Mais uma vez, a população sanjoanense demonstra enorme insatisfação com os serviços oferecidos pelos Correios em São João da Boa Vista e denuncia atrasos e até mau atendimento na unidade local.
O MUNICIPIO, inclusive, já trouxe matérias anteriores sobre o problema, que foi cessado temporariamente no ano passado após intervenção do Ministério Público Federal (MPF).
Em agosto de 2017, o procurador da República, Guilherme Rocha Göpfert, da Procuradoria Federal sediada em São João, questionou, por meio de um inquérito, os Correios sobre os atrasos e pediu providências.
Na época, membros da superintendência estadual de operações da estatal estiveram na Procuradoria e se comprometeram a regularizar a distribuição de correspondências em São João, no prazo de 60 dias.
Para isso, os Correios trouxeram mais de 40 carteiros de Campinas para São João e, para o procurador, o problema havia sido resolvido.
Porém, desde o final do ano passado, as denúncias envolvendo atrasos nos Correios de São João voltaram a acontecer.
Para se ter uma ideia do tamanho da insatisfação, após publicação da reportagem do O MUNICIPIO nas redes sociais, foram mais de 130 reclamações em pouco mais de 2 horas narrando atrasos dos Correios.
Karin Cristina conta que seu irmão recebeu uma multa e não pode recorrer porque os Correios entregaram o documento no último dia, já no final da tarde. “Isso porque a multa foi em novembro e ainda colocaram a carta no salão que tem ao lado”, reclama.
Grazi Rocha Geremias Valente acredita que todo mundo na cidade está com esse problema e diz ter pena de quem não tem acesso à internet. “Quem tem acesso à internet é menos pior. Tenho dó do pessoal que não tem acesso a essa tecnologia e que nem sabe como fazer e ainda é passado para trás com multas e cortes”.
A funcionária pública Debora Ambrosio vive o mesmo drama, pois seus boletos chegam sempre 15 dias após o vencimento. “O INSS mandou uma carta [avisando] que a aposentadoria do meu marido tinha saído, as financiadoras já estavam ligando em casa, oferecendo empréstimo consignado e ele não sabia que estava aposentado”, ironiza.
E tem aqueles que lembram da eficiência que os Correios sempre tiveram e arriscam dizer o que pode estar acontecendo. “A gente sabe que os Correios historicamente foram uma empresa pontual, talvez a mais eficiente empresa pública. Isso tem cara de sucateamento e parece de propósito”, opina Cristiano Censoni.
As reclamações são inúmeras e nos mais diversos pontos da cidade, do centro à periferia.
Na tarde desta terça (30), a reportagem do O MUNICIPIO esteve na central de distribuição dos Correios em São João, localizada à rua Hugo Sarmento. Era por volta das 14 horas e mais de 20 pessoas aguardavam na fila, em busca de informações sobre cartas e mercadorias.
Eliseu Macel Domingos já estava há quase uma hora na fila para conseguir alguma notícia da chuteira que iria dar para o filho no Natal. “Faz 2 meses que meu cunhado mandou a chuteira e até agora nada. Era o presente de Natal do meu filho”.
Situação bem parecida enfrenta Fabiana Aparecida, que também estava na fila dos Correios há quase uma hora. “Já é a segunda vez que venho aqui em busca de informações de um produto que comprei no Mercado Livre em 8 de janeiro. A única informação é que, de 13 a 27 de janeiro, ele está parado em Indaiatuba”, conta indignada.
Fabiana orienta a quem for buscar informação de rastreio, para nem perder tempo. “Nem vem, que não informam nada”.
Eduardo dos Santos, também aguardando por informações, diz que já esteve três vezes no local e reclama do mau atendimento. “Os funcionários são grossos, todos mal educados, não dão informação nenhuma”, denuncia.
PROCURADOR FEDERAL PROMETE AGIR NOVAMENTE
O MUNICIPIO esteve, nesta terça (30), com o procurador da República Guilherme Rocha Göpfert, o qual tem acompanhado este problema envolvendo os Correios desde o ano passado.
Aliás, em razão de uma intervenção do procurador é que os Correios normalizaram as entregas entre agosto e novembro de 2017.
Mas, após as recentes denúncias levadas pela reportagem do O MUNICIPIO, Guilherme Rocha Göpfert revelou que vai oficiar os Correios ainda esta semana, para que eles respondam com urgência sobre esta situação e quais medidas vão adotar.
“Serviço público essencial, como Correios e Santa Casa, é prioridade do nosso trabalho. Tudo que tem cunho de essencialidade tratamos com muito rigor”, afirma o procurador.
Guilherme ainda ressalta que existe boa vontade dos responsáveis pelos Correios por aqui, mas aponta que houve um sucateamento absurdo da máquina federal nos últimos anos. “Vou ficar em cima e acreditamos que teremos resposta positiva e vamos cobrar deles tudo que prometeram”, avisa.
NOVOS LOCAIS
Em reunião realizada em 23 de agosto de 2017, na sede do MPF em São João, representantes da estatal informaram que até o final de outubro os serviços da empresa seriam estendidos aos 11 bairros da cidade que ainda careciam de atendimento.
Eram eles Aurora, Bromélias, Colinas do Alegre, Condomínio Pôr do Sol, Jacarandás, Jardim Alto da Paulista, Jardim Nova Europa, Portal da Aliança, Portal da Mantiqueira, Recanto da Serra e Vila Yara.
No entanto, os Correios parecem não ter cumprido, pelo menos em parte, com o que prometeram ao MPF.
Isso é o que indica a denúncia de Suellen dos Santos, moradora do Jacarandás. Segundo ela, a sua rua não possui CEP até hoje. “Queria saber quando terá, porque não posso dar meu endereço para nada. Aqui não chega correspondência nenhuma”, questiona.
O procurador Guilherme Göpfert afirma que também vai cobrar dos Correios explicações sobre esse assunto.



