Plínio de Arruda Sampaio Jr., filho do saudoso Plínio de Arruda Sampaio, pode ser o nome do Psol (Partido Socialismo e Liberdade) à presidência da República.
Nascido em São Paulo, Plínio Jr. sempre teve estreitas ligações com São João da Boa Vista, onde morou por muitos anos.
O MUNICIPIO conversou com Plínio nesta semana, o qual ressaltou que possui relações familiares e afetivas com São João. “Meu avô materno, José Osório Oliveira Azevedo, é nascido no município. Minha avó, Maria Rosa Ribeiro Azevedo, é de São José do Rio Pardo. Até a adolescência, passava quase todas as férias no sítio de meus avôs na serra que fica na fronteira com a Prata. Depois, São João virou o refúgio de São Paulo. No ano 2000, comprei um pedacinho de terra no pé do mato. Quando minhas filhas nasceram, eu e minha mulher decidimos mudar para São João para morar na roça. Reformamos uma baia e ficamos 13 anos no sítio. Eu fazia o vai e vem para a Unicamp e ela para São Paulo. Até hoje, foi a casa em que vivi por mais tempo na minha vida. Agora, com as meninas grandes, voltei a São Paulo, mas temos muitos amigos em São João e vamos com regularidade ao sítio”, contou.
Formado em economia pela USP (Universidade de São Paulo) e com doutorado na Unicamp, Plínio é professor do Instituto de Economia da Universidade de Campinas desde 1986.
POLÍTICA
Plínio disse ao O MUNICIPIO que o interesse pela política começou cedo. “A cassação dos direitos políticos de meu pai e, em seguida, seu exílio politizaram a vida familiar”, explicou.
O professor universitário lembra que a casa dele sempre foi aberta aos exilados e a discussão política era ininterrupta. “Apreendi muito escutando as histórias dos estudantes e operários que chegavam estropiados fugindo da opressão”, relatou.
Ele ainda se recorda que a discussão política atravessava todas as gerações e acontecia na escola, no ônibus e nas ruas. “Mesmo menino, participávamos intensamente de manifestações e atos políticos”.
Por coincidência, Plínio e a família viveram nos Estados Unidos num período também bastante agitado. “Chegamos em 1971, pouco depois do assassinato de Martin Luther King, e pegamos o rescaldo do clima de rebeldia dos negros que lutavam por direitos civis. Vivemos também o movimento contra a guerra do Vietnam. Lembro-me que logo que chegamos, ainda sem saber falar inglês, acompanhei meu pai na grande manifestação contra a guerra na frente do Congresso americano. Mais de um milhão de pessoas foram às ruas exigir o fim da guerra. Depois, veio o impeachment do Nixon, que nós acompanhávamos em casa como novela. Enfim, minha infância e juventude foram marcados pela política”, detalhou.
De volta ao Brasil em 1975, um ano antes dos pais dele, entrou na USP e engajou-se na luta dos estudantes contra a ditadura militar e, rapidamente, passou a frequentar a periferia de São Paulo por intermédio das comunidades eclesiais de base. “A igreja de D. Paulo era uma escola política. Daí veio, quase que naturalmente, a militância no Partido dos Trabalhadores, que durou até a degringolada irreversível do partido, quando Lula chegou ao poder. O meu começo na política foi mais ou menos assim”.
A CANDIDATURA
Sobre os motivos que o levaram a colocar seu nome como opção do Psol para disputar a presidência da República, Plínio diz que toda candidatura é expressão de uma vontade política. “Coloquei meu nome à disposição da moçada para a disputa da presidência da República para dar voz a um expressivo contingente de forças políticas que acreditam na importância de que o Psol se apresente em 2018 com um programa e uma candidatura claramente diferenciada do PT e do ‘lulismo’. Aceitei a tarefa da candidatura porque fui convencido de que posso servir como instrumento para aglutinar as forças que querem levar a ruptura com o PT às últimas consequências. A reorganização da esquerda socialista é vital para enfrentar o ataque desleal aos direitos dos trabalhadores, às políticas sociais e à soberania nacional”.
Mas, para que seu nome seja oficializado, Plínio terá que ser escolhido na Conferência Eleitoral da sigla, que ocorrerá em 10 de março. “Nós não desistimos de lutar por um processo mais democrático que passe por uma ampla consulta às bases do partido, após um ciclo de debates entre os pré-candidatos”.
E o professor tem grandes chances de ser o escolhido, pois revela que tem o apoio de grandes lideranças e intelectuais do partido, como Luciana Genro, Renato Cinco, Robério Paulino, Carlos Giannazzi, Paulo Arantes, Ricardo Antunes, Jorge Souto Maior, Henrique Carneiro, Ruy Braga, Álvaro Bianqui e Daniela Mussi. “Represento o Psol que não aceita que o partido se transforme em linha auxiliar do petismo e que exige uma ruptura definitiva e irreversível com o ‘lulismo’. O PT não é um partido de esquerda. Há muito que o PT vendeu a alma para o diabo”, concluiu.
PLÍNIO DIZ QUE GOVERNO TEMER É CATASTRÓFICO
Para o professor de economia da Unicamp, o presidente Michel Temer (MDB) colocou o país a reboque dos grandes e pequenos negócios sem nenhuma preocupação com bem-estar da população e a defesa dos interesses estratégicos da nação. “Desmantelou a CLT, congelou por 20 anos as políticas sociais, ameaça acabar com a Previdência Social e aprofundou a privatização do petróleo e do setor elétrico”, criticou.
Para Plínio, a substituição de Dilma Rousseff, que ele avalia como um governo péssimo por outro ainda pior, que ele intitula como a República dos Delinquentes liderada por Temer, “só agravou a crise profunda que destrói o sistema político brasileiro”.
O economista ainda afirma que o Brasil vive um processo de reversão neocolonial, cuja essência consiste no progressivo rebaixamento do patamar mínimo de civilização conquistado, segundo ele, a duras penas pela luta do povo brasileiro. “O avanço da barbárie, visível a olho nu nas grandes metrópoles, é o produto da preponderância absoluta da lógica dos negócios na organização da vida econômica, social, política e cultural. Isso precisa mudar. Há mais de 500 anos, a sociedade brasileira não enfrenta seus problemas fundamentais – a segregação social e a dependência externa. Chegamos ao limite. A corrupção generalizada é um aspecto da crise geral. A raiz do processo é o assalto do capital sobre o Estado. Sem mudanças estruturais profundas, o Brasil vai se afundar no pântano”.




