Defesa nega viagem de médica do Samu ao exterior

A defesa da médica do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), Amparo Vera Calderon Curvelo, investigada após negar envio de um veículo para socorrer um idoso de 80 anos, que morreu no dia 7 de janeiro em Espírito Santo do Pinhal (SP), refutou a informação de que a cliente viajou para o exterior.

A informação havia sido dada por Amarildo Duzi Moraes, presidente do Conderg (Consórcio de Desenvolvimento da Região de Governo de São João da Boa Vista) e também prefeito de Vargem Grande do Sul, na edição do O MUNICIPIO do dia 13 de fevereiro.

Na manhã do dia seguinte (14), por telefone, Elias Augusto Curvelo Chaves e Silva rebateu a reportagem afirmando que é “inverídica” e que foi ele quem viajou para Miami (EUA).

À tarde, mas por e-mail, o advogado apresentou troca de e-mails com a gerência de Planejamento e assessoria jurídica do Conderg, por meio de três documentos anexos – a intimação para a audiência em que a médica seria ouvida; um pedido de redesignação de audiência juntamente com bilhete de reserva de viagem em seu nome, por conta de compromisso entre 3 e 9 de fevereiro naquele País; e a deliberação da assessoria jurídica do Conderg redesignando a audiência agendada para as 9h do dia 7 de fevereiro para outra data [ocultada no documento].

No e-mail, Curvelo informa que foi ele quem requereu a redesignação da audiência por motivos profissionais que foram anteriormente assumidos, por ele, com uma passagem de ida para Miami e uma de volta para o Brasil. “Em nenhum momento a médica averiguada afirmou que estaria fora do País, pois não esteve, cumpriu agenda regularmente no seu local de trabalho”, afirmou, contradizendo a afirmação de Amarildo, presidente do Conderg.

No entanto, na Fanpage do Notícias Policiais no Facebook, por meio de um comentário em videorreportagem publicado na manhã de quinta-feira (14) e que dava conta de que a médica estaria trabalhando na UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim São Paulo, em São João da Boa Vista, o próprio Amarildo reafirmou que a médica estaria fora do Brasil, mas em data anterior. “A médica em questão apresentou pedido relatando que viajaria na semana passada e não esta semana. Apenas para reestabelecer a verdade neste aspecto”, escreveu.

Em resposta a Amarildo, o advogado rebateu que “em nenhum momento ela apresentou informação de que estaria fora do País, quem semeou essa informação foi o senhor, por sinal, informação inverídica. Caso o senhor não se retrate, buscaremos as vias judiciais para que o senhor seja responsabilizado, se assim entender a Justiça”.

E completou: “Quem esteve fora do País foi este subscritor, na condição de advogado; a médica não saiu do País, cumpriu regularmente com as obrigações dela no local de trabalho, além do que, ela se colocou a todo instante à disposição das autoridades, inclusive para colaborar com as investigações”.

Por Whatsaap, o presidente do Conderg mandou mensagem reconhecendo que houve um erro do jurídico do Consórcio ao passar a informação e que quem viajou foi o advogado da médica do Samu, conforme passagens apresentadas. Amarildo acrescentou ainda que, embora tenha havido tal confusão, isso em nada irá influenciar no processo administrativo e que houve um equívoco não proposital.

Fanpage: videorreportagem mostrou unidade de saúde em que médica estava atendendo – (Imagem: Reprodução/O MUNICIPIO/Facebook)
Polêmica: presidente do Samu reafirma pedido de médica em postagem e defesa rebate – (Imagem: Reprodução/O MUNICIPIO/Facebook)

RELATÓRIO FINAL
O relatório final de procedimento administrativo movido pela comissão que apura o caso envolvendo a médica Amparo Vera Calderon Curvelo, do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), deve sair ainda nesta semana.

Na tarde desta segunda-feira (18), o advogado Oswaldo Bertogna Junior, da assessoria jurídica do Conderg, disse que o depoimento da médica foi colhido na sexta-feira (15) e que a defesa teria prazo de dois dias para apresentar as alegações finais – nesta terça-feira (19).

“Fizemos um prazo bem curto para que o processo se mantenha o mais célere possível. Normalmente, damos dez, 15 dias, mas demos só dois dias. (…) Se estiver tudo em ordem, ai o relatório é feito em um ou dois dias”, revelou, dizendo, ainda, que dependerá da comissão.

“Não há nada de excepcional no processo. Se houve uma anormalidade em relação ao serviço, ai é a sindicância (comissão) que vai decidir. Na quinta-feira (21), acredito que a gente já tenha uma posição concreta”, afirmou.

Segundo Bertogna Junior, finalizado, o relatório final da comissão será encaminhado à direção do Conderg, que deverá decidir, por meio da superintendência, se haverá punição: “(…) se houver alguma punição!”.

Por Ignácio Garcia.

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