Fisioterapia pode ser aliada no controle do diabetes

Pacientes com diabetes devem sempre fazer exames de glicemia, para checar os níveis de glicose no sangue, além de fazer acompanhamento médico, mas o que talvez poucos saibam é que a fisioterapia auxilia nos níveis de glicose, para que se tenha uma vida mais saudável.

Thiago Brito, fisioterapeuta que atua com atendimentos domiciliares, neurológicos e ortopédicos na Clinica Navarro e no time de Rugby Tucanos, esclarece que pessoas de grupo de risco, em atividade física de maior intensidade, podem elevar a glicemia, graças à ação dos hormônios contra reguladores da insulina (adrenalina, por exemplo).

“Se a pessoa está com a glicemia descontrolada (hiperglicemia continuada), pode apresentar cetona – ácidos que se acumulam no sangue e aparecem na urina-, com o risco de entrar ou já estar em cetoacidose, a qual deixa o sangue mais ácido e leva à acidose metabólica”, explica Thiago, concluindo que isso pode levar ao coma e até à morte.

(Foto: Reprodução/Nogueirense)

O exercício físico, segundo o fisioterapeuta, pode exacerbar os riscos, principalmente nos pacientes com diabetes, pois pressupõe falta de insulina (exercitar-se sem insulina), e a taxa glicêmica como um parâmetro para não correr riscos é de 250mg/dl.

“No tratamento para diabetes, o fisioterapeuta deve recomendar atividades aeróbicas de resistência e movimentos que consideram importantes, além de evitar aqueles que podem prejudicar o paciente, de acordo com a sua condição de saúde”, sugere Thiago.

E enfatiza que o profissional também ensinará treinos específicos para melhorar a função e o controle glicêmico, aliados à terapia manual, com o objetivo de atingir problemas comuns aos doentes.

“A prática regular de exercício físico, em especial os aeróbicos, diminui os níveis de glicose no sangue, estimula a produção de insulina, aumenta a sensibilidade celular à insulina, aumenta a capacidade de captação de glicose pelos músculos e diminui a gordura corporal, a qual está relacionada à diabetes tipo 2”, cita ele.

(Infográfico/O MUNICIPIO)

A quantidade ideal de exercícios varia e deve respeitar as condições físicas e a presença de complicações decorrentes da doença, através de uma avaliação médica.

Outro aspecto que Thiago lembra é que a maioria dos pacientes geriátricos diabéticos apresentam diabetes do tipo 2, sendo que a dieta, a perda de peso e a atividade física constituem medidas essenciais no tratamento.

“O processo de envelhecimento leva à degeneração dos músculos, ligamentos, ossos e articulações; o mau uso dessas estruturas e o diabetes podem acelerar esse problema. O paciente acometido de pé diabético, por exemplo, sofre várias limitações, inclusive tem dificuldades em realizar atividades simples do cotidiano”, destaca.

O fisioterapeuta diz ainda que, em muitos casos são necessárias internações prolongadas e recorrentes, o que os faz faltarem ao trabalho – contexto que deixa evidente a necessidade de intervenção fisioterapêutica no tratamento desta neuropatia, que requer tantos cuidados e atenção.

“Os fisioterapeutas devem estar preparados para trabalhar com pacientes com diabetes mellitus em qualquer situação, pois a atuação da fisioterapia inicia com ações preventivas para evitar úlceras, e com a execução de exercícios de alongamento, fortalecimento, treino na marcha e equilíbrio, adaptações de órteses e próteses para diminuir sequelas do pé diabético, proporcionando uma melhor qualidade de vida a esses pacientes”, aponta Thiago.

Segundo ele, fazer movimentos circulares com os pés a cada 15 minutos ajuda a manter uma boa circulação sanguínea nos membros inferiores, melhorando a oxigenação dessa área do corpo, diminuindo as chances de isquemia e trombose, problemas comumente associados ao pé diabético.

“A fisioterapia pode se tornar uma grande aliada na vida do diabético que muitas vezes apresenta problemas articulares e cardiovasculares; nestes casos, o fisioterapeuta irá trabalhar em busca da manutenção e da reabilitação das condições motoras, prevenindo e tratando todos os componentes do movimento humano necessários à maior funcionalidade do paciente”, finaliza Thiago.

Por Daniela Prado.

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