Profissionais abordam alguns mistérios relacionados aos gatos

A novela ‘O Sétimo Guardião’, da TV Globo, está no fim, mas trouxe um personagem que roubava a cena todas as vezes em que surgia na tela – o gato Léon.

Ao contrário dos cachorros, considerados ‘os melhores amigos do homem’, os gatos sempre remeteram à ideia de rituais e mau agouro – na Idade Média, eram apontados como um símbolo das religiões pagãs e, associados às bruxas e demônios, passaram a ser perseguidos, até mesmo chegaram a acompanhar suas donas, acusadas de feitiçaria, nas fogueiras da ‘Santa Inquisição’.

Júlio Cesar, Napoleão Bonaparte, Alexandre O Grande, Luiz XVI e Benito Mussolini detestavam gatos, mas os felinos foram e são amados por outros famosos, como o escritor Charles Dickens, o físico Albert Einstein e os atores Muriel Hemingway e Robert De Niro.

A coreógrafa e professora de dança Elaine Juliari faz parte do time que adora gatos e conta que já chegou a ter 17, todos adotados. “Com o passar dos anos e a morte deles, na minha adolescência, fiquei calejada e decidi não ter mais nada, até que, já adulta, adotei novamente meu Mikhail Baryshnikov (foto) – esse era muito especial”, disse Elaine, justificando que o nome se deve ao bailarino russo e que este seu gato, infelizmente, morreu atropelado.

A coreógrafa revela que sempre amou todos os tipos de animais e hoje tem dois gatinhos – Sherazade e Pacco – e um cachorro, o Toretto, os quais ela considera ‘filhos de quatro patas’. “Ambos têm seu jeitinho especial de encantar a gente, mas os gatos são misteriosos – se eles amarem o dono de verdade e sentirem reciprocidade, cria-se um laço como anjo protetor, eles são amuletos, principalmente os gatos pretos; que, por sinal, eu tenho um e é lindinho”, afirmou.

Cumplicidade: Elaine com o gato Mikhail Baryshnikov, que ela considerava muito especial – (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal/Elaine Juliari)

A médica veterinária Fernanda Fogaça Leme, especializada em medicina felina, esclarece que a ideia de que gatos se afeiçoam mais ao ambiente do que às pessoas realmente é um mito. “O gato é considerado uma espécie não totalmente domesticada, por isso ainda apresenta comportamentos muito semelhantes aos dos felinos selvagens. Eles são mais solitários e territorialistas, mas podem desenvolver relações sociais e bastante amorosas com os seres humanos, se oferecermos essa oportunidade com segurança e tranquilidade”, ressaltou.

Fernanda também pontua que, com o avanço nos conhecimentos em medicina felina, a média de vida dos gatos, atualmente, é entre 15 e 20 anos. “O recorde mundial é um gatinho rajado, sem raça definida, que viveu 31 anos e faleceu em 2017”, citou a veterinária.

Quanto à comunicação dos felinos para com os humanos, Fernanda enfatiza que esta acontece principalmente por marcações odoríficas (feromônios) no ambiente (quando os gatos esfregam as bochechas ou corpo, arranham ou urinam), mas só outros gatos conseguem perceber; e pelas expressões faciais e posturas corporais.

“A comunicação verbal felina vem por último e é complexa e pouco conhecida. O que temos maior conhecimento é sobre o ronronar, que tem uma vibração entre 25-150 hertz, acontece com a boca fechada e para diferentes propósitos – situações de contentamento e relaxamento (carinho, alimentação, pedido de proximidade); e situações de estresse (doença, ameaça) como uma forma de lidar melhor com essas dificuldades, como um auto apaziguamento”, concluiu ela, que pode ser contatada pelo Instagram @fernandafogacavet.

Como a psicologia justifica preferência por gatos

Certas pessoas, como já mencionado, amam gatos, ao passo que outras sentem ojeriza, rotulando-os de ‘interesseiros’.

Segundo Yuri Trizzini Abbud, Psicólogo Clínico, Terapeuta TFT-Algo® (Terapia do Campo do Pensamento), especializado em TAA (Terapia Assistida por Animais), o fator de um conceito preconcebido pode justificar este comportamento humano.

“Muitas pessoas gostam ou desgostam dos gatos pelo que ouviram falar ou leram sobre eles. Há muitos relatos do que os gatos são, do que gostam, de como agem etc, mas a questão é o quanto disso é fato. Temos também que tomar cuidado com a generalização – dizer que ‘os gatos são…’ é como dizer que ‘todo homem é igual’. Assim como ninguém conhece todos os homens, também não há quem conheça todos os gatos”, observou.

E completa que, da mesma forma, é complicado conferir características ou terminologias humanas aos gatos – um humano pode julgar um gato egoísta, enquanto que, do ponto de vista do gato, ele não o está sendo. “A forma como você se porta frente a ele terá forte influência sobre isso, mas via de regra eles são silenciosos, analíticos, sinceros, amorosos, companheiros, prezam pela higiene e são pouco exigentes”, disse.

Yuri utiliza felinos em seu trabalho com TAA e analisa que, nas sessões, Lugh e Felpudo (gatos de terapia) têm um comportamento calmo, mesmo quando o paciente se mostra agitado. “Eles de imediato se mostram tal como são e aceitam o paciente como ele é; isso é muito positivo para que a pessoa sinta-se acolhida, aceita e respeitada. O ronronar dos gatos tem efeito relaxante e, somado ao silêncio, leva o paciente a um estado semelhante ao da meditação, onde pode organizar seus pensamentos e aquietar suas emoções. Num momento da história da humanidade, onde temos tantos excessos, os gatos na psicoterapia nos lembram que ‘menos é mais’”, finalizou.

Por Daniela Prado.

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