ONG Viva São João pede preservação e fim de ‘vazios’ urbanos

FRANCO JUNIOR

A ONG Viva São João apresentou propostas e sugestões para o Plano Diretor de São João durante audiência realizada, na noite da última quarta-feira (1º), na Câmara Municipal. Os principais temas abordados pela entidade foram referentes à inserção no projeto de pontos de preservação ambiental e ocupação dos vazios urbanos.

O publicitário e mestre em urbanismo Leonardo Beraldo e a arquiteta e urbanista Paula Magalhães foram os responsáveis por comandar a sessão e realizar a apresentação da entidade.

Paula Magalhães destacou a importância de preservação ambiental e solicitou aos vereadores que regiões como, por exemplo, a das fazendas Cachoeira e Alegre sejam inseridas como Áreas de Preservação no Plano Diretor. Além disso, ela destacou a importância da redução do Perímetro Urbano, para que os animais silvestres encontrados em São João não corram risco de serem extintos da região.

A arquiteta e urbanista mostrou aos vereadores fotos de, até mesmo, jaguatiricas, lobos-guará e uma onça-parda, todos animais que foram vistos, como ela destacou, na região da Fazenda Alegre.

“Se não tivermos esse cuidado de analisar os possíveis impactos que a expansão da área urbana pode causar, podemos ter grandes perdas da nossa biodiversidade. Em São João, por exemplo, tivemos atropelamentos de jaguatirica e até mesmo da onça-parda que mostrei a vocês [vereadores] e acabou morrendo. Se fizermos um trabalho de preservação e recuperação dessas áreas, vamos fazer com que esses animais vivam”, disse.

ESPAÇOS VAZIOS

O publicitário e mestre em urbanismo Leonardo Beraldo destacou aos vereadores as possibilidades de ocupação dos espaços vazios existentes em São João e a importância de redução do Perímetro Urbano. Beraldo relembrou o estudo feito pela USP Cidades no início do desenvolvimento do Plano Diretor da cidade, em que foi exposto que  os vazios urbanos existentes na cidade podem acompanhar o crescimento do município para os próximos 20 anos.

O mestre em urbanismo mostrou diversas maneiras de ocupação desses espaços vazios por meio de adensamento e compactação.

“Compactar e mais adensamento não quer dizer, necessariamente, verticalização. Isso implica no uso dos vazios urbanos e em utilizar os imóveis já existentes e que estão desocupados. São João trabalha, atualmente, com 20 habitantes por hectare, mas se a cidade fosse um pouco mais densa, ao invés de 20 pessoas morarem em uma quadra, morariam 100. Isso parece um absurdo mas não é, pois existem sistemas de construção que poderiam abrigar essas pessoas de forma qualitativa”, explicou.

Leonardo Beraldo comentou que a ONG teve uma estagiária que narrou situações preocupantes dos bairros da chamada Zona Sul, que, na maioria das vezes, possuem apenas casas e nenhum tipo de espaço de comércio e lazer, por exemplo.

“Ela contou que há pessoas no Resedás que compram pão uma vez por semana, porque não tem padaria no bairro. Imagina comprar pão, congelar e ir descongelando diariamente, todos os dias, para conseguir comer?! Isso tudo por conta do desenho urbano e da maneira que os bairros estão sendo moldados atualmente”, finalizou Beraldo.

Câmara pretende votar Plano Diretor ainda em agosto

Após o encontro com a ONG Viva São João, a previsão da Câmara Municipal, de acordo com o presidente do Legislativo, Gérson Araújo (MDB), é que o Plano Diretor seja finalizado nas próximas semanas, com as alterações necessárias e colocado para votação dos vereadores até o final de agosto.

“As pontuações da ONG foram muito importantes nessa fase final de análises. Vamos realizar, agora, reuniões entre os vereadores e também com membros das entidades para decidir o que será acatado das sugestões de todas as audiências. Depois disso, a nossa meta é colocar em votação o Plano Diretor na segunda quinzena do mês de agosto”, previu.

O presidente do Legislativo destacou, ainda, que esta agilidade é necessária porque o desenvolvimento da cidade depende da aprovação do projeto.

“O município está parado em diversas situações de desenvolvimento por conta deste projeto, então é necessário que, após todo esse período de estudos, ele seja aprovado, para que São João continue crescendo”, concluiu. (F.J.)

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