As manifestações de caminhoneiros contra o aumento do preço do diesel, desencadeada em todo o País nesta semana, também aconteceram em diversas cidades da região de São João da Boa Vista.
Protestos em Araraquara, Pirassununga, Porto Ferreira, Mococa e Águas da Prata, por exemplo, foram marcadas por queima de pneus, lentidão no trânsito e até acidente.
Em Pirassununga, na rodovia Anhanguera (SP-330), caminhoneiros atearam fogo em pneus no km 207, perto de uma das entradas da cidade. Eles não chegaram a bloquear a rodovia, mas seguiram pela faixa da direita, em baixa velocidade baixa.
Entre Águas da Prata e Poços de Caldas, no local conhecido como Marco Divisório, ocorre uma das maiores paralisações da região. Mais de 150 caminhoneiros participam do protesto.
Em Mococa, os caminhoneiros protestaram na rodovia Prefeito José André de Lima (SP-340), que liga a cidade à Casa Branca, e também Santa Cruz das Palmeiras.
Na rodovia Abraão Assed (SP-338), os caminhoneiros estacionaram os veículos no acostamento do trecho que liga Mococa a Cajuru, e disseram que permanecerão no local até as 17h.
Em Aguaí, as manifestações se intensificaram na quinta-feira (24).
De acordo com o major Alexandre Bergamasco, sub-comandante do 24º BPM/I (Batalhão da Polícia Militar do Interior), sediado em São João, os protestos pela região têm sido pacíficos e o diálogo com os caminhoneiros tem ocorrido de forma tranquila.
REFLEXOS
A paralisação dos caminhoneiros por toda a região teve reflexos imediatos em todas as cidades.
A Polícia Militar, por exemplo, alterou o plano operacional e passou a fazer deslocamentos com muito mais critérios, para evitar desabastecimento das viaturas.
E a preocupação dos cidadãos começa a aumentar quando a possibilidade de faltar alimentos começa a ficar próxima.
Max Juliano Gomes Gonçalves, proprietário da empresa sanjoanense Casa de Carnes Daliza, revela que está preocupado e afirma que não está recebendo parte dos produtos desde quarta (23). No açougue, as carnes bovinas são entregues às terças, quartas e quintas; as suínas às segundas e quintas; as de frango às terças e quartas.
No caso da carne de frango, Max conta que não recebeu. “Eu liguei lá e me avisaram que o caminhão não foi liberado e teve que voltar”, disse.
Segundo ele, se as entregas não forem feitas, os estoques de carnes vão durar no máximo até segunda-feira (28). “Se não chegar, vou ter que abaixar as portas”, contou.
Na Rede Forte Mix, as entregas de alguns produtos começam a ter problemas, porém os estoques ainda não foram afetados.
A gerente Rita Aguiar diz que algumas empresas já avisaram que não vão conseguir enviar produtos como, por exemplo, pães de forma e bebidas.
COMERCIANTES
Segundo a ACE (Associação Comercial e Empresarial) de São João, a paralisação dos caminhoneiros já começa a causar problemas no abastecimento da cidade. Postos de gasolina e empresas do setor alimentício (que trabalham com produtos perecíveis) já começam a sentir os efeitos da greve. Para a entidade, os bens duráveis e semiduráveis serão menos impactados porque o setor não espera elevado volume de vendas neste período do ano.
A Associação Comercial aproveita para pedir bom senso aos empresários, para que evitem reajustar os preços, especialmente de produtos de primeira necessidade, visando explorar a situação de eventual desabastecimento. “Para a ACE é necessário que o governo e os sindicatos sentem-se à mesa para uma negociação séria, visando buscar uma solução para o impasse, pois o quadro pode se agravar e desencadear desabastecimento, que atingiria especialmente a população mais carente”, informou.
Confira reportagem completa sobre os impactos da paralisação dos caminhoneiros em São João da Boa Vista e região.




