A poliomielite, doença infectocontagiosa viral aguda e caracterizada por um quadro de paralisia flácida que acomete os membros inferiores, voltou a preocupar.
O Ministério da Saúde, juntamente com as Secretarias Estaduais e Municipais [de Saúde], irá realizar até o dia 31 de agosto, a Campanha Nacional de Vacinação contra a Pólio e Sarampo, tendo o dia 18 como o Dia D. O objetivo é manter elevada a cobertura vacinal contra esta doença nos municípios e evitar a reintrodução do vírus selvagem da poliomielite.
A médica Luiza Helena Milan Lise Ferreira, especialista em Pediatria e em Saúde Pública, que é diretora da Clinica de Vacinas UNIVACI, esclareceu à reportagem do O MUNICIPIO a respeito da poliomielite.
Ela recorda que as campanhas de vacinação contra poliomielite tiveram início em 1980 e que desde 1990 o país está livre da doença – o último caso foi registrado em 1989, em Souza, na Paraíba, sendo que, no Estado de São Paulo, o último foi em 1988, no município de Teodoro Sampaio.

“A transmissão ocorre por contato direto pessoa a pessoa, pela via fecal-oral (mais frequentemente), por objetos, alimentos e água contaminados com fezes ou pela via oral-oral, através de gotículas de secreções da orofaringe – ao falar, tossir ou espirrar”, explicou Luiza.
A falta de saneamento básico, as más condições habitacionais e a higiene pessoal precária estão entre os demais fatores que a pediatra cita como favoráveis à transmissão do poliovírus.
Trata-se de uma doença grave, que já foi responsável por danos irreversíveis a milhares de crianças no mundo todo.
“Apesar dos avanços obtidos desde o início do programa global de erradicação da poliomielite, a doença permanece endêmica no Afeganistão, Nigéria e Paquistão; além disso, outros [países]são considerados de risco, especialmente aqueles com baixa cobertura vacinal ou os que mantém viagens internacionais com relações comercias com estes países”, frisou a pediatra.
No Brasil, no ano de 1980, foi adotada como medida de controle da poliomielite a ampliação das coberturas vacinais por meio de campanhas de vacinação em massa, em todo o território nacional, utilizando-se a vacina oral Sabin, em duas etapas anuais, de um só dia cada, na faixa etária de 0-5 anos.
Luiza destacou que as ações de vacinação são fundamentais, tanto em ações de rotina como nas campanhas nacionais.
“O esquema vacinal do Calendário Nacional de Vacinação é composto por três doses da Vacina Inativada Poliomielite (VIP), administradas aos dois, quatro e seis meses de idade, sendo necessários dois reforços com a Vacina Oral Poliomielite (VOP) aos 15 meses e aos 4 anos de idade”, finalizou a médica.
O objetivo do Ministério da Saúde é vacinar indiscriminadamente contra a poliomielite e o sarampo, crianças de um a quatro anos de idade, contribuindo assim para a redução do risco de reintrodução do poliovírus selvagem, sarampo e rubéola.
A poliomielite não tem cura e sempre deixa sequelas, sendo a vacinação, o único meio de prevenir tal doença.
Confira as contraindicações para a vacinação contra a poliomielite:

Reportagem: Daniela Prado




