Ambientalistas ressaltam importância de proibir canudo

A votação do projeto que prevê a proibição de canudos de plástico em São João da Boa Vista foi adiada mais uma vez. A proposta, idealizada pelo vereador Sebastião Neris (PV), seria analisada na última sessão da Câmara Municipal, na quinta-feira (7), mas a data foi alterada para a reunião do dia 18 de março.

O novo dia foi solicitado pelo vereador Rui Nova Onda (PTB), que convocou ambientalistas do Grupo Jaguar para participarem do debate e explicarem aos demais edis a importância de São João da Boa Vista possuir a legislação.

Em contato com membros do Grupo Jaguar, eles explicaram ao O MUNICIPIO que a aprovação do projeto é apenas o início para que outras propostas voltadas ao meio ambiente também sejam debatidas. Além disso, eles destacaram o pioneirismo que a cidade terá ao possuir a lei e a importância para o setor turístico de São João, que acaba de receber do Governo Estadual o selo de MIT (Município de Interesse Turístico).

Problema: limpeza no rio mostra materiais de plástico na superfície; canudos ficam no fundo – (Foto: Divulgação/Projeto Jaguar)

PIONEIRISMO E INÍCIO
A lei sobre os canudos, segundo os membros do grupo de ambientalistas, será o primeiro passo para que propostas em relação a sacolas e copos plásticos, por exemplo, também comecem a ser discutidas em São João da Boa Vista.

“É obvio que a gente não quer tratar apenas do canudo. Então, começando com ele, você consegue atingir muito mais coisas e trazer muito mais visibilidade para o município que acaba de ser reconhecido pelo governo na questão do turismo”, destacou Carolina Diniz Amorim, que é advogada em Meio Ambiente e professora de Direito Ambiental na PUC.

A ambientalista salienta que uma legislação nacional será feita sobre o tema e São João pode ser pioneira e reconhecida no mundo, caso saia na frente e já tenha a sua própria lei.
“A gente vai passar vergonha daqui a um tempo, se não tivermos uma legislação assim. São Paulo, por exemplo, que é uma economia forte e é super complicada uma aprovação assim, já se tem esse tipo de discussão, tendo sido aprovada em primeira discussão com apenas dois votos contrários. A cidade vai se tornar referência para esse tipo de discussão e será usada como exemplo pelo mundo caso saia na frente. Se não for aprovado aqui, logo teremos que acatar a situação da mesma forma, porque vai vir a lei nacional. Temos a possibilidade de sairmos na frente”, completou.

PRESERVAÇÃO E TURISMO
O técnico em Meio Ambiente Marcos César Peres Borges, também membro do Grupo Jaguar, pontua que a preservação ambiental caminha junto com o turismo e a legislação trará benefícios para São João nas duas esferas.

“Eu conheço todo o rio aqui em São João. Se você fizer a limpeza hoje, amanhã já vai estar totalmente sujo, com todo tipo de resíduo de plástico. E o canudo não fica visível. Ele fica no fundo e é aí que está o problema. Em relação ao turismo, a cidade poderia criar um Circuito das Águas, se juntando com municípios da região. Para que isso possa ser feito, a gente precisa cuidar do rio e aprovar uma lei dessa, que parece simples, mas faz a cidade ser vista de outra forma”, relatou.

Jean Guilherme Azarias, mestre em Engenharia de Produção, revela que o impacto econômico para os comerciantes não será sentido e pontua que a substituição por canudos produzidos por outros materiais pode ser tornar, até mesmo, um marketing para os empreendedores.

“O impacto econômico não vai ser sentido porque há outras opções. Há donos de bares em São João que, independente de lei ou não, vão substituir o canudo de plástico por canudos produzidos por outro material e dar de brinde para os clientes. Ou seja, se torna um marketing para o próprio comerciante”, comentou.

MEIO AMBIENTE E FAUNA
O canudo de plástico, segundo dados de organizações ambientais, leva um minuto para ser fabricado e é usado, em média, por 30 minutos. Entretanto, ele leva 20 anos para se decompor e é responsável por 1.000 mortes marinhas por ano. Essa realidade de dano ao Meio Ambiente, de acordo com membros do Grupo Jaguar, pode ser sentida em São João.

“Para a fauna o problema é o microplástico, pois os animais acabam comendo pedaços de canudos de plástico juntamente com seu alimento ou pensando ser alimento. Um peixe pequeno, obviamente, não vai comer uma garrafa, mas sim, um pedaço do canudo, que no decorrer de sua passagem pelo rio, vai se quebrando. O canudo vai se transformando em partes menores ao mesmo tempo em que vai se quebrando, pois, por ser de plástico, ele não se dissolve”, explicou Marcos César.

O biólogo Vinícius Azevedo Luvizano concluiu, ao alertar que, para muitos animais, o plástico acaba sendo consumido não por opção, mas por uma consequência. “Para muitos animais que vivem no fundo do rio ou do mar, não é nem uma questão de escolha comer pedaços de canudos de plástico. Eles acabam comendo junto com o próprio alimento dele, pois o material se junta ao que ele iria consumir”, finalizou.

Por Franco Junior.

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