro, sede do governo naquela época, recebeu o “Espaço Futebol para a Igualdade”, evento apadrinhado por Marta, que proporcionou ao visitante uma nova maneira de enxergar o futebol entre as mulheres, além do jogo em si, tratando-o como plataforma de superação de preconceitos de gênero, raça e condição social.

Entre as atrações, o debate “Mulheres em Campo Driblando Preconceitos” teve a presença de uma das goleiras do jogo histórico em São João, Sonia Bissoli, representando todas as outras envolvidas, que relatou à atenta plateia as dificuldades encontradas para a realização da partida.

Em 2017, também representando as colegas de escola que participaram do jogo, Sonia Bissoli, a convite do jornalista sanjoanense Leivinha Oliveira, proferiu palestra no Auditório “Armando Nogueira” (no estádio do Pacaembu), mais especificamente aos integrantes do Memofut (Grupo Literatura e Memória do Futebol), que neste dia também teve as presenças ilustres do maestro João Carlos Martins, do cineasta Luiz Carlos Barreto e do ex-jogador Cláudio Adão.

A repercussão da palestra despertou o interesse dos coordenadores do Museu do Futebol, também presentes ao evento, que agregaram ao espaço uma exposição de fotos e textos sobre o pioneirismo das mulheres sanjoanenses jogando bola numa época de extremo preconceito.

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