O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), o médico Mario Jorge Tsuchiya, visitou São João da Boa Vista na última segunda-feira (11). Tsuchiya, que estava acompanhado do 1º secretário da entidade, o médico Angelo Vattimo, veio à cidade conhecer a Delegacia Regional do Cremesp, que tem sede em São João e abrange 20 municípios.
O presidente e o secretário também participaram da análise de sindicâncias que estão abertas na regional de São João para apurar condutas profissionais de médicos.
Antes dos compromissos oficiais, Mario Tsuchiya recebeu a reportagem do O MUNICIPIO e falou sobre seus objetivos à frente da entidade.
Questionado sobre o que o trouxe a São João, tendo em vista que não há registro de a cidade ter recebido a visita de um presidente do Cremesp, Tsuchiya afirma que foi uma promessa de campanha se aproximar mais dos médicos, principalmente do interior, e conhecer todas as regionais.
“Normalmente é assim, o presidente fica no olimpo e todo mundo vê sua assinatura e fotografia. Pessoalmente é mais difícil. E era uma coisa que a gente estava pensando, que tínhamos que nos aproximar mais dos médicos e até das entidades médicas do interior, hospitais. E pretendemos, no futuro, fazer alguns eventos regionais envolvendo as instituições”, garante.

O CREMESP
Sobre o papel do Cremesp, ele explica que a entidade se monta em três pilares: cartorial, que é o registro profissional de empresas e pessoas físicas; o fiscalizatório, que é a fiscalização do exercício profissional, da assistência médica; e o judicante, que é o tribunal de ética que julga as infrações cometidas por médicos.
O presidente ressaltou que qualquer pessoa pode ir até o Cremesp e denunciar algo que considere irregular, imoral. “Qualquer um do povo pode fazer isso. Só não pode ser anônima, tem que ser por escrito”, orienta.
Ele ainda reforça que o Cremesp pode abrir investigações de ofício. “Às vezes vemos algo ocorrendo até pela mídia e abrimos. Caiu no ouvido do Cremesp, ele vai apurar”, conta e destaca que as investigações atingem não apenas médicos, mas podem chegar às instituições hospitalares.
FORMAÇÃO
Dados de 2018 do Cremesp demonstram que 40% dos recém-formados em medicina no Estado de São Paulo foram mal em avaliação que era aplicada pela entidade.
O presidente disse ver essa realidade com inquietação. “O Cremesp vê com preocupação esse nível de formação médica, que realmente vem decaindo ao longo do tempo, graças ao número de faculdades que foram abrindo, principalmente da rede privada, o que se tornou um grande negócio”, aponta.
Tsuchiya revela que há três anos o Brasil tinha pouco mais de cem faculdades de medicina e hoje são 400. “Uma coisa meio maluca”, diz.
Perguntado se o Cremesp não pretende introduzir uma prova como critério para que o recém-formado possa exercer a medicina, ele explica que existe uma ideia de avaliar o aluno no decorrer do curso todo. “Nós não queríamos fazer uma avaliação pontual, como faz a OAB. Queríamos algo de forma horizontalizada, que ao longo do curso, o aluno fosse avaliado e as faculdades, pois o aluno também é vitima. E avaliar o corpo docente. Tem poucos professores de medicina no Brasil. Como eles estão se virando?”, questiona o presidente do Cremesp.
Tsuchiya afirma que a avaliação vai barrar o aluno antes dele chegar ao final, diferente do que faz a Ordem dos Advogados do Brasil, que aguarda o estudante se formar. “Não vai passar de ano e a escola será responsabilizada por isso. O aluno vai estudar aquele período de novo sem pagar mensalidade”, explica.
MENSAGEM
O presidente do Cremesp ressalta a nova fase da instituição e diz que, acima de tudo, quer se aproximar dos médicos e das instituições para ter um papel muito mais pedagógico do que punitivo.
“Aproximar-se realmente disso e mudar a imagem do Cremesp junto à população. A sociedade acha que o Cremesp é um órgão corporativo, que está lá para defender o médico. Não, eu estou lá para defender a boa medicina. Quero que a sociedade esteja livre do mau profissional”.
SÃO JOÃO
Três médicos sanjoanenses fazem parte da regional do Cremesp, que tem sede em São João, e participaram do encontro com Mario Jorge Tsuchiya e o 1º secretário da entidade, Angelo Vattimo.
Fernando José Gatto Ribeiro de Oliveira é o conselheiro responsável pelo Cremesp de São João. José Fernando de Souza Sales Júnior é o delegado superintendente e Leonardo Gomes da Silva é delegado.
Fernando Gatto disse que a presença do presidente do Cremesp na cidade é uma honra e demonstra a importância da regional sanjoanense.
E reforçou que o objetivo da entidade é se aproximar realmente do médico, dos problemas que ele enfrenta no exercício da profissão e melhorar essa situação, pensando no benefício da sociedade.
“Nos acusavam de ser corporativista. De maneira alguma. Aliás, pelo que a gente tem visto, estamos sendo considerados de caneta pesada. Ninguém tem passado a mão na cabeça de ninguém. A gente esmiúça o processo mesmo. O intuito não é punir ninguém, mas encontrar a verdade real. Se cometeu alguma infração ética, vai ser punido, não tem desculpa”, garante o médico.
Por Reinaldo Benedetti.




