Perigo: drogas sintéticas causam danos ao organismo

Há algumas edições, O MUNICIPIO trouxe a notícia de que jovens haviam passado mal em festa rave, sendo que um deles chegou a morrer.

Apesar de não se saber ao certo o que levou os rapazes a tais quadros, festas rave são motivo de muita discussão, como já ocorreu em sessões da Câmara Municipal sanjoanense.
Em uma delas, o promotor, à época Guilherme Athayde, expôs a preocupação quanto ao leque de ‘novas’ drogas chegadas ao Brasil – denominadas sintéticas- e que costumam ser utilizadas nestas festas.

“O bem estar que esta droga produz não compensa logo em seguida. Temos um caso, na Escócia, de uma jovem de 16 anos que, com um único comprimido, foi parar na UTI e ficou duas semanas em coma. Hoje, ela está totalmente lesionada”, comentou o promotor, na ocasião.

Sintéticas: Diversos são os formatos, a maioria é ilícita e muitos são os danos à saúde – (Foto: Reprodução/Internet)

Carina Zuini, médica psiquiatra que atende, em São João, no Espaço Riviera, explicou o que são essas drogas e os danos que causam ao organismo de seus usuários. “As drogas sintéticas são criadas a partir de substâncias químicas desenvolvidas pelo homem ao invés de ingredientes naturais; as mais conhecidas são o ecstasy, LSD e metanfetaminas. Não se pode dizer que são mais prejudiciais, já que todas as drogas causam prejuízo, mas a gravidade depende de vários fatores, incluindo o tipo de substância, resposta do organismo, frequência e intensidade de uso”, detalhou, observando ainda que o Prozac é o nome comercial do medicamento Fluoxetina, considerado não uma droga, mas um antidepressivo que não causa dependência ou malefícios comparados às drogas.

Sobre os principais efeitos que essas drogas acarretam no organismo e no cérebro, Carina destacou que as consequências são variáveis e dependem, dentre outras coisas, da substância utilizada. “A intoxicação aguda do álcool pode causar desinibição, agressividade, diminuição do julgamento crítico; letargia. A longo prazo, seu uso abusivo pode causar impacto pessoal e funcional, prejuízo cognitivo, alterações de sono e apetite, desnutrição, hepatopatias, e descontrole dos níveis glicêmicos”, citou.

OUTRAS DROGAS
Ela acrescenta também sobre outras drogas, como a maconha, que, a curto prazo, pode causar leve euforia, alterações da percepção, taquicardia, aumento da pressão arterial, hipotensão postural e letargia. “A médio e longo prazo, fumar maconha pode causar inflamação no trato respiratório, prejuízo cognitivo, piora da ansiedade e depressão. Estudos demonstram que a maconha está associada à abertura de quadros psicóticos, com desorganização do comportamento, alucinações e delírios”, enfatizou.

Quanto ao uso agudo de cocaína e crack, Carina disse que podem provocar euforia, aumento da energia, ansiedade, sintomas paranóides e persecutórios, taquicardia, arritmias, hipertermia, sudorese, tremores, cefaleia e espasmos musculares – seu uso crônico aumenta o risco de convulsões, depressão de rebote, fissura, impulsividade e irritabilidade, sintomas depressivos e ansiosos.

Por Daniela Prado.

Para compreender o quadro que configura a overdose

Carina Zuini, médica psiquiatra, explicou que a overdose ocorre quando se utiliza uma quantidade de droga além do nível que o organismo consegue metabolizar e eliminar, desencadeando um quadro clínico variável, muito dependente da substância utilizada.

“A overdose por drogas depressores (que diminuem a atividade do sistema nervoso), como heroína, álcool, metadona e morfina, pode consistir em dificuldade para respirar, letargia, confusão mental, bradicardia (diminuição do batimento cardíaco), com risco de evoluir para parada cardiorrespiratória e morte. E a overdose por drogas estimulantes (que aumentam a atividade do sistema nervoso), como cocaina, crack, LSD, ecstasy e anfetamina pode gerar dor no peito, convulsões, confusão mental, hipertermia, dificuldade para respirar, agitação, arritmias cardíacas, evoluindo com colapso do sistema cardiorrespiratório e morte. Por agir sobre o sistema vascular, há aumento do risco de AVC e infarto, mesmo em pessoas jovens”, pontuou.

Apesar dessas consequências, Carina ponderou que a overdose nem sempre é fatal e pode, sim, ser revertida, desde que o paciente receba tratamento o mais rápido possível. “Na suspeita de overdose, o serviço de urgência deve ser contatado imediatamente. Se for observado que o paciente não apresenta pulso, pode-se iniciar a reanimação cardiorespiratória, caso esteja presente alguém que saiba realizá-la, até que o serviço médico de urgência chegue”, finalizou. (D.P)

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