Liga Sanjoanense corre risco de fechar as portas por conta de dívida com prefeitura

A Liga Sanjoanense de Desportos, responsável pela gestão do esporte de São João da Boa Vista, precisa quitar com a Prefeitura de São João déficit de R$ 43.907,07, referente a erro na prestação de contas de 2016, quando o presidente da entidade era o advogado Glaucinei Ramos da Silva. Caso o valor não seja devolvido aos cofres públicos, a Liga ficará com o CNPJ inadimplente, será impedida de concorrer ao chamamento público de gestão esportiva e pode até mesmo fechar as portas.

As atuais condições da Liga Sanjoanense foram apresentadas em coletiva de imprensa realizada na tarde da última quinta-feira (7), na sede da Liga.

Membros da atual gestão da entidade como o presidente Silval Camargo, o Vavá, juntamente com as advogadas, Patrícia Ribeiro e Carmela Maria Mauro, o contador Rubens Augusto Garcia e o presidente do Conselho Fiscal, José Dotta Lopes, revelaram o problema oriundo da antiga gestão da Liga. O diretor do Departamento de Esportes, Rodolfo Herrera Felipe, também esteve presente no encontro.

Déficit: membros da atual gestão realizam coletiva de imprensa da sede da Liga – (Foto: Pedro Souza/O MUNICIPIO)

RECONTAGEM

O problema de prestação de contas na gestão de 2016 se tornou público em junho de 2018, quando os atuais membros da Liga, também em coletiva de imprensa, revelaram a situação, que, à época, faria com que todas as atividades esportivas fossem suspensas. Na oportunidade, o valor do déficit era de R$ 26.066,08.

No desenrolar das semanas após o caso ser publicado pelo O MUNICIPIO, o antigo presidente Glaucinei Ramos da Silva procurou a reportagem e destacou que havia divergência de documentos nas contas de 2016 e isso fez com que o déficit fosse acumulado. O advogado, em encontro realizado com a atual gestão da Liga Sanjoanense, pediu para que o valor fosse checado e, na ocasião, teria se comprometido a devolver o valor, assim que o mesmo fosse revisto. O valor da dívida, após recontagem, subiu para quase R$ 44 mil e, até o momento, não foi devolvido.

Neste período, desde a revisão, Glaucinei ingressou ação contra a Liga e disse que não teve acesso a documentos para confirmar alguns gastos feitos na gestão de 2016. A entidade, por outro lado, foi notificada pela prefeitura e precisa devolver o valor aos cofres públicos.

“Nunca a entrada dele [Glaucinei] foi negada aqui para que ele pudesse rever os documentos, até porque, ele nunca pediu para vir aqui. A Liga é aberta, ele poderia vir a qualquer hora. Entretanto, os documentos que ele alega já estão na prefeitura. A prestação de contas feitas na gestão dele era mensal. Me causa estranheza que as contas tenham sido aprovadas mês a mês, na época, e só depois é que foram ver que havia algo errado. Como isso não foi visto naquela época?”, questionou Vavá.

A Liga Sanjoanense, por meio das advogadas, Patrícia e Carmela, irá ingressar com ação na Justiça contra o ex-presidente para que o caso seja resolvido.

RESPOSTA

O MUNICIPIO procurou o ex-presidente Glaucinei Ramos da Silva para questioná-lo a respeito do ocorrido. Ele, no entanto, diz não saber dessa coletiva de imprensa e sequer o que foi discutido.

“Eu não tenho ciência dessa coletiva e nem do que foi discutido, o que tivemos foi uma reunião no ano passado, mas o outro lado [atual gestão] parece não estar cumprindo. Soube que a prefeitura fez uma revisão e há uma conclusão, só que não me passaram nada e não sei o que está acontecendo. Pelo que sei é que nem mesmo a Liga foi notificada formalmente”, pontuou.

Glaucinei também fala que a atual gestão, liderada pelo presidente Vavá, parece não querer solucionar o caso.

“Parece que o outro lado não quer resolver o problema, que querem deixar para ver o que vai dar. Estou atrás disso para que possa ser solucionado, desde que seja dentro da minha responsabilidade”, disse.

“Em 2018 ficou acordado que a comissão iria rever o valor e ficou o compromisso [da atual gestão] de entregar documentos que estavam faltando. Milagrosamente apareceram alguns documentos, mas, mesmo assim, o ano passado o Vavá achou por bem [ingressar] uma ação de prestação de contas contra mim, referente àquela prestação de contas anterior. A ideia parece ser denegrir minha pessoa. Isso já fugiu do que havia sido acordado”, finaliza.

O MUNICIPIO ainda questionou o ex-presidente sobre o que ficou acordado entre ele e a Liga, no ano passado, para que o problema do déficit fosse resolvido. Até o fechamento desta matéria nenhuma resposta foi enviada.

Por Pedro Souza e Franco Junior.

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1 COMENTÁRIO

  1. Apesar de não termos as bancadas da Saúde, da Educação, da Segurança e da Mobilidade, temos sim a ‘BANCADA DA BOLA’. Onde estavam estes vereadores que não viram isso? Veja que estamos falando só de uma liga!!!

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