Caconde: 75% da água captada e tratada são perdidos

Estudo realizado por empresa terceirizada e contratada pela Prefeitura de Caconde (SP) apontou que a cidade perde cerca de 75% da água captada e tratada, gerando prejuízo estimado em R$ 1,25 milhão. Agora, o Executivo daquela cidade quer propor a privatização do serviço de abastecimento. Os resultados e a proposta foram apontados em reportagem no telejornal EPTV 2, na noite desta quarta-feira (15).

Pela análise, especializada em gerenciamento de recursos hídricos, a perda é provocada por vazamentos na rede e também pelo desvio de água. De acordo com a empresa, os vazamentos na tubulação da rede de água, instalada há mais de 50 anos, são a maior fonte de desperdício em Caconde.

Desperdício: resultado de vazamentos ou desvio da água captada na cidade (Foto: Reprodução/EPTV)

“São redes muito antigas, metálicas ainda, que estão podres com o tempo e teriam que ser substituídas, principalmente no centro da cidade que é a parte mais antiga”, afirmou o diretor de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Caconde, Reginaldo Antônio de Souza.

O resultado é que, além de os moradores pagarem por uma água que não usam, também recebem pouca água em suas casas e estabelecimentos, como a comerciante Fabíola Araújo. Ela adaptou a rotina da casa e da sua lanchonete ao abastecimento de água.

“Água da rua, principalmente no período da tarde, tem faltado, mas a gente tem caixa e nós estamos economizando. Aqui não se lava janela, não se lava carro, não lava nada”, afirmou.

“[Na lanchonete] na emergência tem um galão para jogar no banheiro, mas se precisar lavar uma verdura, que precisa de água limpa, tem que ser em casa”, completou o marido Antônio Fernando Corrêa.

ESTADO DE EMERGÊNCIA

Caconde decretou estado de emergência e passa por uma restrição de utilização de água, devido à estiagem e a diminuição da captação. Quem desperdiça paga multa de R$ 165 e, em caso de reincidência, o valor sobe para R$ 548.

Luiza Fernanda Ribeiro Reis, especialista e professora do departamento de Hidráulica e Saneamento do campus São Carlos da USP (Universidade de São Paulo), afirmou que, além das perdas financeiras, o desperdício de água traz prejuízos ambientais.

“Se você tem uma perda elevada, você é forçado a tirar mais água dos mananciais e isso é um fator de descompensação para o meio ambiente, se não, nos força a procurar outras fontes de abastecimento”, disse.

Cidade decretou estado de emergência e passa por restrição do uso de água (Foto: Reprodução/Silva Junior/Folhapress)

FALTA FISCALIZAÇÃO

Outro problema é a falta de medição do consumo e o desvio de água pela população. A prefeitura não tem dados consolidados, mas estima que 30% das casas não têm hidrômetro e isso reflete na cobrança das contas de água.

“Muita parte das vezes, na própria residência se quebra o hidrômetro para pagar a taxa mínima e usar à vontade”, comentou o diretor de Meio Ambiente.

PRIVATIZAÇÃO

Agora, a prefeitura estuda conceder o serviço de abastecimento de água a uma empresa privada, por um período de até 35 anos.

A administração municipal diz que são necessários R$ 25 milhões para fazer as melhorias na captação, tratamento e distribuição de água e que não dispõe desse valor.

Com a concessão a prefeitura quer resolver ainda mais dois problemas: o tratamento de esgoto, que não existe na cidade, e a troca ou instalação dos hidrômetros que estão defasados.

A medida deve aumentar a tarifa que, hoje, é de R$ 27 para quem consome até 10 mil litros por mês.

“Cria-se uma agência, que é paga com o dinheiro arrecado pela concessionária, e é essa agência que vai fazer a fiscalização do serviço e discutir aumento de tarifas. Não é porque vai fazer a concessão que a concessionária vai subir ao bel prazer, tudo passa por um critério técnico e de muita transparência”, afirmou Souza.

Da Redação (Com informações do G1)

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