Evitar dieta rica em gordura saturada não promove saúde

Há muito se ouve que consumir alimentos que contenham gordura saturada faz mal à saúde. De fato, ela é um fator que eleva o colesterol mas nem sempre evitar tais alimentos é sinônimo de manutenção da boa saúde.

Para saber um pouco mais sobre a ‘polêmica’ gordura saturada, a reportagem do O MUNICIPIO entrou em contato com Natalia Figuerôa Simões, nutricionista, Mestre em Saúde e Nutrição pela Universidade Federal de Ouro Preto e especialista em Saúde Pública com ênfase em Saúde da Família.

Natalia esclarece em primeiro lugar que todos os alimentos ricos em gorduras terão tanto gorduras saturadas quando insaturadas em sua composição, embora alguns tenham maior quantidade de saturadas que outros.

“Os alimentos de origem animal, como carnes (exceto peixes), ovo, manteiga, queijos e também óleos de coco e de dendê contém maiores concentrações de gordura saturada”, citou ela.

Sobre como esta dieta pode se apresentar, a nutricionista destacou que ela pode ser restritiva em todos os tipos de gordura, como aquelas dietas ricas em alimentos light, zero gorduras e/ou desnatados.

“Mas também pode ser uma dieta rica em gorduras ‘boas’ (mono e polinsaturadas) e pobre somente em gorduras saturadas; como, por exemplo, a dieta do mediterrâneo. A dieta do mediterrâneo é rica em gorduras provenientes de peixes, castanhas, azeite e abacate”, ponderou.

Natalia salientou que as gorduras têm uma função vital no nosso organismo.
“Nós precisamos consumir gorduras e a saturada não fica de fora. Tem-se como premissa que uma dieta rica em gordura saturada aumentaria nosso colesterol, principalmente o LDL, considerado o ‘colesterol ruim’, mas já sabemos que o colesterol é componente essencial das membranas celulares além de indispensável na síntese de sais biliares, vitamina D e hormônios como cortisol, aldosterona, progesterona, estrógenos e testosterona”, esclareceu.

Boas X Ruins: Gorduras nem sempre são más e alimentos ‘do bem’ podem esconder riscos – (Foto: Reprodução/www.tiabeth.com)

A nutricionista lembrou que as evidências científicas ainda são contraditórias sobre o consumo de gorduras saturadas e não existe nenhuma evidência concreta que indique a gordura saturada como causa das doenças cardiovasculares.

“Basta olhar para os dados e ver que nunca se falou tanto em dieta e atividade física e também nunca houve tantas opções de alimentos ‘saudáveis’ como hoje, mas a obesidade continua aumentando e a incidência de doenças cardiovasculares nem sequer diminuiu”, analisou Natalia.

E acrescentou que esse fato pode ser explicado por estudos que demonstram que o consumo maior de gordura saturada também está associado com o aumento de HDL (colesterol ‘bom’), maiores níveis de ApoA-1 (fator protetor), triglicerídeos mais baixos, em uma melhor proporção entre colesterol total / HDL – fatores que poderiam reduzir os casos de doenças cardiovasculares.

“Temos que ter uma alimentação natural. Hoje questionamos se podemos ou não consumir ovos, mas não questionamos se barrinhas de cereais cheias de xarope são realmente saudáveis. Vemos trocas absurdas, como manteiga sendo substituída por margarina light, frutas por barrinhas e refeições por shakes ‘milagrosos’; apostamos em queijos ultraprocessados light, iogurte zero cheio de adoçantes e alimentos sem glúten de alto índice glicêmico. Assim fica realmente difícil controlar o peso e manter a saúde. O que temos que restringir são as gorduras trans (usadas para dar crocância e consistência), presentes em biscoitos, bolachas, chips e alguns sorvetes”, concluiu.

Natalia finalizou lembrando que o sobrepeso e a obesidade são fatores que aumentam o risco de várias doenças, como as cardiovasculares, logo manter uma alimentação equilibrada, atividade física regular e sono de qualidade são pilares importantes para a saúde e qualidade de vida.

Para entrar em contato com ela e tirar outras dúvidas acesse o Instagram @natsfigueroa ou o Facebook/ Nutricionista Natalia Figuerôa.

Por Daniela Prado.

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1 COMENTÁRIO

  1. Aleluia!
    Precisa alguém com MESTRADO para esclarecer a necessidade de gorduras naturais (comida de verdade).
    LIVRO: “Gordura sem medo” (Nina Teicholz)
    Especialistas argumentam que cerca de metade do leite materno é gordura saturada (rica para o cérebro em formação, do bebê). Nosso cérebro é 2/3 gordura.
    Açúcares (sabores doces e massas) são os verdadeiros vilões.
    Evite gorduras naturais e aumente as chances de demência e problemas mentais (por falta de matéria-prima ao cérebro).

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