Fila de espera por cirurgias de catarata é de até 12 meses

Ao menos cinco meses se passaram e a fila de espera para pacientes que precisam realizar cirurgias de catarata no Hospital Regional de Divinolândia já chega a 12 meses. Pelo menos 1.900 pessoas aguardam pelo procedimento na unidade regional, que atende cerca de 30 cidades, sendo São João da Boa Vista e outras 15 da região, quatro municípios da alta mogiana (Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Estiva Gerbi e Itapira), além de algumas cidades do Sul de Minas Gerais.

Em janeiro deste ano, O MUNICIPIO apurou que pelo menos 4.400 pacientes aguardavam por algum tipo de procedimento no HR. Do total, 2.400 aguardavam tomografia ocular e outros 2.000 já estavam, naquele mês, na lista de espera para cirurgia de catarata.

À época, o Conderg (Consórcio de Desenvolvimento da Região de São João da Boa Vista), que administra o HR, informou que a demanda havia se intensificado a partir de março de 2017, quando o aparelho OCT (sigla em inglês para Tomografia de Coerência Ótica) quebrou e comprometeu diagnósticos de retina e glaucoma.

Entretanto, mesmo o dispositivo tendo voltado a funcionar e os exames restabelecidos, outros fatores agravaram a situação e contribuíram para o elevado número de pacientes.  De acordo com a coordenadora do Conderg, Rita de Cássia Peres Teixeira Zanata, além da migração de pacientes, que pela crise financeira deixaram seus planos particulares para o SUS (Sistema Único de Saúde), houve o aumento da estimativa de vida da população e a diminuição do Projeto de Cirurgias Eletivas pelo Ministério da Saúde, que foi também um fator agravante.

Conforme Rita, o Centro Oftalmológico “Dr. Newton Kara José”, que antes realizava até 300 cirurgias de catarata por mês – por meio de mutirões do Ministério permanentes até 2015 -, agora efetua ao menos 50 procedimentos mensais.

“Em 2016 não foi realizado o projeto. Em 2017, o ministério retomou o Projeto onde foram destinados recursos financeiros para a realização de 287 cirurgias no ano [média de 24 por mês]; cumprimos em 100%. Em 2018, novamente recebemos recursos financeiros para participar do projeto onde foram realizadas 260 cirurgias, além da pactuação que hoje é de 50 cirurgias de catarata/mês”, disse.

E o agravamento da situação financeira do hospital foi se acentuando ainda mais nos últimos meses por conta da redução nos valores de recursos oriundos das esferas estadual e federal.

No começo do ano, a coordenadora do Conderg informou que a falta de incentivos pelo Ministério da Saúde, de certa forma, contribuía na limitação do atendimento às necessidades da população. “Somos 100% SUS e no mínimo há 15 anos não há aumento. O Conderg vem arcando com os restantes das despesas”, afirmou.

Na ocasião, segundo Rita, o repasse do orçamento de 2015 era em torno de R$ 28,9 milhões; em 2016 foi de R$ 27,6 milhões; em 2017 era de R$ 27,5 milhões; e, para 2018, estava previsto em R$ 25,5 milhões. E, pelas contas feitas pela reportagem, calculava-se que o valor mensal neste ano seria de aproximadamente R$ 2,1 milhões.

Todavia, a reportagem apurou que o Ministério da Saúde tem repassado verba em torno de R$ 1,7 milhão por mês ao hospital, o que corresponde a R$ 400 mil a menos todos os meses ao HR.

Para amenizar a situação, a Rita Zanata, que também é presidente do Conselho de Prefeitos, solicitou audiência com o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, em Brasília (DF). A reunião está agendada 25 de julho. “Em conjunto com os prefeitos da região, levaremos ao conhecimento do ministro a situação, assim como solicitaremos aumento do teto MAC (Média e Alta Complexidade), além de outros assuntos relevantes para nossa região, pois somos um Hospital 100% SUS”, antecipou.

Quanto à fila de espera de aproximadamente um ano para as cirurgias de catarata, Rita finaliza: “podendo ser mais rápida se houver caso de urgência/emergência, o que é determinado pelo médico”, ressaltando que não houve nenhum caso de cegueira total nos registros do HR proveniente de catarata.

MUNICÍPIOS

Os municípios que integram o Conderg (Consórcio de Desenvolvimento da Região de São João da Boa Vista) repassam R$ 0,30 per capita ao consórcio para a manutenção dos serviços, entre eles manutenção de todos os equipamentos.

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