Crise financeira agrava situação no Hospital Regional

Pelo menos 2.400 pacientes aguardam para realizar tomografia ocular no Hospital Regional de Divinolândia e outros 2.000 estão na lista de espera para cirurgia de catarata.

Segundo o Conderg (Consórcio de Desenvolvimento da Região de São João da Boa Vista), que administra o HR, a demanda se intensificou a partir de março de 2017, quando o aparelho OCT (sigla em inglês para Tomografia de Coerência Ótica) quebrou e comprometeu os diagnósticos de retina e glaucoma. O problema está próximo de completar um ano.

A situação se agravou ainda mais em virtude da grave crise financeira enfrentada pelo hospital, que carece da destinação de recursos oriundos dos governos estadual e federal. Conforme O MUNICÍPIO apurou, o hospital referência em cirurgia eletiva na região não tem o custo de alguns procedimentos cirúrgicos suprido pelo valor real repassado pelo SUS (Sistema Único de Saúde), o que acarretou em déficit financeiro, especialmente no Pronto-Socorro, Clínica Médica e o Centro Cirúrgico.

A coordenadora do Conderg, Rita de Cássia Peres Teixeira Zanata, informou que a Secretaria de Estado da Saúde não assinou o convênio com o programa Pró Santa Casa em 2017 e, desde então, o consórcio ficou sem verba. Em 2016, os recursos vieram por apenas seis meses.

De acordo com Rita, o agravante é a estabilização da tabela SUS (Sistema Único de Saúde) e a falta de incentivos pelo Ministério da Saúde, o que restringe o atendimento às necessidades da população. “Somos 100% SUS e no mínimo há 15 anos não há aumento. O Conderg vem arcando com os restantes das despesas. Para se ter uma ideia do repasse, o orçamento de 2015 era de R$ 28.969.552,76; em 2016 era de R$ 27.689.477,00; em 2017 era de R$ 27.502.681,83; e, para 2018, está previsto em R$ 25.524.064,00”, informou.

Além disso, o Centro Oftalmológico “Dr. Newton Kara José”, que antes realizava entre 270 e 300 cirurgias de catarata por mês, agora efetua ao menos 50 procedimentos por conta da falta de repasse. A unidade do HR é referência na região para cirurgias de glaucoma e catarata.

Rita explicou que a maioria das cirurgias era custeada pelo hospital. “Às vezes, o governo federal lançava o Projeto de Cirurgia Eletiva, que não acontece desde 2015. E nem houve repasse daquelas realizadas em 2015, de R$ 231.019,32, valor que tivemos que arcar com todo o financiamento. Hoje, realizamos em média 50 cirurgias de catarata, visto que recebemos apenas para esta quantidade, que é autorizada pelo SUS”, disse.

Segundo a coordenadora, no final de 2017 foi aprovada verba extra para a realização de cirurgias eletivas. “Porém, deste recurso ainda não nos foi repassado o realizado em outubro e novembro, no valor de R$ 76.517,00”, afirmou.

DÍVIDA

No começo de 2017, o Hospital Regional possuía dívida fundada em torno de R$ 15,3 milhões e fechou o ano com déficit na ordem de R$ 14 milhões. A economia foi resultado de renegociações de contratos e dívidas antigas.

TOMÓGRAFO

A coordenadora do Conderg informou que o aparelho OCT (tomografia ocular), quebrado há cerca de dez meses, teve orçamento para o conserto foi estimado R$ 150 mil, que o hospital não possui a quantia e que parecer técnico apontou que o reparo não compensa, visto que o equipamento está descontinuado e que a solução seria a compra de aparelho novo, orçado em torno de R$ 500 mil.

“O presidente do Conderg, Amarildo Duzi Moraes, e o Conselho Fiscal já solicitaram por meio de ofício aos governos estadual e federal, assim como para deputados das duas esferas, recursos para investimento na aquisição do novo equipamento”, disse.

Enquanto isso, pacientes ficarão à espera de uma solução. É a situação do paciente José Ferreira Silva, 49, que ainda não obteve o diagnóstico do problema ocular, visto que não consegue fazer a tomografia. “Tenho medo de prejudicar ainda mais minha visão ou até perdê-la”, afirmou. O paciente foi encaminhado ao HR pelo Departamento Municipal de Saúde de São João da Boa Vista e aguarda ser chamado.

RESPOSTA

A Secretaria de Estado da Saúde informou que houve a tentativa de firmar convênio com o Conderg para continuidade nos repasses ao HR, porém, para a assinatura e publicação do convênio, seria necessário o envio completo de documentação exigida, e alguns desses documentos não foram enviados.

Segundo a Pasta, documentos chegaram só em 20 de dezembro de 2017. “Por isso, a documentação terá de ser revista para que o convênio seja celebrado.

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