Santa Casa acerta com médicos e quer zerar dívida em 2019

A Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros efetuou o pagamento dos salários atrasados dos médicos, no dia 26 de dezembro, e a greve parcial que havia no hospital foi encerrada.

Neste momento, apenas os salários que venceram no dia 30 de dezembro estão pendentes, mas a previsão de pagamento é para o começo do mês de janeiro. Isso é o que garante o administrador da Santa Casa, Guilherme Morellin, que recebeu a reportagem do O MUNICIPIO na manhã de quinta-feira (3), no hospital.

O novo gestor da instituição de saúde conta que tentou evitar de todas as formas a paralisação dos médicos, mas diz que não foi possível. No entanto, Morellin afirma que ficou satisfeito em fechar 2018 com esse problema resolvido.

Crise: Santa Casa enfrenta um dos momentos mais graves da sua história – (Foto: Reinaldo Benedetti/O MUNICIPIO)

Para 2019 os planos do administrador são ousados e, se concretizados, podem representar um novo momento da saúde em São João da Boa Vista. “O nosso propósito é termos todos os recursos para o pagamento dos médicos carimbados e não usar esse recurso para outra coisa”, conta.

Para Morellin, são duas frentes prioritárias a partir de agora: o pagamento dos funcionários e médicos. “O meu trabalho esse ano é em não fazer repetir de novo o que ocorreu em novembro e dezembro do ano passado. Tudo isso demanda negociações com a Prefeitura e cidades da região, mas achamos que essa organização nos atinje a ponto de não termos mais esses problemas de pagamentos”, aposta.

O administrador faz questão de ressaltar que, mesmo com a crise financeira, a Santa Casa não deixou de realizar os atendimentos e serviços.

FIM DA DÍVIDA
Os planos narrados por Guilherme Morellin ao O MUNICIPIO são ousados. Segundo ele, em 2019 é possível que a Santa Casa consiga pagar sua dívida e zerar o déficit mensal que possui há muitos anos, elevando o hospital a outros patamares.

Hoje, a dívida milionária, mais de R$ 30 milhões, e o déficit mensal são os grandes empecilhos para que a Santa Casa possa melhorar a qualidade e ampliar o atendimento à população.

Para conseguir este feito Morellin diz que será necessária a venda da fazenda, patrimônio doado à Santa Casa e que hoje corre o risco, inclusive, de se perder em razão de dívidas com o governo federal.

O administrador conta que toda a parte burocrática já foi feita, até mesmo o desmembramento da propriedade que pertence também à Casa da Criança e ao Asilo São Vicente de Paulo.

O modelo de venda será, de acordo com o administrador, leilão. “Queremos fazer tudo com a maior transparência possível”, garante.

Com a venda da fazenda, a dívida do hospital será quitada e, segundo previsões, ainda devem sobrar cerca de R$ 11 milhões, dinheiro que não será usado e ficará em um fundo para uso da Santa Casa em momentos necessários.

Já para zerar o déficit mensal, Morellin promete ações específicas junto ao Poder Público e cidades da região. Uma será a de controlar rigidamente a produção contratada pelos municípios, com verba que vem do Ministério da Saúde, para internações e uma série de procedimentos. Hoje existe uma PPI (Pactuação de Produção Intergestores) com os 20 municípios da DRS Regional de São João e cada cidade tem uma previsão anual de procedimentos a ser feito pela Santa Casa sanjoanense.

“Vamos passar a controlar a produção e quando estourar o município terá que compensar a diferença. Vamos ajustar a máquina, o que é fundamental para zerar o déficit”.

A previsão do gestor é de que em outubro a Santa Casa já esteja com as dívidas pagas e o déficit solucionado. E garante que quer a população como parceira do hospital. “Não vamos ter sucesso nenhum sem o envolvimento da sociedade. Ela é o patrão da Santa Casa”.

Por Reinaldo Benedetti.

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