Prefeito discorda de Arten e exige melhorias na Santa Casa

O prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (MDB) criticou a postura do reitor do UniFAE, Francisco Arten, em alegar que o Centro Universitário não pode investir mais na Santa Casa e precisa levar os alunos de Medicina para realizarem estágio obrigatório para a formação em hospitais até mesmo da capital paulista.

Em entrevista ao O MUNICIPIO, o chefe da administração afirma que a Instituição pode sim legalmente aportar mais verba à Santa Casa e possui o dever de fazer todas as melhorias necessárias no hospital sanjoanense para abrigar seus estudantes.

“Tudo isso é feito pelo UniFAE em seus outros cursos. Quando o Centro Universitário alugou o imóvel onde abriga o CETEP [prédio da antiga Adib], não reformou completamente para fazer os laboratórios de Engenharia? Quando alugou parte do Seminário, não reformou para colocar o curso de Fisioterapia? É claro que é um custo menor, mas a mensalidade paga pelos alunos de Medicina também é muito maior. Então, é possível sim juridicamente que melhorias e construções sejam feitas pelo UniFAE na Santa Casa, para abrigar os alunos de Medicina”, questionou Vanderlei.

O UniFAE possui, assim como afirma o prefeito, um compromisso público com São João e, por conta disso, “é preciso parar com essa história de que não é possível o Centro Universitário investir mais”.

“O que eu defendo é que os alunos que estudam Medicina aqui em São João permaneçam em São João durante o curso. Essa coisa de levar estudantes para outras cidades, para mim, não é boa para São João e para o UniFAE, e não foi o que combinamos para a implantação do curso”, alegou o prefeito.

Posição: Vanderlei diz que curso de Medicina foi criado para salvar a Santa Casa – (Foto: Franco Junior/O MUNICIPIO)

NA IMPLANTAÇÃO DO CURSO
O chefe do Poder Executivo ressaltou que, durante a implantação do curso, foi deixado claro que a graduação só seria aberta na cidade se fosse para melhorar a saúde pública de São João da Boa Vista.

“Nós fomos entusiastas do curso de Medicina desde a implantação e participamos de todo processo para viabilizá-lo. E ficou claro desde o início que a abertura só se justificaria se fosse para melhorar a Saúde da cidade como um todo, em especial da Santa Casa, e não para questão de status e dizermos que tínhamos um curso de Medicina na cidade. Só aceitei e apoiei essa ideia com o objetivo de salvar nosso hospital”, disse.

Vanderlei pontuou que para implantar o curso, a Prefeitura de São João cedeu os espaços das 12 unidades de saúde da cidade e da UPA, colocando tudo à disposição do UniFAE para a aprendizagem dos alunos.

“Nossas unidades de saúde já eram muito bem avaliadas pelo Ministério da Saúde antes de o UniFAE inserir os alunos, mas, mesmo assim, por conta do curso, nós cedemos as unidades, porque é um processo para que os alunos pudessem chegar à Santa Casa nos últimos anos da graduação. Cedemos também o prédio do antigo Pronto Socorro para que o Centro Universitário pudesse ter seu ambulatório médico”, relembrou.

O prefeito ainda voltou a falar sobre o foco do curso de Medicina ser a Santa Casa e a possibilidade, dentro da legalidade, de o UniFAE estruturar o hospital para o aprendizado dos alunos.

“Desde o início o foco principal era a Santa Casa, que tem a irmandade e tem a sua administração, mas é pública. E o que nós entendemos e que é possível sim de fazer legalmente é que o UniFAE faça as adequações necessárias no hospital para atender o seu aluno do curso de Medicina. Fazer, por exemplo, a UTI nova, que é necessária, reformar a sala de cirurgias, fazer acomodações melhores para seus alunos, entre outras situações”.

NA CÂMARA
Vanderlei questionou e disse não concordar com a afirmação do reitor Francisco Arten, na última sessão da Câmara Municipal, a respeito de, se o curso tivesse sido expandido para Indaiatuba, mais verba seria destinada à Santa Casa.

“Se você poderia investir o dinheiro de Indaiatuba aqui, porque não pode investir o do curso que já existe? O UniFAE tem hoje R$ 47 milhões em caixa e tenho recebido demandas do reitor para comprar imóveis para o Centro Universitário. Eu defendo que parte desse recurso vá para melhorar as condições físicas da Santa Casa porque, quando melhora isso, você melhora o atendimento”.

O prefeito finalizou a entrevista falando a respeito dos R$ 6,5 milhões que o UniFAE destinou à Santa Casa desde o início do convênio. Segundo Vanderlei, deste valor, R$ 2 milhões são provenientes do Imposto de Renda que deveria ser repassado à prefeitura.

“Havia uma lei antiga que dizia que o montante poderia ser utilizado pelo próprio Centro Universitário ao invés de ser repassado para a prefeitura, mas fizemos um acordo para que o valor fosse revertido para a Santa Casa. Só que isso não tira a responsabilidade do UniFAE investir na Santa Casa; legalmente isso pode ser feito, sim, por meio de um aditamento no contrato e realização de licitações. Desta forma, haverá espaço para atender os alunos e muitos outros pacientes”, completou.

Por Franco Junior.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Até concordo com vc Vanderlei, então entrega a administração para a fae, porque todos sabemos que essa administração não presta contas pra população e mais ainda agora que tem aquela doação no IPTU, queremos saber onde está indo nosso dinheiro, vc senhor prefeito tem a obrigação de cobrar isso pra população. Até quando esse hospital vai ficar assim? Quer cobrar a fae então entrega a administração!!!!!

  2. Infelizmente o que a maioria da população não tem conhecimento é que com o ingresso de alunos para fazer seus estágios na Santa Casa, isso gera muito custo para a Instituição! Parece pouco, mas são usados mais luvas, material de esterilização são realizados mais vezes, não podemos esquecer que estes alunos estão em aprendizado e mesmo sem querer desperdiçam muito mais materiais e custos ao hospital, isto gera um custo muito maior ao hospital. Com esta tabela SUS defasada a tantos anos e o aumento dos custos da Santa Casa com os alunos, realmente fica inviável a utilização do hospital pela FAE. A construção de um hospital pela FAE para o aprendizado de seus alunos ficaria um valor muito maior. Concordo com o investimento pela FAE, na estrutura do hospital desta forma a verba recebida pelo hospital via SUS, pode ser investido em melhoramentos com seus colaboradores como enfermagem, faxina, vizinha, técnicos de enfermagem, tudo gera custos e o dinheiro investido pela FAE, não pode ser utilizados com os colaboradores. Pense nisto! Pessoas mais valorizadas com certeza vão cuidar da população com muito mais carinho! Infelizmente a ferida é mais profunda, e quem não está dentro do serviço não sabe os reais gastos da instituição. Isso é apenas para pensar, antes de cobrar a instituição pelo serviço prestado.

  3. Uma faculdade de Medicina em hospital traz custos novos, em exames, materiais etc. Assim, é importante que, além de reformas e equipamentos, a faculdade coloque recursos para a manutenção do hospital. Falo em tese, pois não conheço o que o UniFAE tem colocado na nossa Santa Casa.

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