Terapia Assistida por Animais gera benefícios comprovados

A ligação entre humanos e animais, independente da espécie, é algo que produz comprovados benefícios, mas talvez nem todos saibam que existe um tipo de trabalho – a TAA, ou Terapia Assistida por Animais- que vai além desse mero convívio.

Yuri Trizzini Abbud, psicólogo formado em Terapia Assistida por Animais pelo Instituto IBETAA e terapeuta pela TFT-Algo (Thought Field Therapy – Terapia do Campo do Pensamento) pelo Instituto TFT Brasil e Callahan Techniques esclareceu detalhes à reportagem do O MUNICIPIO, a respeito desse tema.

“Existem diferentes Intervenções Assistidas por Animais (IAA), como a Atividade Assistida por Animais (AAA), a Educação Assistida por Animais (EAA) e a Terapia Assistida por Animais (TAA). No meu trabalho com TAA, eu conto com duas calopsitas, dois gatos e um coelho que atuam como facilitadores no diagnóstico e no tratamento”, disse.

E ressaltou que o animal que será usado nessas terapias depende do perfil do paciente e do objetivo a ser alcançado. “É importante saber e respeitar o tempo de atuação de cada animal, preservando seu bem-estar. Um cão, por exemplo, pode realizar três sessões de TAA numa tarde, desde que haja um intervalo de uma hora entre elas; já uma ave deve atuar no máximo 15 minutos numa sessão e então repousar”, pontuou o especialista, completando que animais podem atuar nas mais variadas situações – de medos e traumas até no desenvolvimento de habilidades, entre outras.

Com os gatos ‘terapêuticos’: Yuri Trizzini Abbud explica que os pets podem nascer com perfil para este trabalho e serem treinados – (Foto: Arquivo Pessoal/Yuri Abbud)

Uma curiosidade que Yuri destacou é que um animal de terapia ‘nasce’ animal de terapia.
“O primeiro passo é identificar se um animal tem esse perfil e posteriormente fazer um treinamento/adestramento, o que pode levar um ano ou mais, para que o animal de terapia esteja pronto para atuar. A avaliação pode ser feita em qualquer momento da vida e independe de raça”, explicou.

Yuri também salientou que cuidados veterinários, com a saúde e higiene são fundamentais. “Temos, por exemplo, casos de cães sem raça definida que foram resgatados da rua ou de maus tratos, que apresentavam o perfil e atualmente são excelentes co-terapeutas. É imprescindível haver um ótimo vínculo entre o animal e o terapeuta. Os meus animais de terapia estão preparados para lidar com situações adversas, tais como ser assustado ou mesmo sentir dor, sem reagir de forma agressiva”, detalhou.

Sobre comprovações da eficácia destas técnicas no quadro clínico dos pacientes, o psicólogo enfatizou que são todas técnicas certificadas e reconhecidas cientificamente em todo o mundo. “Pela interação pessoa-animal, eu vejo uma melhora muito significativa e muitas vezes mais rápida do que sem a presença do animal, principalmente nas questões emocionais e sociais. O trabalho da Pet Partners (EUA) é referência mundial e no Brasil temos o IBETAA -Instituto Brasileiro de Educação e Terapia Assistida por Animais-, no qual me formei e que norteia meu trabalho nessa área”, comentou.

A respeito da visão da psicologia sobre o convívio homem-animal, Yuri observou que o animal não julga, é sempre sincero e, para ter um bom convívio com ele, nos convida a aceitá-lo tal como é e a ser sincero também.

“É um processo natural, onde eu vou me conhecendo mais, me aceitando melhor e consequentemente passo a aceitar melhor os outros, a ser mais verdadeiro e espontâneo nas relações interpessoais. É um regresso a natureza e ao natural. Já observou que quando você sai para passear com seu cão, por exemplo, a probabilidade de que alguém sorria ou interaja com você, por intermédio do animal, é muito maior do que se você estivesse sozinho? A presença de um animal quebra barreiras e facilita a criação de vínculos entre pessoas de diferentes perfis”, finalizou.

Por Daniela Prado.

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