São João se despede de Joaquim Simião

Na última quinta feira (11), a sensação de luto pairou sobre a noite de São João da Boa Vista, com a notícia de que o médico neurocirurgião, ex-vereador e ex-prefeito Joaquim de Campos Simião falecera, aos 68 anos, após enfrentar problemas de saúde.

Prefeito de São João da Boa Vista entre 1993 e 1996, ele estava internado na Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros e deixa a esposa Haládia e as filhas Adriana, Haládia e Haudria.

O prefeito Vanderlei Borges de Carvalho decretou luto oficial de três dias pela morte de Joaquim Simião, expressando solidariedade aos familiares, em nota de pesar.

Considerado por muitos como um exemplo de ser humano, a morte do médico foi bastante sentida e exteriorizada, inclusive nas redes sociais.

Humano: palavra muito utilizada para definir Dr. Joaquim Simião – (Foto: Daniela Prado/O MUNICIPIO)

José Fernando Salles, médico ginecologista e obstetra, em postagem no Facebook, disse que “São João da Boa Vista perde um grande médico e um ser humano com um enorme coração. Dr. Joaquim de Campos Simião fará falta em nossa cidade, que Deus acolha sua alma e conforte sua família.”

Já o advogado e músico Leonardo Palhares Aversa recorda que o neurocirurgião sempre ajudava a quem o procurasse, independente da pessoa poder pagar pela consulta.
“Uma vez pedi a ele uma receita, para uma cliente minha que estava presa e com saída temporária. Ele não deu a receita, mas pediu o endereço dela. Para minha surpresa, à noite, o Dr. Joaquim foi à casa dela, a examinou, forneceu a medicação de graça e depois a internou na Santa Casa, fez todos os exames, cuidou dela por 3 dias e não cobrou nada”, conta Leonardo, ressaltando que a mesma cliente chegou a receber do Dr. Joaquim, recomendação de internação em clinica para drogados – hoje está recuperada, voltou a tocar na Igreja e Leonardo considera este, um milagre que Dr. Joaquim e ele participaram juntos.

Para Leonardo, a morte do neurocirurgião foi uma perda inestimável, tanto pelo médico excepcional que ele era, quanto pelo ser humano, pessoa sempre pronta a estender a mão para ricos, pobres, amigos e até desconhecidos.

Luciana Guimarães também se manifestou, sensibilizada pela morte do médico.
“Sou muito grata ao Dr. Joaquim. Ele me devolveu autonomia, no melhor tratamento, há 4 anos”, narra a cantora sanjoanense.

Luciana salienta que, na ocasião, Dr Joaquim foi ‘certeiro’ e o único dos médicos procurados que a encorajou a procurar o tratamento do protocolo de altas doses de vitamina D para seu diagnóstico de esclerose múltipla.

“Ligou diretamente para o médico de São Paulo e garantiu que eu ía ficar bem. E se sensibilizou muito pelo fato da minha filha ter só 6 meses de vida na época”, recorda a cantora, citando que a Haládia, filha do Dr Joaquim, é endocrinologista deste protocolo e também tem muito êxito nas pesquisas sobre o assunto.

Decio Madruga, que foi diretor do Departamento de Cultura na gestão de Joaquim Simião prefeito, também lamentou esta perda.

“Hoje, meu grande amigo Dr. Joaquim descansou. Cumpriu seu ministério na medicina aqui. Obrigado, irmão. Descanse em paz, meu amigo e irmão”, postou ele, em seu Facebook.

No Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino – UniFAE, onde Joaquim Simião foi professor na primeira turma do curso de medicina, do segundo semestre de 2014 até o final de 2016 (quando descobriu sua doença), a morte do médico também tocou a todos.

Em outubro de 2017, ele foi convidado a dar a aula inaugural para a quarta turma de Medicina, na entrega dos jalecos.

“O Dr. Joaquim sempre foi um professor muito colaborativo, que lutou para dar credibilidade à faculdade de Medicina. No início, o projeto foi difícil, tumultuado e havia muita descrença. Ele foi importante para dar ao curso a confiabilidade que precisava”, recorda Francisco Arten, reitor do centro universitário.

Arten revela que o UniFAE recebeu a notícia do falecimento do Dr. Joaquim com muita tristeza e que, alguns dias antes, ele estivera com os alunos do Internato na Santa Casa Dona Carolina Malheiros.

“E nós entendemos que aquela visita era uma despedida. Aqui no UniFAE ele gravou uma última entrevista, também recente, quando fez vários comentários a respeito da Faculdade que vamos disponibilizar, em breve, na íntegra”, avisa o reitor.

E completa que Dr. Joaquim deixou a faculdade tão logo soube de sua doença.
“Estava muito cansado e, a princípio, guardou isso como segredo. Só mais tarde é que descobrimos que o afastamento era por causa da doença. Como pessoa, digo que as homenagens, as reações do próprio público e dos alunos nos eventos são o melhor testemunho do quanto o Dr. Joaquim era amado, não só no meio acadêmico, mas também entre a população no geral”, finaliza Arten.

Reportagem: Daniela Prado.

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