A segunda edição do Workshop ‘Encaixando as Peças no Transtorno do Espectro Autista’ irá acontecer no próximo sábado, 27 de outubro, das 8h30 às 17h, no Centro Cultural do UniFEOB, à rua General Osório, nº 433, centro de São João e reunirá profissionais da saúde e educação, para compartilhar conhecimentos e trocar experiências (veja mais no site www.comunicareaprender.com.br).
Para saber um pouco mais sobre TEA, Transtorno do Espectro Autista, a reportagem do O MUNICIPIO procurou pela médica psiquiatra Carina Zuini, que atende no Espaço Riviera, em São João.
Carina esclareceu que o TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento que está presente desde o nascimento mas pode ser diagnosticado mais tardiamente, quando os sintomas tornam-se mais evidentes.
“É classificado em leve, moderado ou grave, de acordo com o grau de dependência, presença ou não de déficit intelectual e gravidade dos sintomas. E é denominado ‘espectro’ por englobar diversas condições, características e níveis de gravidade, que podem diferir bastante em cada indivíduo”, explicou a médica.
Para detectar, Carina aponta que o diagnóstico é clínico, ou seja, baseado nas características do neurodesenvolvimento, sintomas e sinais apresentados pelo paciente.
“Pode haver comprometimento da comunicação verbal e não-verbal, interação social inadequada, padrões rígidos e repetitivos de comportamento e interesses. As alterações surgem no início da infância, mas podem se tornar mais perceptíveis quando as atividades e demandas sociais se intensificam, como no período escolar”, ressaltou ela.
E acrescentou que alguns sinais podem ser detectados precocemente, servindo de alerta para os pais — dificuldade em sustentar o contato visual; não responder ao ser chamado (tendo descartado problemas auditivos); não responder a sorrisos; não apontar; atraso ou regressão na fala; desconforto ao ser abraçado; aversão ou fixação a determinados sons, texturas, cheiros e sabores; enfileirar brinquedos ou objetos; movimentos estranhos ou repetitivos, como balançar os braços ou tronco, rodopiar em torno de si mesmo.
Sobre as possíveis causas do Transtorno do Espectro Autista, Carina justificou que o autismo se deve a fatores genéticos complexos, com mutações e anomalias cromossômicas, mas não foi identificado um gene específico determinando sua origem.
“Somando-se a esses fatores genéticos, há variáveis ambientais que podem aumentar o risco de TEA, como infecções e intoxicações na gestação, baixo peso ao nascer e complicações no parto. O que as pesquisas apontam é que não há qualquer relação entre autismo e vacinação”, acentuou a psiquiatra.
Em paralelo, é cada vez mais frequente ouvir relatos de pessoas portadoras de TEA, muitas das quais vivem e convivem socialmente sem grandes dificuldades, mantendo um círculo de amizades e de trabalho.
Carina observou que, nessa inclusão social das pessoas com TEA, além do acompanhamento com psiquiatra, o paciente deve ter um cuidado multiprofissional, que pode contar com psicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, psicopedagogo, educador físico e outros profissionais, de acordo com o quadro.
“O tratamento é individualizado e tem por objetivo melhorar a comunicação e interação social, diminuir comportamentos impulsivos, repetitivos ou agressivos e alavancar o desenvolvimento escolar. A sociedade e os serviços de educação e saúde ainda precisam se adaptar para acolher esses pacientes. Infelizmente, o acesso ao tratamento adequado ainda é insuficiente na rede pública”, concluiu a médica.
Carina analisa que as escolas especiais para autistas são em número reduzido e não conseguem absorver toda a demanda.
“As escolas regulares normalmente são pouco adaptadas, não têm recursos e a devida capacitação e especialização suficientes para receber alunos com TEA”, finalizou.
Por Daniela Prado.




