Uma série de fatores nos últimos dois meses tem colaborado para o aumento no número de atendimentos no sistema de saúde de São João da Boa Vista.
O clima seco, a ausência de chuvas e o grande número de queimadas são as principais causas deste acréscimo.
O médico José Eduardo dos Reis, diretor técnico da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de São João, diz que os atendimentos no local dobraram nos últimos dois meses.
Para se ter uma ideia, em agosto foram 880 atendimentos de pacientes com problemas respiratórios. Até o dia 25 de setembro já foram 809.
“Estamos atendendo o dobro do que atendíamos antes. As queimadas e o clima seco atacam muito a via respiratória superior”, explica.
De acordo com o médico, pacientes que possuem doenças como asma e enfisema são bastante prejudicados nesta época, assim como idosos acamados.
Mas ele deixa claro que o clima seco e as queimadas afetam pessoas de todas as faixas etárias e revela que, em alguns casos, os problemas podem evoluir para pneumonia ou enfermidades mais graves. “Alguns casos chegaram a óbito”, diz.
E José Eduardo garante: “Enquanto não chover não vai melhorar”.
Região de São João tem cidades entre as 10 primeiras
do Estado no número de queimadas
De 1º de julho até a tarde desta terça-feira, dia 26, dados do INEP (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, mostram que cinco municípios desta região estão entre os 25 primeiros no número de queimadas.
Tambaú lidera na região e aparece em segundo lugar no Estado, com 64 focos de incêndio neste período.
Em oitavo lugar vem Casa Branca, com 45 focos. São José do Rio Pardo aparece na vigésima colocação, com 38 focos. Mogi Guaçu, que registrou 36 focos, está em vigésimo segundo e Mococa em vigésimo quarto, com 35 focos. A grande maioria destas queimadas aconteceu na zona rural.
O Corpo de Bombeiros de São João da Boa Vista, que atende as cidades de São João, Aguaí, Vargem Grande do Sul e Águas da Prata informa que, de 1º de junho até o momento, a corporação já registrou cerca de 240 atendimentos relacionados a queimadas.
E esse número representa, segundo os Bombeiros, um aumento de quase 200% em relação ao ano passado.
Estado
Em todo o Estado de São Paulo, foram 4709 focos de incêndio de 1º de julho até a tarde desta terça-feira.
Quando o assunto são queimadas de grandes proporções, um novo levantamento do Corpo de Bombeiros mostra que elas mais que triplicaram neste mês de setembro em relação a agosto, no Estado de São Paulo. E o tempo seco ajuda a alastrar o fogo.
Até agora já são 146 casos de fogo em mata com mais de 9 hectares de extensão. Em agosto, foram 45. Como um hectare tem cerca de 10 mil metros quadrados, isso significa pelo menos 12 campos de futebol destruídos em cada caso.



