Tem sido frequente o número de casos de adoção de animais, alguns resgatados direto da rua. A necessidade de conscientizar a quem adota sobre as necessidades e cuidados que o animal merece também é algo que deve ser sempre frisado.
Além da parte fisiológica, aquele animal aparentemente dócil, que vem atrás da pessoa como se a desejasse como tutora, pode ser imprevisível.

Para saber como garantir a boa adaptação de ambas as partes, a reportagem do O MUNICIPIO ouviu o médico veterinário sanitarista Roberto Hoffmann.
“A nossa relação com os animais é uma via de mão dupla. Em especial, os cães são muito dados na relação com os humanos e facilmente criam laços afetivos sólidos, duradouros e dizer que eles nos escolhem como amigos e cuidadores é muito legal, pois realmente os cães podem se relacionar bem com várias pessoas ao mesmo tempo. Mas sempre terão alguém de sua preferência na família, não necessariamente o provedor”, analisou o veterinário.
Ao decidir dar abrigo a um animal na rua, Roberto orienta que o primeiro cuidado é observar se ele não tem mesmo um responsável, se está apenas ‘dando um passeio’ ou perdido. “Neste caso, é essencial empenhar algum esforço antes de se considerar ‘o dono’ dele. As redes sociais ajudam muito nesse sentido, o de localização do cuidador”, disse.
O veterinário também ressaltou que a abordagem deve ser bastante cuidadosa, observando o comportamento e temperamento do pet. “Animais perdidos podem estar feridos ou assustados e reagir com agressividade. Prevenir acidentes com animais desconhecidos é muito importante, para evitar o tratamento profilático contra a raiva (soro-vacinação)”, alertou Roberto.

E acrescentou que, uma vez assumida a responsabilidade pela guarda, ainda que provisória do animal, deve-se levá-lo o mais depressa possível ao médico veterinário, para avaliação clínica, vacinação, controle de parasitas e orientações gerais.
PARA GARANTIR A ADAPTAÇÃO
Roberto explicou que é comum os animais se aproximarem das pessoas quando estão muito famintos, em busca de algo que possam comer e não se pode inferir que eles estejam necessariamente ‘procurando um novo lar’ – o que é uma humanização do comportamento animal, que tem razões muito distintas.
“Observar a linguagem corporal do animal antes de abordá-lo pode evitar muitos acidentes. Os cães, na maioria das vezes, dão sinais de que vão atacar. Aprender a identificar esses sinais ajuda as pessoas que costumam recolher animais nas ruas”, sugeriu o veterinário.
Levar o pet para a avaliação clínica de um médico veterinário qualificado, que poderá detectar possíveis problemas de saúde, inclusive algumas zoonoses (infecções e infestações que podem afetar a saúde dos humanos), para iniciar o processo de vacinação contra as doenças infecciosas específicas de cada espécie animal, incluindo a raiva, continua sendo muito importante.
“No caso do animal ter parasitas, como pulgas e carrapatos que estão muito associados ao ambiente, um tratamento inicial antes de levar o animal adotado para a nova casa pode ajudar muito a evitar problemas futuros”, Roberto acentuou, completando que esse é o tipo de atitude que ele costuma recomendar, desde que com muita responsabilidade.
O veterinário deixou a dica de que, quanto mais adoções de animais abandonados ao invés da compra de filhotes, melhor para todos. “Temos muitos animais em situação de vulnerabilidade e oferecer melhores condições de vida para eles é uma atitude elogiável. Mas espera-se que um cão ou gato viva pelo menos uns 10 anos. Optar pela adoção deve ser uma decisão racional e exigirá muita responsabilidade por um longo tempo, por isso deve-se evitar decisões emocionais, por impulso”, finalizou Roberto.
A Uspa – União Sanjoanense de Proteção Animal realiza todo primeiro domingo de cada mês, na Praça Cel. Joaquim José, a Feira de Adoção de Filhotes.
Pessoas interessadas em adotar um cão ou gato devem passar pela feira, munidos de todos os documentos e serem maiores de 21 anos.
Caso se apaixonem por algum filhote e decidam levá-lo, são submetidos a entrevista e assinam o termo de responsabilidade, de que não deixarão que nada falte ao pet.
Para quem tem um pet disponível para a adoção, este deve levá-lo a Feira e deixar junto um documento de identidade e comprovante de residência, que serão retirados ao final do evento, quando o interessado deve voltar para conferir se o filhote foi ou não adotado.
Importante ressaltar que na Feira de Adoção só são aceitos filhotes – a Uspa não disponibiliza animais adultos sob o risco de serem descarte, atitude que consideram inadmissível.
Por Daniela Prado.




