Nas últimas semanas, o preço do litro do leite UHT (longa-vida) disparou nas gôndolas dos supermercados de São João da Boa Vista. Uma das marcas mais praticadas no mercado e que até o final de maio era vendida em média por R$ 2,49, na segunda quinzena de junho já custava R$ 3,98, alta de 60%. E o valor ainda se mantém o mesmo.
A baixa oferta, entressafra do produto e o pós-greve dos caminhoneiros são as explicações e sustentam o movimento de alta, apontou o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), da Universidade de São Paulo.
“O bloqueio de rodovias e o desabastecimento de combustíveis prejudicaram o fornecimento de insumos para a produção e também o transporte do leite para as indústrias. Assim, a oferta no campo, já impactada pelo clima desfavorável, foi ainda mais reduzida com o descarte de leite no campo”, afirmou o Cepea em publicação mensal sobre o mercado lácteo no País.
Segundo o Centro, no pós-greve, as empresas tiveram que lidar com a situação conjunta de desabastecimento, produção limitada, matéria-prima cara e esvaziamento de estoques, fatores que impulsionaram as cotações dos derivados entre o final de maio e a primeira quinzena de junho – mesmo diante da demanda enfraquecida.
No período entre 25 de maio a 15 de junho, por exemplo, o preço do leite UHT (longa-vida) comercializado entre indústrias e atacado do Estado de São Paulo registrou alta acumulada de 29,3%, saltando de R$ 2,45/litro para R$ 3,15/l.
“O aumento expressivo nos valores ocorreu como única saída para as empresas recomporem seus estoques e poderem, assim, normalizar seus negócios – o que deve ocorrer até o final de junho”, informou o Cepea.
ESPANTO
E o consumidor, que segue com o poder de compra enfraquecido diante da estagnação econômica, ficou mais ‘assustado’ em junho. Na manhã desta quarta-feira (20), a dona de casa Elaine Carvalho estava em um supermercado da cidade e pesquisava os preços com olhar atento. Ela costumava comprar o leite de uma das marcas que há cerca de um mês custava R$ 2,49 e hoje está no maior valor. “Agora já está custando R$ 3,98. Está muito alto”, reclamou.
Outra marca observada por Elaine e que em maio estava, em média, R$ 2,69, já chega a R$ 3,58, aumento de 33%.
No mesmo comércio, com o litro custando aproximadamente R$ 4, consumidores optavam por uma marca mais barata e na oferta. “Vou pagar R$ 3,29. Mesmo em oferta, é o melhor a se fazer, até que os preços se estabilizem e voltem ao patamar anterior”, disse o aposentado Antônio Batista de Souza, 72.
Outro reflexo de preços maiores pode ser observado em produtos derivados do leite, principalmente o queijo. Os laticínios estão chegando com preços maiores, em torno de 12%. O quilo da mussarela, por exemplo, está, em média, R$ 30. “Comprei 300g por R$ 8,70. Mas pensei muito antes, já que dava para comprar quase três caixas de leite”, brincou um cliente, que não quis se identificar.




