Saiba quais são as dores de cabeça mais comuns

As dores de cabeça atingem mais de 70% da população brasileira, segundo a SBC – Sociedade Brasileira de Cefaleia.

Para saber quais os tipos diferentes que uma ‘simples’ dor de cabeça pode ter, a reportagem do O MUNICIPIO contatou Leonardo Lo Duca, que é neurologista e neurocirurgião.

Leonardo esclareceu que podem ser classificadas como primárias – quando não têm etiologia (causa) demonstrável pelos exames clínicos ou laboratoriais usuais – e secundárias, provocadas por doenças demonstráveis por tais exames. “Nestes casos, a dor seria consequência de uma agressão ao organismo, de ordem geral ou neurológica”, disse Leonardo.

Tipos distintos: cada uma tem sintomas e causas diferentes, embora a dor seja na cabeça (Arte: Reprodução)

 

Os principais exemplos das cefaleias primárias que o neurologista citou são a migrânea (enxaqueca), a cefaleia tipo tensão, a cefaleia em salvas e outras.

“Já a enxaqueca caracteriza-se por um tipo de cefaleia primaria. A cefaleia em salvas trata-se de uma dor de cabeça com forte intensidade, geralmente unilateral e sazonal, que não tem etiologia conhecida, porém sabe-se que ocorre um desequilíbrio do sistema neuro-vegetativo-vascular, causando tais sintomas”, apontou ele.

Quanto aos exemplos de cefaleias secundarias, Leonardo destacou as cefaleias associadas às infecções sistêmicas, disfunções endócrinas, intoxicações e ainda à hemorragia cerebral, às meningites, encefalites ou a lesões expansivas do SNC.

“Após o atendimento de um paciente com cefaleia, o médico deve estar seguro para optar entre o diagnóstico de cefaleia primária ou secundária. Os exames subsidiários deverão ser solicitados, quando há impossibilidade de certeza diagnóstica de cefaleia primaria”, comentou.

Para melhor compreensão, Leonardo explicou que as cefaleias primárias (enxaquecas, cefaleias tensionais, cefaleia em salva) são diagnosticadas clinicamente, através de anamnese e exame físico geral / neurológico, absolutamente normais, não sendo necessário investigação através de exames, fazendo-se mister o diagnóstico diferencial entre ambas.

“Esta abordagem sobre as cefaleias secundárias visa orientar o público leigo a uma recomendação diante da queixa específica de dor de cabeça, tendo em vista a elevada frequência com que remete os pacientes a procurarem atendimento nos ambulatórios, consultórios, Unidades Básicas de Saúde e Unidades de Emergências”, enfatizou o médico.

Quanto às cefaleias secundárias, a causa específica será identificada nos exames realizados, havendo remissão parcial a total, até três meses do início, firmando-se assim os três critérios reconhecidos para que a dor de cabeça seja assim considerada.

“As cefaleias primárias ainda têm uma subdivisão em mais de 50 tipos diferentes, ou seja, não somente as tensionais ou enxaquecas ou em salvas, e as secundarias subdividem-se em mais de 15 tipos”, ressaltou.

O tratamento e o prognóstico, segundo Leonardo, dependerão da etiologia da dor de cabeça, sendo as cefaleias primárias, na maioria das vezes, passiveis de controle; o reconhecimento imediato e o tratamento precoce da dor de cabeça secundária são essenciais para evitar complicações, as vezes, fatais.

Por Daniela Prado

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