Zabella Dragão constrói trajetória entre dança, teatro e TV

Ana Laura Moretto
[email protected]

A trajetória artística de Isabella Dragão começou aos quatro anos, com aulas de balé em São João da Boa Vista. Aos 11 se mudou para Joinville (SC) para estudar na Escola do Teatro Bolshoi. A formação em dança abriu caminho para outras áreas, como o teatro e a televisão. Hoje, com novo nome artístico de Zabella Dragão, ela também atua como professora, pesquisadora e criadora de projetos autorais.

Segundo Zabella, a experiência no Bolshoi foi importante para sua formação, mas também trouxe muitos desafios. Na adolescência, enfrentou lesões e fraturas por estresse relacionadas à sobrecarga física. Aos 13 anos, passou por cobranças relacionadas ao peso e começou a fazer dietas ainda muito jovem. Embora reconheça a importância do aprendizado que recebeu, ela considera necessário rever práticas adotadas no ensino da dança. Aos 15 anos, começou a se dedicar ao teatro, atividade que encontrou nas aulas com a professora Sabrina Lermen, ainda durante a formação em Joinville.

“Me mostrou que existe outro modo de lidar com a arte, com o corpo e com a vida”, afirmou sobre a atuação, que ampliou suas possibilidades de expressão.

Personagem: Zabella Dragão interpretou Cecília na novela Novo Mundo, da TV Globo, em 2017 (Maurício Fidalgo/TV Globo)

EXPERIÊNCIA NA TELEVISÃO
Formada em Licenciatura em Artes Cênicas, Zabella participou de produções televisivas como Nada Será Como Antes e Novo Mundo, novela em que interpretou Cecília. A experiência permitiu trabalhar em uma grande produção e acompanhar o desenvolvimento de uma personagem ao longo da trama.

A artista também questiona a ideia de que atuar na Rede Globo seja o principal indicador de sucesso profissional.

“É como se tudo o que vivemos como atrizes não tivesse valor nenhum, não valesse de nada, apenas a Globo pudesse dar alguma validação da nossa trajetória”, contou.

Além da atuação, Zabella desenvolve trabalhos ligados a educação e pesquisa. Um de seus focos é a relação entre o brincar e a criação cênica, tema que começou a investigar na faculdade e que continua presente nas aulas e nos projetos artísticos.

A atuação como professora também faz parte desse percurso. Zabella conta que apesar de ter receio de dar aulas em razão das dificuldades que enfrentou durante sua formação, passou a sentir necessidade de compartilhar o que aprendeu. Paralelamente, ampliou a produção autoral, com o lançamento de um livro de poesias e a criação de músicas incorporadas a trabalhos cênicos.

RETORNO ÀS ORIGENS
O nome artístico Zabella surgiu de uma forma carinhosa como sua mãe, Zuleide, costuma chamá-la. A escolha também representa uma mudança na maneira como a artista se posiciona. “Tem a ver com me assumir, aprender a falar não, me colocar”, afirmou.

Após anos buscando oportunidades profissionais fora de São João, ela vive atualmente um período de maior proximidade com a família e de participação na cena cultural do município. Entre as iniciativas recentes, estão uma peça realizada por meio da Lei Paulo Gustavo, uma sobre a história do Theatro e uma atividade no museu em que interpretou a pianista Guiomar Novaes para crianças.

Zabella também chama a atenção para a preservação ambiental da região, especialmente das matas e águas de São João e Águas da Prata.

Atualmente, a artista busca patrocínios para um projeto que reúne filme, peça teatral, álbum musical e ações educativas. A proposta prevê apresentações, exibições e atividades em São João da Boa Vista. A iniciativa pretende integrar as linguagens que desenvolveu ao longo da carreira e ampliar sua contribuição para a produção cultural do município.

“Busquei muita coisa fora, vivi muito correndo, buscando. E não vivi muita coisa de uma simplicidade chamada dia a dia com a família. Isso é algo tão simples, mas tão profundo. Quando a gente realmente sente que tem pra onde voltar, a gente muda muito o nosso estado interno na vida”, finalizou.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here