Desde sábado (31), consumidores de todo país encontraram medicamentos com preços reajustados em 2,09%, 2,47% ou 2,84%, percentuais que variaram de acordo com o perfil de concorrência de algumas substâncias. Os aumentos, autorizados pelo governo federal, foram publicados no DOU (Diário Oficial da União) da última quinta-feira, 29 de março.
Algumas farmácias e drogarias de São João da Boa Vista repassaram o aumento, tendo em vista que os fabricantes já haviam feito o reajuste. E os consumidores que foram às compras no último final de semana se assustaram com os valores.
“Alguns clientes, principalmente aqueles que tomam medicamentos de uso contínuo, sentiram no bolso e reclamaram do reajuste. Alguns até disseram: ‘nossa, paguei menos no mês passado’”, disse Flávia Braido Mendes Miguel, gerente de uma drogaria localizada no Centro de São João.
“Assim fica difícil para quem precisa se medicar continuamente. Desse jeito, vou começar a me alimentar somente com remédios, porque os preços estão até maiores do que muitos alimentos básicos”, ironizou a aposentada Emília Aparecida dos Santos, 58, que faz uso de substância que se enquadrou em uma das classes que sofreram reajuste.
Os aumentos foram autorizados para três categorias. Na primeira delas, onde se encaixam os remédios de maior concorrência, como o Rivotril (Clonazepam) e o Losec (Omeprazol magnésico), os preços foram reajustados até 2,84%.
A segunda, da classe de moderada concorrência, onde se enquadram os antibióticos, o Tylex (analgésico e antitérmico), o Yasmin (contraceptivo) e o Viagra (para disfunção erétil e impotência sexual em homens), terão aumento de até 2,47%.
Já a terceira, de produtos de custo maior, terá o menor percentual de reajuste, de 2,09%. Nesse grupo estão os remédios para AVC (Acidente Vascular Cerebral) Isquêmico, como o Actilyse, o Casodex (indicado para tratamento de câncer de próstata), e medicamentos antitrombóticos, como o Clexane (contra a formação ou presença de um coágulo sanguíneo dentro de um vaso baixa concorrência e alta tecnologia).
A Cmed (Câmara Técnica de Regulação de Medicamentos), órgão vinculado à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), foi a responsável pelos cálculos, com teto de reajuste com base no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Por meio da Cmed, periodicamente, o governo controla o aumento de preços de remédios.
De acordo com a regulamentação da Cmed, o aumento se dá apenas sobre os medicamentos advindos da medicina tradicional (alopáticos) e não abrange demais produtos (fitoterápicos e homeopáticos).
Conforme o Ministério da Saúde, a média percentual do reajuste será de 2,38% para aproximadamente 13 mil medicamentos comercializados no Brasil será de 2,38%. “É menor que o da inflação registrada entre março de 2017 e fevereiro deste ano, que foi 2,84%, e também do registrado no ano passado, quando o índice ficou em 2,63%”.
REAJUSTES
DIFERENTES
O governo federal autoriza o maior percentual de reajuste aos medicamentos mais baratos que já mantêm os preços abaixo do teto. Essas substâncias geralmente sofrem a concorrência de genéricos ou similares.
Já os percentuais menores, são aplicados aos medicamentos de média e baixa concorrência. São produtos mais de alta tecnologia e geralmente mais caros.




