Polícia Civil e Ministério Público de São João estão investigando possíveis casos de estelionato envolvendo carros importados e nacionais de luxo. O trabalho teve início na última semana.
De acordo com o promotor Nelson de Barros O’Reilly Filho, é importante que pessoas que tenham sido vítimas na compra de veículos “alienados” denunciem o caso à polícia. “Este golpe pode estar abrangendo pessoas de boa ou má fé”, relata o promotor.
Funciona assim: o golpista adquire o carro em nome de terceiro, que seria o “laranja”, e faz um financiamento em cima do automóvel – normalmente o máximo possível –, não pagando nenhuma prestação. “Às vezes, o vendedor faz o financiamento sem que o dono, que pode ser uma pessoa idônea, saiba”, destaca O’Reilly Filho.
No primeiro caso, os acusados utilizam o veículo de alto padrão sem pagar IPVA, Licenciamento e até multas, geralmente, por excesso de velocidade e evasão de pedágio, entre outros valores.
No caso de venda para um comprador de má fé, acontece a mesma coisa. “Ele usa um carro de alto padrão sem pagar qualquer dos encargos que o dono teria que pagar. Ele vai usar o veículo até cansar ou ser apreendido”, comenta o promotor.
PESSOAS DO BEM
Na hipótese de se vender para um comprador de boa fé, o vendedor alega que está tudo certo e até mesmo apresenta documento aparentemente autêntico, porém “enrola” para entregar o recibo de compra do mesmo.
Com o passar do tempo, o comprador começa a desconfiar e, ao verificar em um despachante ou por meios próprios, descobre que o automóvel tem uma conta enorme de prestações em atraso.
“Pode haver ordem judicial de busca, IPVAs e Licenciamentos atrasados, e um rosário de multas que dá medo. Descobre, ainda, que o CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo é falso, mesmo utilizando um ‘espelho’ autêntico, normalmente desviado dos Detrans do país. Em outros casos, o documento é produzido por falsificadores mesmo”, alerta O’Reilly Filho.
Nestas situações, fica impossível regularizar o produto comprado. E quando o comprador vai procurar o vendedor, acaba sendo enganado, depois ignorado e, em alguns casos, até ameaçado.
O promotor e o delegado Fabiano Antunes de Almeida, que coordena a investigação pelo lado da Polícia Civil, alertam que esta situação é uma forma de estelionato. “A partir do momento que você vende um carro ‘alienado’ ou ‘embaraçado’ de alguma maneira, sem dar conhecimento ao comprador, dando-lhe prejuízo, isso é estelionato. Você pensa que está comprando uma coisa, mas é outra muito pior”, ressalta o representante do MP.
“As pessoas estão sofrendo grandes prejuízos. E é por isso que elas precisam ser alertadas para não entrarem nesta situação, E quem já entrou, procurar a polícia imediatamente, pois isso tem aumentado bastante na cidade”, conclui o delegado.



