Pré-projeto para recriação da Praça Rui Barbosa é divulgado

O pré-projeto arquitetônico em 3D e o histórico e memorial descritivo para a futura recuperação da praça Rui Barbosa, no Largo da Estação, em São João da Boa Vista (SP), foram divulgados nesta segunda-feira (8) pelo escritório Lorette Arquitetos Associados.

“A fase de estudo avançou com o pré-projeto, já aprovado pelo prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (MDB), e a intenção é desobstruir e voltar algumas características da praça”, informou Antonio Carlos Lorette, arquiteto responsável pela pesquisa da transformação do espaço, sob a supervisão e execução do Departamento de Gestão e Planejamento Urbano da Prefeitura de São João.

Segundo Lorette, entre as condições solicitadas pelo prefeito para a área pública, é que seja bem iluminada, desobstruída, que nenhuma árvore seja extraída, que o equipamento tenha muitos bancos, acessibilidade e amplamente aberta, como extensão para eventos culturais.

“O condicionante principal para o projeto de recuperação da praça é sua livre circulação, em todas as suas faces, sendo entremeada apenas por troncos de árvores existentes e das que se propõem plantar. Isto se torna favorável ao uso público e cultural do piso da nova praça em extensão às ruas adjacentes, além das atividades que vêm ocorrendo no novo complexo Estação das Artes. Também promove-se o uso público do espaço, a sua plena iluminação e consequente fiscalização a qualquer período”, conforme consta no histórico e memorial descritivo.

Perspectiva: pré-projeto para reconstrução da Praça Rui Barbosa em 3D (3ª Dimensão), criado pelo escritório de arquitetura – (Imagem/Divulgação/Lorette Arquitetos Associados)

De acordo com o documento, foi proposto um piso extensivo a toda praça em mosaico português (preto e branco), simulando as 13 faixas tremulantes da bandeira Paulista, a partir do meio fio original – de granito marrom Aliança -, pontilhado por troncos das árvores, estas protegidas por circunferências de 2 metros de diâmetro, com canteiros de grama-amendoim (arachis repens) e bancos de madeira estruturados em metal.

“O mosaico português em grandes faixas ondulantes traz uma linguagem ousada para a dimensão da praça, lembrando o efeito dos mais importantes logradouros portugueses e brasileiros nos séculos 19 e 20, garantindo também a permeabilidade da área e a praticidade de sua construção e manutenção”, traz o documento.

Ainda no meio da praça, na projeção dos eixos das três ruas principais de acesso (Tiradentes, Guiomar Novaes e São João), propõem-se a implantação de três altos pórticos em aço corten, cujas faces internas contarão com gravuras de frases importantes de Rui Barbosa referentes à sua atuação constitucionalista, política, social e literária.

Na área central da praça, ampliando-se a projeção de sombreamento das copas das árvores, projeta-se o plantio de mudas formadas de ipê-roxo, tamembuia ou handroanthus impetiginosus, lembrando a famosa árvore desta espécie da antiga Praça das Palmeiras (atual Cel. José Pires) e de alguns canteiros centrais da avenida Dona Gertrudes.

Segundo o documento, o antigo bebedouro dos cavalos e muares, transferido ao Recinto de Exposição “José Rui de Lima Azevedo”, volta ao canto da praça, dado como seu ponto original.

“Os bancos, já mencionados anteriormente, circundam os canteiros das antigas e novas árvores, as lixeiras se constituem no mesmo design desses bancos e os postes de iluminação, espalhados em malha ortogonal, em metal vermelho, constituem-se de rebatimento de luz para o piso da praça, aumentando a iluminação local”, consta também.

Já na depressão voltada à rua Guiomar Novaes, foi proposta a construção de uma escadaria, revestida no mesmo material do piso, servindo não apenas como acesso vertical, mas também para o assento de pessoas. “A acessibilidade da praça torna-se eficiente pelas rampas rebaixadas em todas as extremidades e piso tátil nas bordas”.

ENTENDA
De acordo com Executivo, com o término da restauração e adaptação da Estação Ferroviária, transformada em Estação das Artes, “a administração municipal pretende devolver o formato original à Praça Rui Barbosa e revitalizar aquele conjunto arquitetônico de grande valor histórico para São João”.

ESTUDO E HISTÓRICO
Durante o estudo, relata Lorette, foi percebido que a antiga praça não tinha tanta qualidade. “Na década de 1940, quando Henrique Cabral de Vasconcelos assumiu como prefeito, em 1939, ele arrumou todas as praças da área central. Ele precisava dar uma nova aparência às praças da cidade, o que foi feito nas antigas praças das Palmeiras (atual Cel. José Pires), Cel. Joaquim José e Governador Armando Sales de Oliveira. Na ocasião, o então prefeito aproveitou para fazer o beneficiamento da Estação, que, à época, já não era mais um campo de transportes, era um local mais de trabalho”, disse.

No relato do arquiteto, Henrique Cabral pensou em beneficiar o espaço e fez uma ‘pracinha’ de calçadas radiais; o calçamento foi de pedra portuguesa, como na Gov. Armando Sales e na Cel. Joaquim José.

“Foram feitos canteiros de flores e plantadas figueiras no local, além de colocados bancos de cimento com propagandas que, posteriormente, alguns deles acabaram deslocados às praças Gov. Armando Sales de Oliveira e da Bandeira”, afirmou.

Todavia, recorda Lorette, a Praça Rui Barbosa não foi usada como as praças do Centro e “foi perdendo a qualidade de praça, a Estação mudou de posição – com status do largo da Estação – e a praça ficou marginalizada; abandonada”.

Recém-inaugurada: Praça Rui Barbosa em foto de Assunção Ribeiro, em 1945

Já em meados da década de 1960, com a eleição de Octávio Bastos a prefeito de São João, ele construiu na praça um parque infantil. “Nessa época, ele ‘desmonta’ a praça para fazer o parque infantil para crianças do antigo Jardim de Infância e pré-primário, já que era um espaço público nos moldes da época, de valorização das atividades físicas, como uma extensão da escola. Havia até uma piscina com o brasão do Lions Club gravado no azulejo”, recordou.

Anos mais tarde, aproximadamente nos anos 1980, todas as figueiras foram extraídas e outras árvores (sibipirunas) foram plantadas. “Entre o final da década de 1980 e início da década seguinte, quando o Estado decidiu pela municipalização do ensino, houve a construção da Emeb (Escola Municipal de Ensino Básico) Professor Carvalho Pinto”, atualmente transferida e que dará lugar à futura Praça Rui Barbosa.

Por Ignácio Garcia.

Veja mais duas perspectivas da praça, mas de lados diferentes:

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