A grande quantidade de queimadas em todo Brasil e também em São João da Boa Vista, em 2017, fez com que o Conseg (Conselho de Segurança) passasse a buscar medidas para evitar episódios deste tipo na cidade neste ano. Na última semana, a primeira ação para precaver estes acontecimentos no município foi criada: um grupo de combate a queimadas.
“Nosso intuito é que na próxima temporada de queimadas [nos primeiros meses do segundo semestre] a sociedade esteja preparada para combater o problema, que envolve segurança, saúde e diversos outros fatores que implicam na qualidade de vida e no bem estar das pessoas”, pontua o presidente do Conseg, David Noronha.
O grupo – encabeçado pelo Conselho e formado por representantes das polícias Militar, Civil e Ambiental, Corpo de Bombeiros, Sabesp, ONGs, proprietários da zona rural e voluntários – vai a partir de agora criar medidas em busca de reduzir o número de queimadas na cidade; além de instruir os sanjoanenses a agirem em caso de incêndios.
“Foram apresentados casos de incêndios que ocorreram no ano passado tanto na área urbana quanto na rural e problemas enfrentados em cada ocasião. Agora, com este grupo de trabalho, vamos desenvolver ações de combate às queimadas. Algumas das medidas que podem ser tomadas, por exemplo, é a criação de brigadas de incêndio para contribuir no momento em que o problema ocorrer e também foi discutida a possibilidade da instalação de sinalização e equipamentos para detectar queimadas”, concluiu Noronha.
NÚMEROS
PREOCUPANTES
Os números do ano passado em relação a queimadas demonstram preocupação em todo Brasil. O país terminou 2017 com mais de 270 mil focos de fogo, recorde atingido desde 1999, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) iniciou este tipo de estudo.
O Estado de São Paulo não ficou de fora deste alto índice e, em determinado período do ano, cinco municípios desta região ficaram entre os 25 primeiros no número de queimadas.
O Corpo de Bombeiros de São João da Boa Vista, que atende as cidades de São João, Aguaí, Vargem Grande do Sul e Águas da Prata, entre 1º de junho e final de setembro de 2017, registrou cerca de 240 atendimentos relacionados a queimadas.
E esse número representa, segundo os Bombeiros, um aumento de quase 200% em relação a 2016.
Neste mesmo período, a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de São João atendeu mais de 2.000 pacientes com problemas respiratórios. A maioria dos atendimentos foi relacionada ao clima seco, a ausência de chuvas e ao grande número de queimadas na cidade.
CAUSAS DAS
QUEIMADAS
Além de incêndios clandestinos, muitas vezes criados por proprietários de terrenos com mato alto, o tempo seco que caracteristicamente ocorre no início do segundo semestre é outro fator que pode ocasionar queimadas.
Com a baixa umidade do ar e pouca chuva típicos da época, folhas e galhos ficam mais ressecados, o que aumenta a possibilidade de acontecerem queimadas. Em julho e agosto de 2017, a Elektro registrou 115 ocorrências que ocasionaram desligamentos da rede de energia elétrica. Ao todo, mais de 76 mil clientes foram afetados naquele período.
As queimadas próximas à rede elétrica podem provocar o desligamento de energia. Mesmo sem atingir a rede, elas podem colocar em risco o fornecimento, já que para provocar curtos-circuitos nas linhas de alta tensão não é necessário que as chamas encostem nos cabos. O calor das queimadas e o campo ionizado em volta desses fios são suficientes para criar um efeito chamado de arco-voltaico.



