A diretoria técnica da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de São João da Boa Vista (SP) afastou o médico que atendeu e liberou por duas vezes a bebê Elloah Ferreira Martins, de apenas 8 meses, que morreu em consequência de uma parada cardiorrespiratória após ser internada na Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros, em São João, no último sábado (6).
A família da criança registrou um boletim de ocorrência por omissão de socorro em desfavor do médico já que, de acordo com a mãe da criança, Mayara Ferreira Martins, ele teria considerado o quadro de saúde da bebê sem gravidade e a liberado após dois atendimentos. Levada à Santa Casa, a criança morreu cerca de três horas depois.
Em nota assinada na segunda-feira (8) pelo diretor técnico da UPA, José Eduardo dos Reis, o responsável pela unidade informa que, “embora o atendimento à criança tenha seguido todos os protocolos, já determinou a abertura de sindicância para apurar eventuais incorreções em relação à conduta médica neste episódio”. Segundo apurado pelo O MUNICIPIO, o laudo que aponta a causa da morte da bebê já foi pedido e deverá sair em uma semana.

O QUE ACONTECEU
Naturais da cidade de Cabo Verde (MG), mãe e filha vieram a São João para visitar a avó da criança. De acordo com a Mayara, a filha dela apresentou um quadro de falta de ar e vômito na quinta-feira (4) e levou a menina à UPA pela primeira vez.
Conforme a mãe relatou à reportagem da EPTV, afiliada da TV Globo, o médico afastado teria dito que a menina apresentava um problema respiratório, receitou antialérgico, inalação e posteriormente liberou a menina. Não satisfeita, Mayara pediu um raio-X.

“Naquele momento ele foi ríspido e grosso, falando para mim que era o médico e ele iria examinar minha filha e falar para mim o que ela tinha, que eu não precisava pedir”, afirmou.
Na sexta (5), a bebê teria piorado e a mãe a levou novamente à UPA, sendo atendida pelo mesmo médico, que teria repetido o mesmo diagnóstico e dispensado a criança. Na ocasião, relatou a mãe, o médico teria afirmado que ela não adiantava voltar, porque se outro médico receitasse um antibiótico, ela tomaria sem necessidade.
AGRAVAMENTO
Já no sábado (6), a mãe disse que a bebê chorou a madrugada toda, apresentou quadro febril, além de vômito. Foi então que, pela terceira vez, levou a criança à UPA, ocasião em que outro médico – plantonista – solicitou uma radiografia. Conforme Mayara, a imagem do raio-X revelou que o coração da bebê estaria inchado e pressionando demais órgãos.

“Talvez se ele tivesse visto na quinta-feira, tinha visto que o coração dela já estava ‘grande’, tinha pelo menos tentado internar ela numa outra UTI. A médica falou que provavelmente podia ser uma bactéria que dilatou o coraçãozinho dela”, lamentou.
Na sequência, a bebê Elloah foi levada à Santa Casa, internada a pedido do segundo médico da UPA, mas não resistiu depois de aproximadamente três horas. Na oportunidade, a causa mortis apontada foi parada cardiorrespiratória.
“Eu não estou aqui para fazer Justiça por dinheiro não, eu estou falando isso tudo pela minha filha, porque eu não quero que aconteça com outras pessoas o que está acontecendo comigo. A dor que estou sentindo é muito grande de ter perdido ela. Ela era tudo o que eu tinha de mais lindo na minha vida”, finalizou Mayara.
Agora, o médico da UPA que fez os dois primeiros atendimentos e liberações ficará afastado do cargo enquanto durar a sindicância.
Por Ignácio Garcia.




