Ver crianças carregando mochilas é algo constante, principalmente na época de volta às aulas. Além disso, ao sentar-se descontraidamente nas carteiras, muitas crianças adotam, sem perceber, posturas incorretas – o que, a longo prazo, pode acarretar uma série de problemas na coluna.
Pensando nisso, a reportagem do O MUNICIPIO conversou com o fisioterapeuta Lucas Eduardo Pereira, especialista em RPG (Reeducação Postural Global), em Osteopatia e Posturologia, que atende, em São João, no Centro Multi Profissional Especializado.
Pereira ressaltou que tanto carregar mochila com muito peso e de forma incorreta, apenas com uma das alças penduradas, como sentar-se numa postura desleixada vão implicar em ‘adaptações’ da coluna que resultarão em problemas posturais como escoliose, hipercifose (corcunda) e hiperlordose.
“A longo prazo, a hipercifose, conhecida como ‘corcunda’, pode gerar muitos problemas além da estética. Um dos principais é uma adaptação da coluna cervical (pescoço) para compensar a corcunda”, destacou.
O fisioterapeuta também apontou que, após instalada esta adaptação compensatória, a criança ou até mesmo o adulto, pode apresentar dores de cabeça, dificuldade para engolir e engasgos constantes, problemas respiratórios, dores na região dos ombros e nos braços, problemas cardíacos devido a alguns nervos que saem do pescoço e inervam o coração, alterações na tireoide e alterações de equilíbrio, como vertigens e até crises de labirintites.
Para ajudar a prevenir este quadro, Pereira salientou que o comando verbal dos pais e professores para corrigir a postura é muito importante.

“Porém, eles têm que entender que a criança sempre vai ‘perder a postura’ não porque ela queira, mas sim porque o corpo não consegue manter a postura correta”, ponderou o especialista, frisando que um dos fatores que não deixa o corpo manter a postura é a fraqueza muscular.
O fisioterapeuta observou que, nos dias atuais, a maioria das crianças não realiza nenhuma atividade física e o corpo necessita da força e resistência muscular para manter a postura.
“Logo, além de dar o comando verbal, a criança precisa de uma reeducação na postura. Para isso algumas técnicas são muito eficazes – a osteopatia para ‘quebrar’ o padrão postural errado e dar condição para o corpo se reorganizar e melhorar a postura, juntamente com o RPG e o Pilates, que são técnicas voltadas diretamente para a coluna e fortalecimento da musculatura”, aconselhou.
E lembrou de que criança com alteração postural geralmente apresenta também alteração psicológica, no sentido ter consciência da sua postura. “Infelizmente sempre existe aquele colega que coloca algum apelido, o que gera na criança alguns traumas que a deixam vergonhosa, introvertida, isolada. Outro exemplo que já constatei foi que a criança não levava todo o material para a aula, devido ao peso da mochila, o que gerava advertências ou desânimo para estudar”, enfatizou.
Sobre qual o melhor tratamento depois que o problema já se instalou, Lucas revelou que, quando criança, ainda se diz que a pessoa está em fase de crescimento e isso faz com que seja muito mais fácil corrigir o problema que na vida adulta.
“Com o tratamento correto, a postura pode melhorar muito e, em alguns casos, corrigir totalmente. Após uma determinada idade, o corpo já está estruturado, de modo que a correção, muitas vezes, não é mais possível; porém, nas duas possibilidades o tratamento sempre é recomendado, visando a qualidade de vida”, concluiu.
O fisioterapeuta finalizou acentuando que, nos dois casos, os tratamentos indicados são a Osteopatia, RPG, Pilates e exercícios físicos como natação, até mesmo musculação, mas sempre com acompanhamento de um profissional competente.
Por Daniela Prado.




