Veterinário diz que momento de prevenir dengue é agora

Com o calor intenso e o aumento de chuvas, o sanjoanense precisa ficar atento e praticar ações que podem prevenir doenças transmitidas, principalmente, pelo mosquito Aedes aegypti.

Entre elas está a dengue, mais comum e de grande incidência nos últimos anos. Mas o Zica Vírus, a Chicungunya e a Febre Amarela são outros exemplos de doenças transmitidas pelo inseto, que tem sua proliferação bastante intensificada nesta época do ano.

Isso é o que afirma ao O MUNICIPIO o médico veterinário Roberto Hoffmann, que por muitos anos coordenou o Centro de Controle de Zoonoses de São João da Boa Vista. “O Aedes tem características de intensificar suas atividades a partir de agora: movimentação e proliferação. É, portanto, momento de dar mais atenção aquilo que esquecemos no quintal e eliminar. É preciso começar a fazer a inspeção mais rápido”, indicou.

Hoffmann explica que, analisando os dados da dengue, é possível constatar que ela possui um pico de contaminação a cada três anos. Assim, ele acredita que em 2019 haverá uma incidência maior que em 2017 e 2018.

Dica: Hoffman pede para que população tire 10 minutos por dia para eliminar criadouros – (Foto: Arquivo/O MUNICIPIO/Reinaldo Benedetti)

E o principal perigo, alerta o veterinário, é a chegada de uma variante chamada Dengue 2. Isso porque a variante 1, conta, é difícil de acometer as mesmas pessoas, pois a população acaba ganhando mais imunidade. Porém, a variante 2 pode ser facilmente transmitida. “Nós não tivemos a Dengue 2 transmitida intensamente no município e isso é perigoso”.

Para o especialista, a Dengue 2 pode aparecer mais virulenta, porém pode variar de pessoa para pessoa. “Uma pessoa que já teve a dengue ser acometida novamente aumenta o risco, mas é uma resposta individual de cada um”.

Assim, Roberto Hoffmann reforça que este é um período de alerta e que pode definir como será a transmissão da dengue no ano que vem. “Vamos pensar no fechamento do ano, comemorar, mas não esquecer de separar 10 minutos por dia para eliminar os criadouros do mosquito”.

ESCORPIÕES
O MUNICIPIO também questionou o veterinário sobre as infestações de escorpiões e o que pode ser feito para eliminar estes animais.

Hoffman disse que não apenas em São João, mas que o país está enfrentando um fenômeno com a proliferação de escorpiões e acidentes, alguns até fatais. Porém, não há uma explicação científica para isso, garante ele. “É preocupante, mas é um fenômeno natural e muito pouca coisa dá para fazer para controlar. Ele é um aracnídeo, tem grande adaptação no ambiente e tem suas estratégias de reprodução”.

Ele informa que o escorpião amarelo, mais comum nessa região e mais perigoso também, tem apenas fêmea e que elas não precisam se acasalar para se proliferar. “E uma vez instalado em um local, é difícil eliminar aquela área”.

Por isso, o veterinário indica que o correto é tomar outras atitudes, como estabelecer barreiras físicas, por exemplo. “Ele não é transmissor de doença, mas seu veneno é que representa o perigo. Então é preciso conseguir evitar que ele chegue até onde pessoas ficam. Isso diminui o risco”.

Algumas dicas são colocar vedações em portas, janelas e encanamentos. Usar luvas e botas em locais que possuem estes animais e ficar atento no momento de vestir os calçados. “Outra dica é manter os móveis afastados das paredes e sempre olhar atrás de quadros, armários”.

CARRAPATOS
Por fim, o médico veterinário alertou sobre a febre maculosa, transmitida por uma espécie de carrapato. “Todo bicho que chupa sangue é perigoso. O morcego pode transmitir a raiva, o barbeiro a doença de Chagas e o carrapato também oferece riscos”.

Porém, o carrapato que preocupa, afirma Hoffman, é o popularmente chamado de carrapato estrela, de porte maior, e que tem preferência por regiões de pastagens. “Ele infesta cavalos e a capivara. E a capivara é hospedeira da febre maculosa, doença que atinge o ser humano, pode ser grave e levar a morte se o diagnóstico não for feito”, disse.

Então, o veterinário indica que pessoas que pegarem carrapato devem tirar o mais rápido possível, pois a transmissão é demorada. E se tiver algum sintoma diferente, procure imediatamente um médico. “Isso preserva a vida”.

Por Reinaldo Benedetti.

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