Um tamanduá-bandeira apareceu no piscinão do bairro Recanto do Lago na última semana e despertou a curiosidade dos sanjoanenses. Um internauta chegou a gravar um vídeo do animal e postou nas redes sociais, já que o aparecimento do bicho causou curiosidade – por ser um espécime incomum na região e por estar em um habitat bastante diferente do de costume, o de serrado.
Segundo a reportagem do O MUNICIPIO apurou, a Polícia Ambiental, bem como especialistas em fauna silvestre, tentaram localizar o tamanduá, que simplesmente não mais foi visto. Um dos especialistas aponta que, se o animal não for capturado, corre forte risco de morte, seja por atropelamento, ataque de cães ou ser abatido por pessoas mal informadas.
Conforme o biólogo e educador ambiental Herivelton Carlos Caldas Moreira, o adequado seria capturar o animal e reintroduzi-lo ao habitat natural. “E o mais próximo que a gente conhece é o Parque Nacional da Serra da Canastra”, disse. O parque abrange parte do território de três municípios: São Roque de Minas, Sacramento e Delfinópolis, no sudoeste de Minas Gerais.
Segundo Moreira, mesmo que a região de São João abrigasse animais da espécie, não seria adequada a permanência, já que precisaria de uma área aproximada de 9.000 hectares de serrado – o que equivaleria a 90 km² – para sobreviver. “E em nossa área de serrado aqui – nós temos uma transição de mata atlântica e serrado – é ínfima para o porte de um tamanduá-bandeira. O adequado mesmo seria a triagem dele para outra região”, afirmou.
O biólogo informou, ainda, que não há informações sobre o paradeiro do animal, se permanece na área, tenha sido capturado ou ainda está vivo. “Houve boatos de que o animal teria sido morto e até uma página fake (falsa) foi criada no Facebook, com o logotipo do site G1, e que mandaram para a gente, dando conta que o animal tinha sido abatido. Mas isso não existe. Não sei qual a intenção dessas pessoas. Já fizemos uma busca para tentar avistar o animal, mas não conseguimos”, contou. De acordo com ele, o animal pode estar vagando às margens do córrego São João.
Plínio Bruno Aiub, médico veterinário e professor da disciplina Animais Silvestres, do UniFEOB (Centro Universitário Fundação de Ensino Octávio Bastos), disse que esteve no local, mas não encontrou o animal. “Recebi mensagens de amigos logo pela manhã e fui atrás, mas não o localizei. Na madrugada seguinte, o animal foi visto quase atravessando a avenida Mantiqueira, foi tocado até chegar à mata do Ciprejim (Consórcio Intermunicipal de Preservação da Bacia do Rio Jaguari Mirim). Depois não foi mais visto”.
De acordo com Aiub, apesar de habitar o serrano e ser incomum, ocorre na região. Ele explica que, provavelmente, o animal deve ter entrado pelo pontilhão – por baixo da rodovia que liga Águas da Prata a São João – passou por ali e ganhou a margem do piscinão. “Não é que o aparecimento dele seja de uma espécie exótica, mas é muito mais incomum. Vi, em pesquisa, a ocorrência desse animal na região em 2017. O que é mais comum é o tamanduá-mirim”, contou.
O veterinário lembrou ainda que o animal costuma usar as matas ciliares dos rios para a mobilidade e é possível que o surgimento esteja ligado a desmatamentos ou a monoculturas. “Podem ser plantações, grandes extensões de terras aradas. Isso sim é retirada de habitat do tamanduá”, considerou. Aiub informou ainda que, como trabalha com conservação de fauna, está preparado para qualquer eventualidade, caso o chamem para retirar o animal das redondezas e, assim, levá-lo para um local mais seguro.
CURIOSIDADES
O tamanduá-bandeira se alimenta de formigas, cupins, vespas e demais insetos, os quais ele consegue fazer a apreensão com sua longa língua. Não é um animal agressivo, a menos que se sinta acuado. Mas um tamanduá-bandeira adulto possui unhas pontiagudas nas patas dianteiras, que podem chegar a 12 centímetros de comprimento e comumente usadas para escavar em busca de alimento ou para se defender e dar um ‘abraço mortal’.
SERVIÇO
A orientação é que, caso alguém veja o tamanduá-bandeira, imediatamente ligue para a Polícia Ambiental (3638-1700) ou Corpo de Bombeiros (193 ou 3622-2954).



